Análise: Botafogo lava incertezas pós-Castro e domina um Vasco ainda sem rumo

As 17 posições de distância entre Botafogo e Vasco antes do clássico de domingo permitiam uma ideia do que seria a tarde no Nilton Santos. Mas havia, no caso do alvinegro, uma dúvida. A saída do técnico Luís Castro, oficializada na sexta-feira, poderia ser um baque. Mas o time deixou a performance ruim contra o Magallanes-CHI, na quinta, para trás com uma exibição de domínio e uma vitória muito justa por 2 a 0.

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Melhor para o interino alvinegro Cláudio Caçapa, que pouco precisou mudar para garantir a continuidade do bom desempenho, num jogo vital para o momento, já que o Grêmio, vice-líder, havia encostado após vencer o Bahia. A distância segue em sete pontos. O único problema que o interino teve antes da partida virou solução: com a ausência de Victor Sá, Luis Henrique iniciou entre os titulares. Ele marcou o primeiro gol alvinegro.

O time do Botafogo seguiu muito consciente do que pode fazer e contou com mais um grande jogo de Tiquinho Soares. O artilheiro do Brasileirão não marcou — chegou perto de balançar as redes num lindo voleio —, mas fez trabalho muito importante como pivô e foi quem achou Luis no primeiro gol. Caçapa ainda teve a felicidade de ver Carlos Alberto, um de seus substitutos, liquidar a fatura e acabar com qualquer dúvida.

— O que vivi hoje foi extraordinário. Ver a torcida cantando na nossa chegada foi maravilhoso. Gostaria de agradecer. Minha chegada foi muito leve. Os atletas e o estafe me receberam de braços abertos — comentou Caçapa após a partida.

Em uma tarde de pancadas de chuva e ventania que não deram trégua, a torcida deu demonstração de força: os mais de 38 mil presentes prepararam mosaico, entrada especial para os jogadores e muito empenho no apoio.

Vasco sem rumo

Enquanto o Botafogo pode procurar um técnico com tranquilidade, um cenário diametralmente contrário vivem o Vasco e o também interino William Batista. Em seu segundo jogo na função e sem Gabriel Pec, suspenso, o treinador apostou em Orellano e Pedro Raul, nomes que vinham em baixa. Mas não conseguiu corrigir o rumo desgovernado do cruz-maltino nesse Brasileirão.

Não é uma tarefa fácil: são oito derrotas em 13 jogos, um time sem confiança e, até o momento, sem uma ideia clara de jogo. Com a derrota, o Vasco segue na zona de rebaixamento, na 18ª colocação e a três pontos do Corinthians, primeiro time fora dela.

— Podemos dizer que o clube vai trabalhar muito para dar à torcida o lugar de respeito que ela merece na tabela — afirmou William após o jogo.

Em São Januário, a busca por um novo técnico será acelerada. O jogo contra o Cuiabá mostrou que há espaço para esse elenco evoluir, mas essa missão não deve ficar nas mãos do jovem Batista, que segue com muito crédito no clube. No domingo, o Vasco atuou como fez nos dois clássicos que disputou neste Brasileirão, ainda sob o comando de Maurício Barbieri: fechado, explorando os contra-ataques — e desperdiçando a melhor oportunidade com Alex Teixeira. Pela terceira vez, não saiu com a vitória. Pela segunda vez, saiu derrotado.

O Botafogo dominou a partida não só na posse de bola, mas no volume ofensivo. Quando chegava pelos lados, era muito perigoso: nos cruzamentos, no primeiro tempo — Léo Jardim precisou fazer grande defesa em cabeça de Tiquinho — e nas chegadas em velocidade no segundo, que deram origem aos dois gols. Um placar mais do que merecido.

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