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‘Brutal’: dois jovens de 16 anos são condenados por morte violenta de adolescente trans no Reino Unido

Um tribunal de Manchester condenou à prisão perpétua dois adolescentes britânicos de 16 anos — identificados como Scarlett Jenkinson e Eddie Ratcliffe — pelo assassinato de Brianna Ghey, uma menina transgênero. A juíza, que tomou uma rara decisão ao revelar a identidade dos agressores, os descreveu como fascinados por “violência, tortura e morte” e “sedentos por matar”.

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O caso ocorreu em 11 de fevereiro do ano passado e causou comoção no país. Ghey, que tinha 16 anos, foi esfaqueada 28 vezes, segundo o jornal britânico The Guardian e a AFP, na cabeça, no pescoço, no peito e nas costas com uma faca de caça. O crime ocorreu em um parque em Warrington, perto de Liverpool, noroeste da Inglaterra, onde morava. Na época, os jovens tinham 15 anos.

Durante as quatro semanas de julgamento, os dois adolescentes culparam um ao outro pelo assassinato, até que ambos foram finalmente condenados em dezembro. Dias depois, Jenkinson admitiu pela primeira vez a um psiquiatra que havia esfaqueado Ghey, afirmou a promotora Deanna Heer ao tribunal, citada pela AFP. A agressora confessou ter “pegado a faca” de seu amigo Ratcliffe, que não conhecia a vítima antes do assassinato.

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A juíza Amanda Yip disse que os culpados escolheram Ghey porque “ambos pensaram que ela seria um alvo fácil”. Ela descreveu o assassinato como “brutal e planejado, de natureza sádica”, ao proferir a sentença contra os adolescentes.

A mãe da vítima, Esther Ghey, em uma declaração ao tribunal, disse que sua filha foi morta por alguém que eles “acreditavam ser sua amiga” e em quem “confiavam”.

— Tenho momentos em que sinto pena deles, porque eles também arruinaram suas próprias vidas, mas devo lembrar que eles não sentiram empatia por Brianna quando a deixaram sangrando até a morte […], que foi realizada não porque Brianna tivesse feito algo errado, mas apenas porque um odiava pessoas trans e a outra achou que seria divertido. — desabafou a mãe, citada pelo jornal britânico.

‘Brutal’ e ‘sádico’

Jenkinson foi descrita pela juíza como a “força motriz” por trás do caso, segundo o jornal britânico — ela teria sido responsável pela maior parte dos golpes. Aos psiquiatras, ela contou que esfaqueou a vítima “repetidamente” e que teria achado “emocionante”. Ela também manifestou desejos de “levar partes do corpo” de Ghey como “prêmio”. Apesar disso, não há evidências de que nenhuma parte do corpo tenha sido levada, pontuou o Guardian.

A jovem foi condenada a cumprir um mínimo de 22 anos antes de ser considerada para libertação. Em uma avaliação psiquiátrica, ela foi inicialmente diagnosticada com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e TDAH, embora o diagnóstico tenha mudado após a condenação, passando para “uma forma grave de transtorno dissocial de conduta, uma das características da qual é não ter empatia”.

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Ela teria sido movida por “um profundo desejo de matar” e manifestou a vontade de cometer novos crimes após sua condenação, informou o Guardian. Desde que foi presa, organizou uma lista com nome de possíveis vítimas, incluindo alguns de seus cuidadores.

Já Ratcliffe, de acordo com o Guardian, era um ex-campeão de kickboxer, além de ser um jovem quieto e estudioso. Ele foi diagnosticado com TEA e condenado a 20 anos de prisão.

Lista de mortes

Os jovens, até então identificados como “Boy Y” e “Girl X”, teriam crescido em famílias consideradas estáveis. Segundo o jornal britânico, eles se conheceram aos 11 anos, em uma escola em Warrington, e continuaram amigos mesmo após a mudança de Jenkinson para outra instituição. Foi nessa outra escola que a agressora conheceu Ghey.

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Antes de executar o assassinato, os jovens planejaram o crime durante semanas, enviando dezenas de mensagens telefônicas um para o outro. Yip afirmou que as mensagens trocadas entre a dupla eram “transfóbicas” e “desumanizantes”. Nelas, Ratcliffe se referia à Ghey como “isso”, em vez de “ela”.

A dupla elaborou uma “lista de mortes”, que incluía outros quatro jovens: um considerado “nonce” (gíria britânica para “estúpido” ou “inútil”) por Ratcliffe, um garoto considerado um rival amoroso por ele e dois meninos que teriam sido maus com o namorado de Jenkinson. Mas, Brianna Ghey teve a “infelicidade” de fazer amizade com a agressora, que ficou “obcecada” por ela, segundo os promotores.

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