Economia

FMI: Brasil e emergentes dão pontapé em corte de taxas, mas juro alto em avançados é alerta

O Fundo Monetário Internacional (FMI) alerta para que o Brasil e países emergentes conduzam com cuidado o processo de flexibilização monetária em meio às expectativas de que os juros altos serão mantidos por mais tempo nos países avançados. O ambiente tem apoiado as moedas locais, mas esses ganhos podem estar em risco, conforme relatório do organismo, publicado nesta terça-feira (10).

O Brasil, ao lado de Chile e o Uruguai capitanearam o início do corte de juros básicos no mundo, após o forte processo de aperto monetário para combater a disparada da inflação em meio aos choques da pandemia e a guerra na Ucrânia. Com sinais de melhora no custo de vida da região, o Fundo espera que esses países entrem em um período de “rápida normalização” em termos de política monetária.

“Os bancos centrais terão de gerir cuidadosamente este ciclo de flexibilização, especialmente tendo em conta os potenciais efeitos de repercussão das taxas de juro mais elevadas durante mais tempo nas economias avançadas”, diz o Fundo, em relatório de estabilidade financeira, publicado no âmbito das suas reuniões anuais, que acontecem em Marrakesh, no Marrocos, nesta semana.

O FMI avalia que a inflação diminuiu acentuadamente em muitos mercados emergentes, em especial, na América Latina. Entretanto, expectativas apontam que o índice de custo de vida deve continuar acima da meta dos bancos centrais locais em países como Colômbia, Hungria, Polônia e Romênia.

“Este ambiente tem apoiado as moedas dos mercados emergentes, mas estes ganhos podem estar em risco se as taxas de juro permanecerem elevadas nas economias avançadas e os bancos centrais em certos mercados emergentes reduzirem as taxas de juro sem evidências claras de que a guerra contra a inflação foi vencida”, diz o FMI, lembrando que o aperto monetário precoce nesses países fez com que as taxas de juros subissem de “modo significativo”.

Segundo o Fundo, pesa ainda a situação doméstica de cada economia. “Recentes retrocessos em algumas moedas dos mercados emergentes apontam para condições mais agitadas nos próximos trimestres”, atenta o organismo.

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