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Morre o chargista Ykenga Mattos aos 71 anos

Morre nesta segunda-feira, aos 71 anos, o chargista conhecido como Ykenga Mattos. O velório do carioca Bonifacio Rodrigues de Mattos que era, por formação, desenhista técnico e sociólogo, será nesta terça-feira às 7h no Cemitério da Paz, no bairro de Pacheco, em São Gonçalo. Ele iniciou a carreira de cartunista nos anos 1970, no Pasquim. Além do jornal Extra, passou por veículos como Dia, O Povo, Última Hora, O Fluminense e Jornal dos Sports.

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Nascido em 1952, Ykenga começou sua carreira aos 18 anos ao iniciar profissionalmente a carreira no “O Pasquim”. Anos depois, em 1978, abandonou a carreira de desenhista técnico para exercer a de cartunista, em jornais sindicais.

O artista ilustrou livros com textos de Martinho da Vila, Novos Talentos, da ABL, o Catálogo do salão Internacional de Caricatura de Montreal (Canadá) e publicou trabalhos autorais. Além de ter participado de exposições no Yomiury Shimbum (Japão), na Angulenie (França), no salão Internacional de Caricatura do Canadá.

Em uma das grandes fases de sua carreira, Ykenga fez uma individual no Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro, na Casa do Humor e na Sátira de Gabrow-Bulgária.

Como militante do movimento negro, o artista foi um dos pioneiros ao representar a desigualdade social que afeta as pessoas negras no Brasil.

De acordo com a descrição do seu próprio site, o chargista fazia sua crítica à realidade através do humor explícito em seus desenhos e era um ativista das causas negras:

“Nasceu um dia depois da data que comemora a Abolição da Escravatura. Titular da Academia Brasileira da Cachaça, Ykenga não perde o bom humor, a chance de socializar com os amigos de copo e torcer pelo flamengo…. Aliás, três das suas paixões!”, definiu ele mesmo a sua persona.

O artista também passou pela Tribuna da Bahia, O Povo (de Fortaleza), Libèracion (da Suécia), La Juventud (do Uruguai) e Starchel (da Bulgária).

Em um dos seus últimos trabalhos, lançou, em 2015, o livro “Casa grande & sem sala”, uma sátira à obra “casa-grande & senzala”, de Gilberto Freyre, ressaltando, com bom humor, o mito da democracia racial.

— Tinha muitas charges sobre a questão do preconceito racial, mas é difícil conseguir espaço para publicá-las, nem sempre elas cabiam. Fui juntando algumas e resolvi fazer um livro — conta o artista, de 63 anos. — O livro é uma paródia do “Casa grande e senzala”, a bíblia da sociologia, do Gilberto Freyre. Parti para o contraponto, botando o dedo na ferida.

No livro (que tem texto de apresentação de Chico Caruso, cartunista do GLOBO), Ykenga reencena a morte de Zumbi dos Palmares como um auto de resistência, faz a ponte entre os navios negreiros e os camburões de hoje e lembra a “apropriação indébita” da qual os sambistas foram vítimas no começo do século passado:

— São questões que já estão aí há muito tempo. A única diferença entre antes da abolição da escravatura e hoje é que não há mais correntes.

Segundo A Tribuna, o chargista “morreu pela manhã desta segunda, em casa, por conta de um infarto fulminante”.

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