Lula privilegia eleitores do Sudeste e gasta R$ 1 milhão com propaganda no YouTube

Mix Vale

A campanha do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já gastou quase R$ 1 milhão para veicular propaganda política no YouTube. As informações registradas pelo Google, dono da plataforma, revelam a estratégia do PT para ganhar o apoio dos eleitores. Os estados com maior investimento, até o momento, são da Região Sudeste, onde o petista tenta consolidar o favoritismo indicado por pesquisas de intenção de votos. Já a campanha do presidente Jair Bolsonaro (PL) não usou até agora o expediente para promover sua candidatura.

Desde o início da campanha, a coligação de Lula gastou R$ 175 mil em vídeos veiculados apenas para o eleitor de São Paulo; R$ 67 mil em Minas Gerais; e R$ 66,5 mil no Rio de Janeiro. Nas primeiras semanas, o petista privilegiou justamente a região para fazer comícios — só não esteve ainda no Rio.

Até a noite de segunda-feira, a campanha do PT havia desembolsado R$ 914 mil para impulsionar a campanha. Os vídeos tratam de temas variados, mas a maior parte tece comparações entre os governos de Lula e a atual gestão de Bolsonaro.

Embora Bolsonaro não tenha usado a plataforma para a veiculação de propaganda eleitoral, o partido dele, o PL, gastou R$ 801 mil em anúncios do presidente no período de pré-campanha. Todo o gasto da legenda ocorreu no fim de semana dos dias 22 e 23 de julho, quando foi realizada a convenção que lançou a candidatura de Bolsonaro. Foram impulsionados vídeos com trechos do clipe do jingle de campanha do presidente, que usa o slogan “Capitão do Povo”.

Nos últimos dias, a prioridade da campanha de Lula tem sido veicular peças voltadas para o eleitor evangélico. Segundo o banco de dados do Google, um vídeo que trata do papel de Lula ao sancionar a lei de liberdade religiosa já foi exibido 9 milhões de vezes, ao custo de quase R$ 90 mil. Ao contratar o serviço, o PT indicou a veiculação para homens e mulheres de todos os estados do Brasil, entre todas as faixas etárias.

— Lula vai fechar as igrejas evangélicas? É verdade ou mentira? — pergunta uma locutora logo no início do vídeo: — É mentira — responde a mesma pessoa.

Em seguida, o vídeo recupera o discurso de Lula de 2003, mesmo ano em que assumiu a Presidência pela primeira vez, a uma plateia de religiosos durante a sanção da lei de liberdade religiosa. Entre os convidados, aplaudindo o petista, está o ex-senador Magno Malta (PL), aliado de Jair Bolsonaro. O vídeo também menciona que Lula sancionou lei que cria o “Dia Nacional da Marcha para Jesus”.

Lula tem repetido aos aliados que não irá a Igrejas e que não pretende se encontrar com pastores como forma de sinalizar ao segmento, mas tem usado as redes para enfrentar os ataques. A estratégia é falar de forma mais ampla, mostrando que preza pela liberdade de credo.

Embora este tenha sido o assunto predominante da primeira semana da corrida presidencial, o núcleo duro da campanha quer pautar problemas da economia e evitar que Bolsonaro torne a religião o tema central do debate.

O próprio Lula, porém, tem falado a respeito em seus discursos e demonstrado a preocupação com uso político do segmento pelo adversário. No seu primeiro ato de campanha, no ABC, Lula disse que “Bolsonaro é possuído pelo demônio”. No sábado, em São Paulo, o petista afirmou que estão fazendo “igreja de palanque político”.

Temas como a fome, o armamento promovido pelo governo Bolsonaro, e a comparação entre políticas voltadas para as mulheres também são abordadas nos vídeos de propaganda no YouTube.

Em terceiro lugar entre os vídeos mais propagados pelo PT, com cerca de 9 milhões de visualizações, está uma peça voltada exclusivamente para as mulheres de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro.

A propaganda cita os motivos identificados pelo PT para a alta rejeição de Bolsonaro no eleitorado feminino:

— Que Brasil você quer? O da inflação alta ou dos preços baixos? O que cortou verbas do combate à violência contra a mulher ou o que assinou leis de proteção às mulheres? O que quer levar armas para os jovens ou o que levou milhões de jovens para as universidades? O do ódio ou do amor? Lula presidente. O Brasil da esperança — diz uma locutora, enquanto cenas ilustram as situações comparadas pela voz.

São Paulo – R$ 175 mil

Minas Gerais – R$ 67 mil

Rio de Janeiro – R$ 66,5 mil

Bahia – R$ 62 mil

Paraná – R$ 53 mil

Pernambuco – R$ 48,5 mil

Goiás – R$ 46,5 mil

Rio Grande do Sul – R$ 45,5 mil

Ceará – R$ 40 mil

Santa Catarina – R$ 37 mil

Pará – R$ 35,5 mil

Amazonas – R$ 21,5 mil

Distrito Federal – R$ 21 mil

Paraíba – R$ 20,5 mil

Mato Grosso – R$ 20 mil

Maranhão – R$ 19,5 mil

Espírito Santo – R$ 18 mil

Alagoas – R$ 17,5 mil

Mato Grosso do Sul – R$ 17,5 mil

Rio Grande do Norte – R$ 16 mil

Piauí – R$ 14 mil

Tocantins – R$ 12,5 mil

Sergipe – R$ 11,5 mil

Rondônia – R$ 10 mil

Amapá – R$ 5 mil

Roraima – R$ 4 mil

Acre – R$ 3 mil

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