Sete crianças de projetos sociais de comunidades do Rio, como Complexo do Alemão e Engenho da Rainha, e de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense – estão prestes a dar uma pirueta na vida. Depois de passar por uma bateria de testes, foram aprovadas para ingressar numa das mais conceituadas escolas de balé do mundo, a Escola Bolshoi, com sede em Joinville, Santa Catarina. Elas concorreram com outros 330 pequenos, de dez estados do Brasil e da Argentina.
— Os candidatos cariocas se destacaram pelo esforço. O Rio é um celeiro de talentos. Eles estão ali (entre os selecionados) por merecimento, porque queriam muito, tinham fogo nos olhos e buscavam um futuro diferente. Foi isso que colocou eles nesta lista, o que nos deixa muito felizes — afirma Sylvana Albuquerque, coordenadora da seleção nacional do Bolshoi.
Foram selecionadas 40 crianças (20 meninos e 20 meninas) para o primeiro ano do curso de dança clássica, com duração de oito anos, que terá inicio em fevereiro. Alem de bolsa integral, elas ganharão benefícios como alimentação, transporte, uniformes, figurinos, assistência social, orientação pedagógica, assistência odontológica preventiva, atendimento fisioterápico, nutricional e assistência médica de emergência/urgência pré-hospitalar.
Alessandra Vitoria Costa da Rocha, de 9 anos, e Maria Eduarda Ferreira de Figueiredo, de 10, foram as duas alunas aprovadas do projeto Vidançar, que acaba de completar 12 anos transformando vidas no Complexo do Alemão. À frente da iniciativa, Ellen Serra destaca que “foi um grande resultado para as comunidades periféricas do Rio” :
— Nossas alunas concorreram com crianças megapreparadas de escolas particulares do Brasil e do exterior. Elas moram em território vulnerável, convivem com a violência. Terem passado num processo seletivo tão importante mostra que elas se dedicam e conseguem chegar lá, o que falta é oportunidade. Agora elas vão participar da maior escola de balé do mundo, o que nos enche de orgulho e emoção.

