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Quase oito anos depois dos Jogos do Rio, arena esportiva vira escola é inaugurada como legado olímpico

Depois de quase oito anos de espera, o legado finalmente chegou: a Arena Carioca 3 deu lugar ao Ginásio Educacional Olímpico (GEO) Isabel Salgado, que recebe, a partir desta segunda-feira, cerca de mil alunos matriculados do 1º ao 9º ano do Ensino Fundamental I e II, no Parque Olímpico, na Barra da Tijuca, Zona Oeste da cidade. É a maior escola da rede municipal do Rio, com 18 mil metros quadrados. A inauguração oficial será na quarta-feira. Do lado de fora, parece se tratar de um ginásio esportivo — e é mesmo, com a nada sutil diferença de que lá dentro surgiram 24 salas de aula, laboratórios, refeitório e toda a estrutura de uma escola. Assim que entra, o estudante é guiado por um corredor principal que contorna o piso que recebeu competições de taekwondo e esgrima, durante a Olimpíada, e judô, na Paralimpíada de 2016.

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Esporte integrado

A unidade segue um modelo que tem como principal objetivo dar oportunidade para os alunos desenvolverem, em horário integral, as aptidões esportivas, ao mesmo tempo em que estudam as disciplinas regulares, como português e matemática

— Esse modelo foi criado antes da Olimpíada e valoriza o esporte na educação. No Rio existem outras 11 unidades com essa proposta: a prática esportiva diretamente incluída no programa pedagógico. Nenhuma vez antes na história dos Jogos Olímpicos, Paralímpicos e da Copa do Mundo a gente teve um estádio virando escola — afirmou o secretário municipal de educação, Renan Ferreirinha.

Para os estudantes do 1º ao 5º ano, a carga horária é das 8h às 14h30, e as atividades esportivas são de iniciação às habilidades e movimentos, como um preparo para os anos seguintes. Os maiores, do 6º ao 9º ano, entram às 8h e saem às 15h30, e poderão ser treinados em atletismo, badminton, ciclismo, esgrima, luta greco-romana, xadrez, vôlei, vôlei de praia e tênis de mesa.

— Os pequenos vão estar expostos a situações para desenvolver a cultura da prática esportiva e da atividade física. Os mais velhos recebem treinamento em três faixas, alternando as turmas do mesmo ano de escolaridade — explica Maurício Mendes Pinto, diretor do GEO. — Apesar de ser uma escola vocacionada para o esporte, a gente sabe que as crianças têm interesses diferentes, então estamos abertos a oferecer aulas de música, tecnologia, dança, tudo que possa motivá-las a se desenvolver na vida pessoal e profissional.

A ansiedade natural para o início das aulas, segundo ele, tem um quê a mais.

—As mães de alguns alunos comentaram nas redes sociais, pedindo para mostrar mais imagens de como está a escola. Uma disse que a filha nem dormia à noite de tanta expectativa — conta o diretor.

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Como uma escola municipal, o processo de matrícula é feito pelo site da prefeitura: www.matricula.rio. Todas as vagas já foram preenchidas por estudantes da região, de bairros como Curicica, Cidade de Deus e Rio das Pedras. A maioria dos alunos é oriunda de outras escolas municipais e compõe 90% do quadro. Os outros 10% vêm de escolas particulares. Professora de educação física recém-chegada à rede municipal, Nauana Ferreira, de 35 anos, está animada por estrear no Ginásio.

— A gente está definindo ainda a área em que cada professor vai atuar, mas vai ser de acordo com o que tiver o melhor rendimento para cada profissional — diz ela. — Saber que você vai fazer a diferença na vida de uma criança que pode ter um futuro promissor dentro do esporte requer muita responsabilidade, mas me deixa muito feliz — conta.

Homenagem a Isabel

Na porta de entrada e saída, uma foto de Isabel Salgado, ícone do vôlei brasileiro, ilustra a parede, ao lado de um pequeno texto sobre sua história. O GEO homenageia a ex-jogadora, que morreu em 2022, aos 62 anos, de uma doença pulmonar.

