Como posso driblar a negativa automática do robô do INSS?

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Como posso driblar a negativa automática do robô do INSS? Verifique se seu Cnis possui inconsistências e as resolva antes de dar entrada.

Todo segurado que requer benefício no Instituto Nacional do Seguro Social quer basicamente rapidez e uma análise sensata do seu direito, independentemente de ela ser dada por humano ou por inteligência artificial, batizada de robô. Esta também deveria ser a preocupação dos gestores da autarquia: usar a ferramenta tecnológica como aliada nesse propósito. Mas o que se tem observado não é isso.

A lógica do funcionamento do robô é analisar o Cnis (Cadastro Nacional de Informações Sociais) e, a partir daqueles dados, fazer uma pré-análise e validar se o trabalhador tem elegibilidade ou não em receber o benefício almejado. Se o Cnis está bagunçado, com dados incompletos, faltando recolhimento ou outra inconsistência, a resposta do robô tenderá a ser negativa. Pessoas com histórico de contribuições sem tanta controvérsia e com o cadastro atualizado são mais propensas a passar pelo crivo do robô.

A automação previdenciária tem registrado negativas em larga escala, automáticas e sumárias, às vezes gastando de seis a quinze minutos para o indeferimento, o que gera perda de tempo com novo requerimento ou recursos. Por isso, muitos trabalhadores têm buscado fugir do robô do INSS, para que um servidor público analise o seu caso com maior assertividade, em vez de cair na mera negativa automática.

Diante disso, em razão da complexidade do caso, da rapidez de quem precisa da renda, do volume de pendências e da necessidade de uma análise mais acurada, às vezes é conveniente adotar estratégia de fugir do imediato “não” do robô. Esse indeferimento poderá gerar consequências, como abertura de tarefa, judicialização ou o recurso administrativo, cujo prazo médio no país é 411 dias, conforme dados do Instituto Brasileiro de Direito Previdenciário.

Uma forma de ter o robô como aliado é tentar tornar o pedido administrativo o mais perfeito possível. Com antecedência, verificar se o Cnis possui inconsistências e resolvê-las antes de dar entrada. Evitar dar entrada faltando documento relevante, pois sua ausência retardará ainda mais o feito. Essas providências demandam tempo e, por isso, a necessidade de anterioridade em resolvê-las.

Por outro lado, percebe-se que o robô costuma entrar em ação para negativas automáticas em determinadas situações. Por exemplo, o robô do INSS costuma não intervir e direcionar a análise aos humanos em tais circunstâncias:

– ausência no preenchimento do nome da mãe;

– o segurado respondeu “sim” confirmando ter tempo especial;

– o segurado respondeu “sim” confirmando ter sido professor;

– o segurado respondeu “sim” confirmando ter trabalhado em outro país (exterior);

– o segurado respondeu “sim” confirmando ter tempo rural; e

– o segurado respondeu “sim” confirmando ter aposentadoria ou pensão no RPPS.

Cabe salientar que, como o sistema pode ser reprogramado a qualquer momento, já que está em constante atualização, é possível que nova versão da inteligência artificial seja implementada modificando os parâmetros destacados.

A autônoma Angélica da Rocha Pinheiro, 35, aguarda concessão de benefício desde maio de 2019 Rivaldo Gomes/Rivaldo Gomes/FolhapressMAIS

Atualmente, em pedido de benefício no qual as perguntas sobre existência de tempo especial, magistério, tempo rural e trabalho no exterior forem respondidas com “não”, o algoritmo do robô trata o caso como de menor complexidade e, portanto, apto a receber logo a decisão administrativa robótica.

É importante lembrar que prestar informações falsas nos campos do formulário existente para cada tipo de solicitação de aposentadoria é crime. Por outro lado, a administração pública também tem obrigação de seguir a lei, principalmente na observância adequada do melhor benefício ao segurado. Entretanto, os robôs estão sendo programados para, de certa forma, viabilizar decisões ilegais em larga escala.

O fato de sair tanta decisão negativa por parte da administração pública chamou a atenção do Centro de Estudos Judiciários do Conselho da Justiça (CEJ/CJF), que criou o Enunciado 12 (A decisão administrativa robótica deve ser suficientemente motivada, sendo a sua opacidade motivo de invalidação).

A inteligência artificial na análise dos benefícios previdenciários representa cerca de 40% das análises. De cada dez solicitações de benefícios, em média quatro são avaliadas pelos robôs. É perceptível a evolução e a participação dos robôs em analisarem as demandas previdenciárias, já que o INSS também tem retardado a convocação de humanos.

Ao instituir o sistema de análise automática por inteligência artificial, a equipe de tecnologia do INSS deveria ficar mais atenta às distorções do sistema, a exemplo de negar automaticamente milhares de benefícios, mesmo tendo enquadramento legal, e buscar aperfeiçoá-la em menor espaço de tempo. Essa crítica de negativas volumosas é reiterada.

Apesar de se tratar de ferramenta relativamente nova e ainda passível de vários ajustes, é inconcebível que a supervisão técnica do INSS demore tanto para calibrar os algoritmos e evitar tanta negativa em massa. Se continuar assim, as decisões administrativas robóticas sendo dadas de qualquer jeito ampliarão a judicialização previdenciária, que já responde por cerca da metade de todo o estoque processual da Justiça Federal no país. Fonte Folha Uol