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Ex-goleiro do Flamengo era ‘rei do banco’ e agora mira Gugu e Faustão na TV

RIO DE JANEIRO, RJ (UOL/FOLHAPRESS) – Com nome de presidente da República, ele é lembrado pela nação (rubro-negra) se fosse um cidadão comum. E Getúlio Vargas nem se dá ao trabalho de fugir do rótulo de “rei do banco”. Até brinca com ele.

QUEM É ELE

O ex-goleiro não somou mais do que quatro jogos oficiais pelo Flamengo. Passou mais tempo sentado ou se aquecendo do que embaixo das traves. Rodou por outros clubes, jogou —ou melhor— passou por três países e se aposentou aos 31 anos.

“E esse negócio de rei do banco não é zoeira, cara. Porque eu estava sempre no banco. A torcida do Flamengo se lembra de mim: ‘Eterno reserva’. Mas ninguém me xinga, porque eu nunca jogava. Então, não tinha essa relação de amor e ódio”, conta ele, que passou três anos de forma mais intensa no time profissional.

Mas a aposentadoria foi só dos gramados, diga-se. Se não conseguiu feitos expressivos no campo, é no pós-carreira que ele reconhece ter encontrado realização maior.

Desde 2022, é contratado pela Band. Atualmente, também é o rosto/voz do “Mundo GV” no YouTube, âncora de programa de rádio e idealizador do Futsummit.

GV se vê identificado com a função de apresentador. Tanto que aposta numa pegada mais popular e mira referências de infância na TV aberta, como Gugu Liberato e Faustão.

“Exatamente isso que eu estou mirando. Se fosse descrever o meu sonho de ‘princeso’, seria um programa de auditório, com público”, diz Getúlio , que também é fã de Rodrigo Faro.

POR QUE ELE NÃO JOGAVA NO FLAMENGO?

Hoje com 41 anos, o ex-goleiro foi alçado ao profissional do Flamengo em 2004 pelo técnico Abel Braga. Mas jamais teve a condição de titular. Os donos da posição eram Júlio César e, depois, Diego.

Os quatro jogos que Getúlio Vargas fez no Fla foram em 2005 e 2006. A estreia foi contra o Paysandu, na última rodada do Brasileirão 2005. Diego se machucou durante a partida e interrompeu uma sequência de 60 jogos no gol do Flamengo, que venceu por 4 a 1. GV não tomou gol.

As outras três oportunidades foram em 2006, quando o Fla usou reservas durante o Carioca e o Brasileiro. Com o “rei do banco” em campo, foram três derrotas e seis gols sofridos.

Cria de São Gonçalo, Getúlio Vargas era de uma geração da base do Flamengo que tinha Ibson, Andrezinho, Felipe Melo e André Bahia. A memória mais forte é ter sido o reserva na conquista da Copa do Brasil 2006, sobre o Vasco, em uma época de vacas magras no clube.

“Antigamente, a gente treinava na Gávea e a imprensa tinha mais acesso. Eu ficava ali conversando com eles. Eu não tinha rusga com a imprensa e os caras nunca falavam mal de mim. Sempre admirei e entendi muito o papel da imprensa. Tentei muitas das vezes fazer esse meio-campo quando alguém do time não entendia alguma crítica”, conta.

A saída do Flamengo, inicialmente, foi por empréstimo para o Fortaleza. Lá, foi campeão cearense. Como titular, enfim, e um dos destaques do time. Mas o vínculo com o Fortaleza foi rompido no meio do Brasileirão. A partir daí, uma montanha russa de situações na carreira.

A AVENTURA (COMO RESERVA) NO EXTERIOR

Getúlio Vargas era para ter sido titular de cara quando foi emprestado ao Westerlo, da Bélgica, na temporada 2007/2008. O dono da meta tinha se machucado. Mas o Flamengo demorou cerca de um mês para mandar a transferência internacional.

Aí, o clube subiu um jovem da base, Yves de Winter, que se destacou e tomou conta da posição. Getúlio Vargas teve duas temporadas como reserva. Com qualidade de vida de europeu.

