Patrimônio Cultural Carioca desde 2013, o Cervantes Bar e Restaurante será devolvido à cidade em outubro. Inaugurada em 30 de julho de 1955, em Copacabana, a casa não resistiu às restrições da pandemia de Covid-19 e anunciou o fechamento por tempo indeterminado em 30 de março de 2021. Após três meses de negociação, Antônio Rodrigues, dono da rede Belmonte — que já resgatou outros tesouros da boemia carioca, como o Nova Capela, na Lapa, e o Amarelinho da Cinelândia —, acertou uma parceria com as famílias dos fundadores Candido Ricardo Villar Lema e Candido Carballo Perez. O bar volta a ocupar o ponto original, na Rua Prado Júnior, 355.
— A sua reabertura é uma alegria inesperada. Torcendo para que volte a ter qualidade, variedade de ingredientes e a fartura das porções de sanduíches e salpicões que são fortíssimos na memória de todos. Assim que reabrir, já estarei na porta — diz Roberto Hirth, morador de Copacabana e entusiasta do bairro e da gastronomia.
Pernil com queijo e abacaxi
Roberto pode ficar tranquilo. A língua com arroz à piemontesa, os miolos e os rins bovinos, iguarias para poucos, seguem no cardápio do salão. Hits como os salpicões de frango ou de presunto e a salada de batata, além dos sanduíches de pernil com queijo e abacaxi e de patê de foie, voltarão a passar com a rapidez de antes pelo balcão aberto para a Rua Barata Ribeiro. Essa entrada, aliás, promete manter a tradição de ponto de encontro de quem tem fome de madrugada e sede de chope gelado.
Antônio planeja alternar tradição com algumas mudanças.
— Primeiro, vou melhorar a questão do preço. Tem sanduíche por aí custando R$ 50! Não é um prato, é um lanche, não pode passar de R$ 30 — anuncia, antes de avisar que também pretende turbinar um dos clássicos locais. — O sanduíche de pernil com queijo vai ter a opção de ser com mussarela, queijo bola ou queijo de ovelha.
Com o Cervantes, Antônio passa a administrar 19 estabelecimentos. Fora do Rio, cuida de uma unidade do Belmonte em São Paulo e três em Portugal.
— Gosto da cidade, tenho que fazer por ela o que ela fez por mim. Não dá para pensar no dinheiro o tempo todo — afirma o empresário cearense, que trabalhou no bairro logo que chegou ao Rio:
— Minha ligação com o Cervantes é antiga. Quando eu era garçom, sempre passava por aquela calçada e via o movimento quando estava voltando do trabalho.
Próxima Parada
Menos de três meses depois de o Cervantes fechar as portas em Copacabana, surgiu o Parada de Copa, na Figueiredo de Magalhães, dez quadras distante do original. O cardápio é amplamente inspirado na casa da Prado Júnior, e tem feito sucesso desde então.
— Concorrência é sempre bom. Quem tem que ganhar é o cliente — arremata Antônio.Circuito de botequins
Com a reabertura do Cervantes, sobe para 28 o número de bares que são Patrimônio Cultural Carioca e fazem parte do circuito dos botequins da prefeitura do Rio.
Os lugares de cada circuito são identificados por placas azuis, com uma breve história sobre o lugar. Para fazer parte do giro, são levadas em conta a história do lugar e sua importância para o bairro. Este ano, quatro bares entraram para o hall da fama das biroscas: o Baixo Gago, em Laranjeiras, o Cachambeer, no Cachambi, o Galeto Sat´s, em Copacabana, e o Bar do Momo, na Tijuca.

