Política

Caso Marielle: Investigação é ‘poço sem fundo de incoerências’, alega miliciano da Muzema

Preso sob acusação de ter auxiliado no assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, o policial militar Ronald Paulo Alves Pereira, o ‘Major Ronald’, contestou as imputações a ele da Procuradoria-Geral da República alegando que a investigação sobre o caso é ‘um poço sem fundo de incompetências e incoerências’.

Major Ronald foi alvo da segunda fase ostensiva da investigação sobre a morte de Marielle e Anderson, aberta em maio. Na ocasião, foi cumprido mandado de prisão preventiva contra ele no presídio federal em Campo Grande (MS), onde já estava custodiado cumprindo pena por homicídio e ocultação de cadáver.

Apontado como ex-chefe da milícia da Muzema, na zona oeste do Rio, e ligado ao ex-policial militar Adriano Magalhães da Nóbrega, o capitão Adriano, morto em 2020, Ronald teria participado do crime por meio do monitoramento das atividades de Marielle e do fornecimento, aos executores, de ‘informações essenciais à consumação’ do assassinato.

Agora, assim como os demais acusados pelo homicídio, Ronald apresenta sua defesa prévia ao STF, antes de a Corte marcar data para decidir se recebeu ou não a denúncia da Procuradoria-Geral da República e coloca os denunciados pelo crime no banco dos réus

Como mostrou o Estadão, os irmãos Brazão – o deputado federal Chiquinho e o conselheiro afastado do Tribunal de Contas do Estado do Rio Domingos – já apresentaram suas alegações preliminares. Ambos alegaram que as acusações são lastreadas na delação de Ronnie Lessa, assassino confesso de Marielle.

A mesma argumentação é apresentada pela defesa de Major Ronald, que também contesta a competência do STF para julgar o caso. Ressalta o fato de a Polícia Federal não ter indiciado o ex-PM.

“Curioso notar que, após intenso escrutínio da vida pessoal e profissional de Ronald, os diversos atores envolvidos na investigação desses ignóbeis delitos, jamais lhe informaram qualquer participação na empreitada assassinada, à exceção da Procuradoria-Geral da República (que teve contato com a investigação por pouquíssimos meses)”, anotou a defesa.

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