Depois de campanha de meio de tabela na Série B do Brasileiro 2010 pelo Duque de Caxias, foi vendido ao Vitória de Setúbal, de Portugal. A crise era grande. Jogou um ano, recebeu três meses. Foi titular em dois jogos e reserva em 21.

Em 2011, foi para o Orlando Pirates, gigante da África do Sul, que no ano anterior sediara a Copa do Mundo. Ganhava em dólar, estava animado.

Mas na véspera do jogo que seria sua estreia, se lesionou durante um rachão. A bola bateu na trave e voltou no dedo. Ficou nove meses com um parafuso no local. Durante a recuperação, só corria em volta do campo, com o braço para o alto. Os colegas de time diziam que o rei do banco estava mais para bandeirinha.

O futebol longe de casa deixou de dar prazer. Pediu rescisão contratual e voltou ao Brasil.

REINÍCIO EM UM NOVO CAMPO

Getúlio ainda passou por Bangu, ABC e Boavista antes de parar de jogar e abrir um novo capítulo na história.

“Eu fui muito feliz na bola, porque eu conheci muita gente legal, porque eu conheci o mundo, porque eu fui a todos os estados do Brasil. Tive a oportunidade de morar fora. Desenvolvi meu inglês. A bola me deu isso tudo. O Fernando, ex-zagueiro, diz que a bola só me preparou para o pós-carreira. Sou muito mais feliz na comunicação”, disse ele.

O primeiro curso da área da comunicação foi pago pelo gestor do Boavista, João Paulo Magalhães. O agora ex-goleiro preferia a sala de aula a fazer um trajeto de três horas entre Niterói e a Barra na hora do rush para treinar de manhã. Então apresentadora do Sportv, Vanessa Riche era a professora e disse ao recém-aposentado que ele levava jeito para a coisa.

As oportunidades na tela foram surgindo. Na Copa de 2014, veio um convite para participar de programas na Fox Sports, já que, do banco, tinha visto alguns personagens da geração belga que estava disputando o Mundial no Brasil.

Depois, a partir de 2015, as participações no antigo Esporte Interativo ficaram mais frequentes. Era uma função de comentarista. Mas ele queria ser apresentador.

Eu acho chato ficar em programa de debate, debatendo opinião.

Só que o fim do canal em 2018, após a aquisição pela Turner, interrompeu o projeto de apresentar um programa no qual GV já tinha feito um piloto. Fechou com a Fox por mais um tempo, mas não se sentiu tão à vontade. E aí migrou o foco para o setor corporativo. Isso coincidiu com o início da relação com Izabel Barbosa, empresária especialista em branding e marketing.

Quando foi contratado pela Band, em 2022, para apresentar a versão carioca “Os Donos da Bola”, GV e Izabel já tinham dado o pontapé inicial em um projeto que mescla comunicação, futebol, negócios e entretenimento: o Futsummit.

A edição 2024 começa nesta quarta-feira (27) no Rio, e reúne personalidades como Zico, Abel Braga, Diego Ribas, Bebeto e Ricardo Rocha. Dirigentes como Mário Bittencourt, presidente do Fluminense, e Marcelo Paz, CEO do Fortaleza, estão entre os palestrantes. A ideia nasceu para ser uma plataforma online de discussão e networking. Neste ano, será no Museu do nesta quinta-feira (28), no Rio, mas mantém o DNA virtual e gratuito.

“Eu tenho muito mais chances de alcançar o topo, a prateleira de cima na comunicação do que eu tinha na bola. Eu nunca iria ser um Buffon, um Júlio César. Mas na comunicação, dentro do meu nicho, do meu segmento, do que eu acredito, eu preciso crescer, evoluir muito. Mas eu acho que dá para chegar naquela prateleira que eu quero, que era dos caras que eu imaginava quando estava lá embaixo. Mesmo a gente sabendo que nesta quarta-feira (27) a TV aberta não é a mesma coisa de antes”, disse GV, que não perdia também o programa das tardes apresentado por Silvia Poppovic.

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