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Fumaça cobre Teatro do Amazonas e derruba qualidade do ar em Manaus

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – A população de Manaus viu a qualidade do ar cair ao nível péssimo nesta quarta-feira (11), em mais um dos episódios que têm sido frequentes nas últimas semanas. A fumaça, que encobriu o Teatro Amazonas, cartão-postal da cidade, é causada por queimadas na região metropolitana, segundo a prefeitura, e se soma a outros problemas no estado, que está em emergência ambiental por causa do fogo.

Dados do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) publicados na terça-feira (10) apontam para um recorde de focos de calor. Foram 2.684 registros apenas nos primeiros dez dias de outubro, contra 1.503 em todo o mês no ano passado.

Do total, 32% dos incêndios estão concentrados na parte sul do estado, em Lábrea, com 344 focos de calor, Boca do Acre, com 263, e Novo Aripuanã, com 245. Autazes, a cerca de 100 km de Manaus, registrou 105 focos nos últimos dois dias.

A rotina tem sido difícil para moradores, que viram a qualidade do ar em Manaus nesta quarta figurar entre as piores do mundo durante o dia, segundo indicadores em tempo real do site World Air Quality Index.

Em Manaus, dados de estações do projeto Selva, desenvolvido por pesquisadores da UEA (Universidade do Estado do Amazonas), indicavam até as 20h30 desta quarta a qualidade péssima ou muito ruim do ar em diferentes pontos da cidade.

Em uma das estações, a concentração de material particulado fino no ar era 186,6 µg/m³ (microgramas por metro cúbico). Segundo a escala do Conselho Nacional de Meio Ambiente, o ar já está péssimo a partir de 125 µg/m³.

“A amazônia está queimando como um todo, seja no Pará, no Amazonas ou até no Nordeste. Essa fumaça do Pará poderia chegar até aqui, mas seria transportada em níveis mais altos”, afirma Rodrigo Souza, professor da Escola de Tecnologia da UEA e um dos idealizadores do Selva.

“O que a gente sentiu em Manaus hoje, essa fumaça dentro do quarto, é uma fumaça local, do entorno de Manaus. Apostaria minhas fichas que ela vem de queimadas num raio de 100 km.”

Para Souza, o problema é resultado da combinação entre as queimadas e a época de estiagem na amazônia, com pouca chuva e pouco vento, o que dificulta o transporte de fumaça de regiões distantes.

A prefeitura da capital disse, em publicação nas redes sociais, que tem feito resfriamento em parques da cidade para evitar focos de incêndios, e que encaminhou denúncias de queimadas aos órgãos de segurança pública.

Em outro texto, fez recomendações para que as pessoas fechem as janelas, evitem contato com a fumaça, usem purificadores de ar ou ventiladores, além de indicar hidratação constante. Não há informações sobre suspensão de aulas ou atividades não essenciais -motivo de críticas de usuários das redes sociais nos comentários da publicação.

Já a administração do Aeroporto Internacional Eduardo Gomes afirmou que a fumaça não afetou as operações nesta quarta.

Para Thaís Bannwart, do Greenpeace Brasil, faltam ações estruturantes para enfrentar o problema no médio prazo. “Precisamos que o governador Wilson Lima [União Brasil] avance em ações e programas que induzam a uma nova lógica econômica que concilie a floresta em pé com geração de renda para os moradores do interior”, afirma a porta-voz da organização.

Procurados pela Folha, o governo do Amazonas e a Prefeitura de Manaus não responderam até a publicação da reportagem.

Na terça, o Ministério da Justiça e Segurança Pública afirmou que vai apoiar o combate a queimadas na Amazônia, na região conhecida como arco do fogo, que engloba Lábrea, Boca do Acre, Manicoré e Humaitá.

Diversas regiões da amazônia têm sofrido com a seca que se aproxima de níveis históricos, potencializada pelo El Niño. O baixo nível de rios e lagos já isola comunidades e impede o acesso a água potável e a peixes.

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