Brasil

Aumentos de juros do BCE podem demorar mais do que o normal para fazer efeito, diz Schnabel

FRANKFURT (Reuters) – Os aumentos das taxas de juros do Banco Central Europeu podem levar mais tempo do que o normal para fazer efeito na economia real e seu impacto pode ser mais suave do que o normal, disse Isabel Schnabel, membro da diretoria do BCE, em entrevista a um jornal.

O BCE elevou os custos dos empréstimos em um total de 3,75 pontos percentuais no último ano buscando controlar a inflação, e investidores esperam outras duas pequenas elevações, já que o aumento dos preços ao consumidor ainda pode levar anos para cair para 2%.

“Dada a atual escassez de trabalhadores, podemos esperar que a transmissão da política monetária seja mais fraca do que o normal”, disse ela ao jornal belga De Tijd, em artigo publicado nesta quarta-feira.

Schnabel acrescentou que os empréstimos com taxas de prazo fixo também se tornaram mais predominantes e, portanto, pode levar mais tempo do que antes para ver o impacto da política monetária mais apertada, já que os termos do empréstimo são reavaliados ao longo de vários anos.

“Dada a alta incerteza sobre a persistência da inflação, os custos de fazer muito pouco continuam a ser maiores do que os custos de fazer demais”, disse Schnabel, chefe de operações de mercado do BCE.

Se a política monetária não fosse rígida o suficiente, a inflação ficaria enraizada e se tornaria mais caro combatê-la, acrescentou.

Schnabel minimizou a recente queda no núcleo da inflação, argumentando que mesmo um pico no indicador não seria “suficiente para declarar vitória”, pois ela busca evidências mais convincentes de que a alta dos preços cairá para 2% em tempo hábil.

Ela também minimizou o valor das próprias projeções do BCE, argumentando que estimativas pontuais são enganosas, já que esse tipo de precisão não é possível.

“Em vez de explicar constantemente a imprecisão das projeções, seria melhor para nossa credibilidade se as publicássemos com faixas de confiança”, disse ela. “A transparência fortalecerá nossa credibilidade, embora não negue que seja um desafio comunicar com clareza sobre esse tema.”

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