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Mundo completa 12º mês seguido de calor recorde: ‘Roleta russa’, diz ONU

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Lamyai/Shutterstock.com Lamyai/Shutterstock.com

Em um comunicado alarmante, o secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou que “estamos jogando roleta russa com nosso planeta”. Em maio de 2024, a Terra alcançou o décimo segundo mês consecutivo de recordes de calor, segundo dados divulgados pelos cientistas do observatório europeu Copernicus nesta quarta-feira (5).

Desde junho de 2023, cada mês tem sido mais quente que o anterior, uma clara indicação de que estamos vivendo uma emergência climática. Carlo Buontempo, diretor do Serviço de Mudanças Climáticas Copernicus (C3S), destacou que, mesmo que essa sequência de recordes seja interrompida, a tendência de aquecimento global permanece inalterada.

Recorde de Maio de 2024

Maio de 2024 foi o mês de maio mais quente já registrado globalmente, com uma temperatura média de superfície 0,65°C acima da média de 1991-2020. Essa “anomalia de temperatura” indica o desvio em relação à média histórica, um reflexo direto das mudanças climáticas.

Nos últimos doze meses (junho de 2023 a maio de 2024), a temperatura média global foi a mais alta já registrada, ficando 0,75°C acima da média de 1991-2020 e 1,63°C acima da média pré-industrial de 1850-1900.

Perspectivas Futuras Preocupantes

A Organização Meteorológica Mundial (OMM) anunciou uma chance de 80% de que, em pelo menos um dos próximos cinco anos, a temperatura média global anual ultrapasse temporariamente 1,5°C acima dos níveis pré-industriais. Este limiar é considerado o “limite seguro” para evitar as consequências mais severas da crise climática.

De acordo com a OMM, a temperatura média global anual entre 2024 e 2028 deve ficar entre 1,1°C e 1,9°C acima da média de 1850-1900, com uma probabilidade de 86% de que pelo menos um desses anos estabeleça um novo recorde de temperatura.

Impactos e Medidas Necessárias

A contínua elevação das temperaturas e os recordes de calor sucessivos são um claro aviso de que os limiares estabelecidos pelo Acordo de Paris estão sendo rapidamente alcançados. António Guterres enfatizou a necessidade de uma ação imediata para limitar o aumento da temperatura a 1,5°C até o final do século.

Para enfrentar essa crise, Guterres sugeriu a implementação de um “imposto extraordinário” sobre os lucros das empresas de combustíveis fósseis, destinando esses recursos para combater o aquecimento global. Ele também destacou a necessidade de uma redução drástica nas emissões globais de carbono em 9% ao ano até 2030.

Consequências Visíveis e Ações Urgentes

O aumento contínuo da temperatura global tem resultado em fenômenos climáticos extremos, como o degelo na Antártida e no Ártico, onde a extensão do gelo marinho atingiu níveis historicamente baixos. Além disso, o consumo de combustíveis fósseis continua a liberar grandes quantidades de dióxido de carbono na atmosfera, exacerbando o efeito estufa.

Todos os dez anos mais quentes registrados ocorreram na última década (2014-2023). Em 2023, houve 173 dias com temperaturas acima de 1,5°C, marcando um aumento alarmante na frequência de dias com temperaturas extremas.

A situação é crítica e requer ação imediata e coordenada em escala global para mitigar os impactos das mudanças climáticas. A comunidade internacional precisa unir esforços para reduzir as emissões de carbono, promover a transição para energias renováveis e implementar políticas eficazes de conservação ambiental.

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