PEQUIM (Reuters) – O diretor artístico do Balé Bolshoi, de propriedade do Estado de Moscou, prometeu que sua companhia se apresentará no Ocidente novamente, depois de sofrer um boicote cultural desde a invasão da Ucrânia pela Rússia.
A célebre companhia de balé se apresentou no Centro Nacional de Artes Cênicas de Pequim na terça-feira em sua primeira turnê internacional desde a pandemia.
Falando em Pequim na véspera da apresentação, o diretor artístico Makhar Vaziev insistiu que a academia “não está sofrendo” por não poder se apresentar no Ocidente.
“Não tenho dúvidas de que um dia tudo voltará a ser como deveria ser, porque a cultura é uma onda difícil de suprimir”, disse Vaziev, de 62 anos, em entrevista.
“Muitos governos baniram figuras culturais da Rússia… mas ainda estamos falando com as mesmas pessoas com quem falamos no passado.”
Os dançarinos do Bolshoi esperam que suas apresentações anunciem o retorno ao palco global da joia da coroa da cultura russa, que percorreu o mundo mesmo nos dias mais tensos da Guerra Fria.
Mas a companhia só tem mais duas paradas internacionais confirmadas até agora: a capital bielorrussa, Minsk, em novembro, e Omã, em janeiro de 2024.
A companhia, fundada em 1776 pela imperatriz Catarina, a Grande, exibirá trechos de algumas de suas obras de balé mais conhecidas em duas apresentações de gala em Pequim, seguidas por uma encenação de três dias do balé do século 19 “Dom Quixote”.
Ela ainda recebe cerca de 70% de seu financiamento do governo russo, de acordo com o representante de relações públicas da companhia. Até agora, nenhum artista condenou publicamente a guerra do presidente Vladimir Putin, que causou cerca de 8.500 vítimas civis, de acordo com a ONU.
Em fevereiro do ano passado, um dia após Moscou enviar milhares de soldados para a Ucrânia, a Royal Opera House de Londres cancelou o planejado retorno pós-pandemia do Bolshoi para uma residência programada para aquele verão. Seguiram-se cancelamentos em outras cidades ocidentais.
(Reportagem de Laurie Chen)

