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Irã fala em ‘erro estratégico’ dos EUA após ataques aéreos dos EUA

Teerã, Bagdá e Damasco condenaram neste sábado os bombardeios aéreos realizados pelos EUA contra posições de milícias iranianas nos territórios do Iraque e da Síria, em retaliação ao ataque que deixou três militares americanos mortos na Jordânia, há uma semana. No total, 16 pessoas morreram no Iraque, incluindo civis, e 29 combatentes pró-Irã foram mortos na Síria.

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O ministro das Relações Exteriores do Irã, Hossein Amir Abdollahian, disse que as ações reforçam décadas de esforços americanos “para resolver problemas confiando na força e nos militares”, enquanto o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros do país, Nasser Kanaani, chamou os ataques de “outro erro estratégico do governo americano”. Até agora, no entanto, Teerã não prometeu retaliações.

O governo do Iraque, por sua vez, alertou para “consequências desastrosas para a segurança e a estabilidade da região, e o Ministério da Defesa sírio chamou os ataques de uma “agressão aérea flagrante”. Ambos os países afirmaram que as ofensivas impedem a luta contra os terroristas do Estado Islâmico (EI) e ameaçam arrastar a região para mais instabilidade.

Durante a noite de sexta-feira, os EUA atingiram 85 alvos em sete locais nos dois países em resposta a um ataque com drone que matou três soldados americanos na Jordânia — Washington sugeriu que uma milícia iraquiana ligada ao Irã estava por trás desse caso.

Em comunicado, o presidente americano Joe Biden afirmou na sexta-feira que “os EUA não buscam conflitos no Oriente Médio, nem em qualquer outro lugar do mundo. Mas que todos aqueles que querem nos prejudicar saibam: se prejudicarem um americano, nós responderemos”. Ele sugeriu que os ataques poderão continuar: “Nossa resposta começou hoje. Continuará no momento e nos lugares que escolhermos”.

Agressão aérea

O Ministério da Defesa sírio chamou os ataques de “uma agressão aérea flagrante”. O Ministério das Relações Exteriores do país também condenou o que chamou de “agressão” dos EUA e afirmou que enfraquecerá os esforços no combate ao terrorismo. Segundo a pasta, as áreas afetadas eram lugares onde as Forças Armadas locais lutavam contra o EI, que embora enfraquecido ainda mantém uma presença subterrânea e realiza ataques dentro do país.

As Forças Armadas da Síria disseram que “a ocupação de certas partes do território sírio pelas forças americanas não pode continuar”. Ao todo, cerca de 900 soldados americanos estão no país, enquanto outros 2,5 mil estão no Iraque. A iniciativa faz parte de uma coalizão internacional para combater o Estado Islâmico. A derrota do grupo terrorista foi anunciada em 2019 na Síria e, em 2017 no Iraque, mas a coalizão se manteve para combater as células jihadistas que continuam lançando ataques.

O Exército americano entrou em ação pouco depois da chegada dos restos mortais dos três soldados aos EUA, um ato solene que contou com a presença de Biden. Autoridades disseram estar confiantes de que os ataques de resposta “exatamente o que pretendiam atingir”. Os alvos estariam, segundo o governo, ligados a operações de comando e controle, centros de inteligência, instalações de armas e abrigos usados pela Força Quds, o braço estrangeiro da Guarda Revolucionária do Irã.

Troca de acusações

John Kirby, porta-voz do Conselho de Segurança Nacional dos EUA, disse que o Iraque foi notificado dos ataques, algo que o governo iraquiano chamou de “afirmação falsa”. Antes, o Irã já havia tomado medidas para amenizar as tensões com Washington. A ação foi interpretada como um esforço para reduzir as chances de ataque em seu território ou contra interesses regionais que considera vitais.

Ao mesmo tempo, colocou suas forças no mais alto nível de alerta e identificou uma lista de alvos americanos a atacar se seu território for violado, de acordo com duas pessoas familiarizadas com o planejamento militar de Teerã. Os Estados Unidos haviam indicado por quase uma semana antes dos ataques que pretendiam retaliar. No entanto, houve confusão entre as milícias sobre o que poderia ser alvo.

Na sexta, todas as bases militares iranianas no Iraque e na Síria foram evacuadas, e os comandantes dos Guardiões foram colocados “fora de alcance”. Outros afiliados receberam orientações para permanecer em casa. Nos dias após o presidente Biden dizer que havia decidido sobre uma resposta dos EUA ao ataque na Jordânia, Kirby disse que era muito possível que os Estados Unidos adotassem “uma abordagem escalonada” ao longo do tempo, em vez de uma única ação.

Suposto ataque israelense

Também na sexta-feira, o Irã afirmou que um ataque israelense contra a Síria matou um de seus oficiais militares em Damasco. Saeed Alidadi era membro da Guarda Revolucionária e tinha sido enviado para a Síria como conselheiro militar. Israel não comentou ou assumiu a responsabilidade pelo ataque. Desde o final de dezembro, pelo menos outros quatro oficiais das Forças Quds, o braço da Guarda Revolucionária responsável por ações no exterior, foram mortos em ataques associados a Israel.

Sob condição de anonimato, um oficial de defesa confirmou que Israel matou Alidadi como parte de uma campanha maior contra iranianos que ajudam milícias que lutaram contra o país. Alidadi era um especialista técnico em engenharia eletrônica para mísseis e drones. A morte dele ocorreu em contexto de tensão na região, que já esperava pelos ataques dos EUA em retaliação pela morte de três soldados americanos.

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