Em uma ação emergencial para atender as famílias desabrigadas pelas fortes chuvas no estado, o governo do Rio Grande do Sul assinou um termo de cooperação com as prefeituras de Porto Alegre e Canoas para a instalação dos primeiros cinco Centros Humanitários de Acolhimento (CHAs). Esses centros, conhecidos como “cidades provisórias”, serão capazes de abrigar cerca de 3.700 pessoas, fornecendo infraestrutura necessária para as famílias afetadas.
Locais de Instalação dos CHAs
Em Porto Alegre, os CHAs serão montados no Centro Humanístico Vida, no estacionamento do Porto Seco e no Centro de Eventos Ervino Besson, com capacidade para acolher até duas mil pessoas. Em Canoas, os centros serão instalados na Avenida Guilherme Schell, próximo à Refinaria Alberto Pasqualini (Refap), e no Centro Olímpico Municipal (COM), com capacidade para cerca de 1.700 moradores.
Estrutura dos Centros
Os CHAs utilizarão uma infraestrutura semelhante à dos hospitais de campanha, com espaços modulares em formato de galpão e tendas piramidais, equipados com estruturas metálicas e divisórias internas. Além disso, a Agência das Nações Unidas para Refugiados (Acnur) fornecerá 208 casas montáveis, com capacidade média para cinco pessoas cada. A primeira dessas casas emergenciais foi instalada em Canoas, em um treinamento realizado pela Acnur com militares.
Medidas Habitacionais e Preocupações
O governo estadual destacou que os CHAs são uma solução transitória, destinada a oferecer um abrigo temporário enquanto as famílias aguardam a construção de suas residências definitivas, conforme o programa habitacional já anunciado pelo governo federal. No entanto, especialistas expressam preocupação sobre a permanência prolongada das famílias nesses abrigos temporários, como já ocorrido em outros lugares, levando à formação de novas favelas.
“Experiências ao redor do mundo mostram que cidades temporárias acabaram alimentando a gentrificação dos locais abandonados em função da tragédia. Há uma preocupação muito grande sobre quais são os objetivos associados à proposta”, afirmou Betânia Alfonsin, pesquisadora do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) Observatório das Metrópoles.
Implementação e Funcionamento
O termo de cooperação assinado prevê ações conjuntas para garantir a instalação, manutenção e desmontagem dos CHAs, além de serviços essenciais como segurança pública. A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do estado (Fecomércio) será responsável pela contratação da empresa que vai construir os CHAs e pela gestão dos espaços. A expectativa é que os centros estejam operacionais dentro de 20 dias.
Os CHAs contarão com cozinha, refeitório, lavanderia, fraldário, áreas para assistência médica e social, espaços de convivência, locais para crianças e animais de estimação, além de banheiros masculinos, femininos e neutros. Atualmente, o estado possui mais de 400 abrigos e 21,6 mil pessoas desabrigadas.
A iniciativa do governo do Rio Grande do Sul visa proporcionar um alívio imediato para as famílias afetadas pelas chuvas, oferecendo abrigos temporários com infraestrutura adequada até que suas novas residências sejam concluídas. Essa medida emergencial é crucial para garantir a segurança e o bem-estar das famílias desabrigadas, enquanto se trabalha em soluções habitacionais permanentes.