As obras do Ginásio Olímpico duraram 14 meses e custaram aos cofres públicos R$ 32 milhões, segundo a RioUrbe. A estrutura da arena pôde ser aproveitada graças ao conceito de arquitetura nômade, que funciona como uma espécie de lego da construção civil.

— Essas arenas já nasceram com o planejamento de legado, para ter outro uso na cidade. A estrutura metálica de toda a arquibancada foi transformada na estrutura para abrigar as salas de aula, por exemplo — afirma Armando Queiroga, engenheiro civil e presidente da RioUrbe.

O piso da quadra, que tinha base em concreto, ganhou um emborrachado específico e adesivos de marcação removíveis. Na iluminação, foram instaladas claraboias, que garantem luz natural e dispensam energia elétrica durante o dia. O ginásio ainda guarda os ares das Olimpíadas de 2016: o sistema de refrigeração é o mesmo, mas passou por obras para otimizar a distribuição em todos os ambientes.

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Outras quatro escolas foram construídas a partir da transformação de outro equipamento esportivo: a Arena do Futuro, que recebeu o handebol na Olimpíada e o goalball na Paralimpíada. São os Ginásios Educacionais Tecnológicos (GET), que custaram R$ 42 milhões.

As unidades de Santa Cruz e Bangu serão inauguradas na próxima terça-feira. Em março, será a vez de Rio das Pedras e Campo Grande. No total, os GETs têm capacidade para mais de 1.500 estudantes.

Formação tecnológica

O ginásio educacional tecnológico de Bangu leva o nome do escritor José Mauro Vasconcelos, autor do clássico da literatura brasileira “Meu pé de laranja lima”. No espaço antes funcionava uma escola municipal homônima, que atendia 611 alunos do Ensino Fundamental 1, em dois turnos (manhã e tarde). Com a requalificação como GET, somente 387 alunos, das turmas do 3º ao 5º ano, foram aceitos. Os outros, do 1º e do 2º anos do Fundamental, foram remanejados para as escolas municipais Rafael de Almeida Magalhães, a menos de um quilômetro de distância, e Maria Quitéria, a cerca de 500 metros dali.

Na última sexta-feira, a unidade ainda recebia os materiais e mobiliário. Novos professores também chegavam aos poucos. Com a mudança para o turno único, em horário integral, os antigos professores, de 40 horas, precisaram ser distribuídos para outras unidades da rede. Os novos foram chamados a partir de concurso público e de contratos.

— Cada funcionário que chega a gente comemora. Antes ninguém queria vir para cá, agora é uma escola totalmente nova. Dá um frio na barriga, mas a gente vai em frente. O objetivo do GET é trazer uma formação mais tecnológica para os alunos, proporcionando experiências com ferramentas digitais. Acho que, além de atrair os estudantes, a taxa de evasão escolar deva cair muito com esse projeto — afirma a coordenadora pedagógica do GET Bangu, Ludimila Gouvêa.

A escola vai funcionar com 11 turmas de 3º, 4º e 5º anos do Ensino Fundamental. Com a obra, além do prédio com salas de aula novas em folha, rampas de acessibilidade e uma quadra poliesportiva coberta, o GET também tem os chamados “colaboratórios”, onde os alunos vão praticar o que aprendem na teoria, com acesso a equipamentos tecnológicos, como impressora 3D e máquina de costura digital.

Patrícia Guterrez, que estudou na infância na então Escola municipal José Mauro Vasconcelos, voltou como professora em 2020.

— Trabalhar com projeto possibilita novos pensamentos, e acho que o colaboratório vai ajudar o aluno a visualizar na prática como aplicar as teorias da disciplina. Eu estudei na José Mauro em 1992. Mais de dez anos depois, fico pensando nas crianças que passam aqui. É emocionante de ver o que está acontecendo. Realmente é a escola do futuro — elogia a professora.

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