Dívida pública brasileira deve cair a 88,2% do PIB neste ano, voltando a crescer em 2023, prevê FMI

Mix Vale

A dívida pública brasileira vai cair a 88,2% do PIB neste ano, mas volta a subir no ano que vem – para 89,9% – e vai se manter acima de 90% nos quatro anos seguintes, segundo estimativas do Monitor Fiscal divulgado nesta quarta-feira pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). O Fundo também afirmou no relatório que o custo com o auxílio emergencial distribuído aos mais pobres na pandemia poderia ter sido a metade.

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Segundo o relatório, se comparado com os demais países emergentes, o Brasil registra um patamar muito elevado da dívida, ficando atrás apenas do Egito neste ano, cuja projeção é de 89,2% do PIB, seguido de um recuo para 84,1% em 2023.

Dados de Venezuela, Ucrânia e Líbano não estão disponíveis no documento.

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A estimativa para a China, afetada pelos inúmeros lockdowns resultantes de sua política de Covid zero, é de dívida bruta de 76,9% em relação ao PIB para este ano, mas o indicador sobe para 84,1% em 2023. Para 2027, essa relação avança ainda mais, para 102,8%.

Para a Argentina, país que chegou a registrar a maior inflação em 40 anos, a projeção da dívida bruta é de 76% do PIB em 2022, caindo para 69,5% em 2023.

Guedes critica relatório

O ministro da Economia, Paulo Guedes, voltou a criticar o relatório do Fundo Monetário Internacional (FMI), divulgado nesta quarta-feira, que atualiza as projeções fiscais para o Brasil. O Fundo ampliou a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2022 para 2,8%, ante 1,7%, conforme indicado na estimativa anterior, de julho. Mas a economia do Brasil deverá crescer abaixo da média global da média da América Latina e da média de países em desenvolvimento.

_As projeções vão depender muito do que nós fizermos. Se acelerarmos os programas de privatização, fizermos nossas reformas que vamos seguir fazendo, eles vão errar de novo. É o que eu disse ontem (terça-feira), talvez eles estejam achando que o outro candidato vai ganhar, e aí as previsões estão certas. O Brasil vai entrar em déficit, vai crescer menos e tudo isso vai passar a ser verdade – afirmou Paulo Guedes.

O ministro explica que o FMI enfrenta “problemas técnicos” quando faz análises sobre o Brasil. “Não estão vendo os tsunamis de investimentos privados que estão vindo do outro lado, só olham para investimentos públicos e acham que o Brasil não tem capacidade de crescimento”.

_ Por isso eles estão se surpreendendo o tempo inteiro. Nós estamos crescendo mais, a estrutura da economia já mudou e o Brasil está com recorde de transações internacional, temos o maior superavit da história, o maior ritmo de investimentos direto. Os técnicos de qualidade vão ter que recalibrar os seus modelos. Mas tem também a militância política _ disse Guedes.

O ministro falou com a imprensa após reunião com analistas e investidores internacionais organizada pela JP Morgan que aproveita evento do FMI em Washington.

Custo do auxílio emergencial

O relatório do FMI cita o programa de Ajuda Emergencial no Brasil (Auxilio Emergencial) durante 2020-21 como um estudo de caso de transferência de renda devido à sua ampla cobertura e disponibilidade de dados.

Os efeitos de estabilização do programa do Auxílio Emergencial no Brasil excederam em muito os do sistema de proteção social em vigor antes da pandemia, diz o Fundo.

Simulações mostram que, em média, a renda disponível per capita no Brasil cresceu 2,1% em 2020. A renda disponível aumentou na maioria das famílias, especialmente nas de baixa renda e a desigualdade caiu naquele ano.

No entanto, o FMI diz que o custo fiscal do programa poderia ser menor. No biênio 2020-2021, diz o Fundo, o custo foi de aproximadamente 4% do PIB, mas ressalta que um benefício mais baixo – de cerca de um terço do valor – “ainda teria efetivamente protegido a renda da população com metade do custo”.

Guedes também criticou essa parte do texto do relatório do Fundo.

_Há seis meses todo mundo dizia que os brasileiros estão passando fome e aí o FMI diz que o gasto poderia ser menor. Isso é o que eu falo. O FMI tem que falar menos besteira e trabalhar um pouco mais para alertar os americanos, os europeus. Enquanto estão puxando a nossa orelha, o Brasil está crescendo mais, a inflação está mais baixa. Não acredito que o FMI está de má vontade com o Brasil eu acho que é erro técnico mesmo _ declarou o ministro.

Paulo Guedes finalizou dizendo que “o Brasil está indo bem, os EUA e Europa estão dormindo no volante”.

O ministro está em Washington, onde participa, até a sexta-feira, das reuniões anuais do FMI e dos Conselhos de Governadores do Grupo Banco Mundial.

Economias avançadas

Ainda de acordo com o relatório, o Brasil está um pouco melhor na comparação com os países mais avançados. Para os EUA, maior economia do mundo, o FMI projeta uma dívida bruta de 122,1% em relação ao PIB neste ano, avançando para 122,9% em 2023. Essa relação continua subindo e deve atingir o patamar de 134,9% em 2027.

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Para a Alemanha e França, dois dos países mais afetados pelo corte de fornecimento de gás da Rússia, em retaliação às sanções por conta da invasão à Ucrânia, a dívida bruta deve atingir 71,1% e 111,8% , respectivamente, em 2022.

Após uma expansão da política monetária e fiscal sem precedentes em 2020, devido à pandemia, os países têm ido na direção contrária agora, com aperto de juros. O aumento dos gastos para combater a Covid e sustentar a economia levaram à inflação, agravada pela guerra na Ucrânia.

Por um lado, diz o Fundo, o aumento de preços contribuiu para reduzir o endividamento e o déficit público – já que a inflação aumenta a arrecadação.

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No entanto, o Fundo alerta que, apesar do recuo da relação dívida/PIB neste ano, o indicador se mantém acima dos patamares pré-pandemia em boa parte dos países, o que evidencia a necessidade de conter os gastos.

“No contexto de inflação alta, dívida elevada, juros em trajetória crescente e aumento da incerteza, consistência entre políticas fiscal e monetária é fundamental. Na maior parte dos países, isso significa manter o orçamento em curso de aperto”, diz no relatório o diretor do departamento de assuntos fiscais do FMI, Vitor Gaspar.

O Fundo salienta que o aumento da pobreza e da insegurança alimentar “é muito preocupante” e que “o apoio emergencial é necessário”. Ressalta que a resposta a essa situação deve ser focada e transparente.

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