Ciro classifica pautas identitárias como ‘baboseira do esquerdismo que vem dos EUA’

Mix Vale

SÃO PAULO — O candidato à presidência da República, Ciro Gomes (PDT), criticou a esquerda brasileira por tornar pautas identitárias o centro das discussões no país ao invés de se comprometer com “os compromissos reais” como os preços dos alimentos, do transporte público, da Educação e Saúde. A afirmação foi feita durante uma entrevista ao programa Pânico, da Jovem Pan. Na ocasião, Ciro chegou a classificar as questões identitárias como “baboseira do esquerdismo que vem dos Estados Unidos para substituir a falta de compromisso verdadeiro”.

O pedetista falava sobre a importância dos mais jovens se envolverem com a política mesmo que seja um campo estigmatizado como um espaço de privilégio e mentira. Durante sua fala, o ex-governador explicou que a fragmentação das pautas identitárias pode afastar o grande público do debate e usou o recente plebiscito, que tentava aprovar uma nova constituição no Chile, como exemplo.

– Há três anos, o povo foi em massa para às ruas pedindo uma nova constituição e contra o legado de Pinochet e, agora, fizeram uma constituição completamente mistificadora, cheia de peculiaridades identitárias, uma série de baboseiras desse esquerdismo que vem dos Estados Unidos para substituir a fala de compromisso popular verdadeiro, tipo o PT no Brasil, e aí o povo não quer essa constituição na proporção de quase dois terços.

Em seguida, o ex-governador do Ceará foi perguntado qual era sua opinião sobre a linguagem neutra. Ciro respondeu que seu papel é mostrar que “não há contradição em ser solidário com as questões identitárias” e ter “compromissos reais”.

– Eu tenho todo um conjunto de políticas que vão entender que o Brasil ainda remanesce pagando 70% ou 75% para um negro do que paga para um branco pelo mesmo trabalho, pela mesma jornada. Só que essa luta tem que ser feita na grande luta da superação da miséria e desigualdade. […] A baboseira é você achar que a hiper fragmentação de uma agenda da população vai dar na superação da miséria e desigualdade – explica.

Ciro também usou a importância da defesa do meio ambiente para ilustrar.

— Por exemplo, eu entendo que o meio ambiente é uma trava, é o filtro para todas as questões do desenvolvimento é um olhar correto. Mas se eu transformo a questão ambiental, que é grave, numa questão de identidade, eu fico com meia dúzia de pessoas que são simpáticas, do bem, porque defendem a fragilidade da natureza, mas não tem compromisso nenhum em sobre não faltar energia do país.

Ao fim da resposta, o candidato é questionado novamente sobre o que acha sobre a linguagem neutra ao que responde: “tenha santa paciência, pode ser que estou ficando velho, mas isso só nos divide. Quero unir o Brasil”.

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