Zé Celso Martinez: relembre frases do dramaturgo

O diretor, escritor, ator e dramaturgo Zé Celso Martinez Corrêa, nome central do teatro brasileiro a partir da segunda metade do século XX, morreu nesta quinta-feira, aos 86 anos.

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Presença marcante na cultura brasileira, Zé Celso deu diversas entrevistas ao longo da carreira. Relembre algumas de suas frases:

Revolução

“Enquanto resistíamos ao Golpe de 1964 e ao AI-5 (1968) entendemos que era necessária uma revolução, que o homem precisava voltar ao barro, se suicidar para renascer. Em “Os pequenos burgueses” (1963) era um suicídio de classe. Os atores se assassinavam enquanto pequenos burgueses para renascerem revolucionários”.

‘Roda-Viva’

“Em ‘Roda-Viva’, o Chico e eu demos passagem a uma nova classe, que nos transcendia, que subiu pro palco, tomou a plateia, ia para a rua, tomou porrada, foi para os subterrâneos. E hoje está aí, essa energia social mais fortalecida que nunca por essa resistência”.

Cultura e resistência

“O que importa é o ponto de vista de classe: quem está por baixo, quem está por cima. Veja bem: o Brasil é um país que tem 500 anos de exploração em cima. Uma história de exploração em cima de milhões de pessoas. Isto é cultura: a resistência dessas pessoas”.

Limites

“Há uma conjuntura social em que é possível avançar. Até onde, não sei”.

Pensão

“Hoje sou um homem que vive às custas do fato de ter sido torturado. É esse dinheiro, os R$ 9 mil por mês da anistia, que paga as minhas contas, os meus remédios para o coração. E que ainda uso para tocar uma coisa ou outra no Oficina.”

Assassinato do irmão Luís Antonio

“Quando acontece de um poeta receber cem facadas há uma alteração cósmica, uma coisa profunda. Não foram oitenta facadas, como disseram. Foram cem. Um século de facadas”

Drogas

“Fumo maconha, entro em cena viajante. Desde o “Rei da vela” faço as peças doidão, e minha memória é ótima.”

Vivendo o presente

“Não tenho dinheiro nem propriedades. Não espero nada da vida, nunca esperei. Acredito no aqui e agora.”

Xamanismo

“O teatro é uma arte xamânica. Se você for retornar às raízes do teatro, você vai alcançar o xamanismo”.  

Antropofagia

“Oswald descobriu a antropofagia, e com ela descobriu o Antropoceno e essa necessidade de um suicídio desse homem atual. Na antropofagia se aprende que é Tupi or not to be. Se você não tem um corpo índio, teatral, um corpo bicho que pode se comunicar com qualquer bicho, com a terra, você não é. Tupi, ou você não é”.

Fazer 80 anos

“Ou vamos para o Alzheimer ou para a grande beleza”.

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