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Mãeana lança single de ‘Retrato em branco e preto’ e diz que perdoa Chico Buarque por verso ‘largo mulher e filhos’

Chico Buarque era o símbolo sexual de Ana Cláudia Lomelino quando ela tinha 13 anos. A menina cresceu, se tornou cantora, pariu dois meninos, adotou o nome artístico de Mãeana e lança agora, no Dia dos Namorados (12), sua própria versão de “Retrato em branco e preto”, clássico do repertório buarqueano. A novidade foi anunciada em show com ingressos esgotados no último sábado, no Teatro Rival, no Centro do Rio.

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No single, Mãeana une a canção de Chico com “Meu bem”, composição de João Gomes, artista cuja obra ela vem relendo no projeto “Mãeana canta JG”. No trabalho, ela costura músicas do rei do piseiro com algumas do gênio da bossa nova, João Gilberto.

A fusão deu muito certo. E Ana expandiu seu público com essa nova onda, embalada pelo rebolado repleto de charme e personalidade que mostra no palco. Vem lotando temporada na Casa da Mãe, em Salvador, às segundas-feiras, assim como apresentações no Rio e em São Paulo.

A paixão de Mãeana por Chico Buarque sempre bateu forte. Ela era “louca por ele”, como define. Mas o amor deu uma estremecida quando o compositor de “Geni” lançou a canção “Tua cantiga”, em 2017. É que a música traz o verso “largo mulher e filhos e de/ joelhos vou te seguir”.

A frase bateu mal numa artista que traz “mãe” no nome e pariu dois rebentos: Dom e Sereno, frutos do casamento com o músico Bem Gil.

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— Foi muito impactante para mim. Eu estava no puerpério e, quando ouvi Chico cantando “largo mulher e filhos” em pleno 2017, brochei na alma a ponto de chorar, ficar deprimida. Ali, achei que ele tinha dado uma envelhecida. Imagina, um cara que já teve como eu lírico uma mulher trans apedrejada (“Geni”), de repente, rima filhos com joelhos só para fazer uma cantiga bem meia bomba… Pelo amor de Deus, Chico! Depois de tudo que ele fez? — questiona. — Quando vi a repercussão nas redes, fiquei aliviadíssima, porque não foi só comigo.

Para Ana, “o erro foi mortal, desatento, fraco”.

— E ele nunca pediu desculpas. Fica aí nesse lugar de homem de “hahaha, não fiz nada de errado, eu hein, é só uma música”. Esses caras vão continuar e nenhum deles vai pedir desculpas — acredita ela que, no show diz: “Chico é o héterotop mais top”. — É um elogio com uma alfinetada que eu adoro falar. Espero que os poetas mais novos possam ter a habilidade de pedir desculpas, porque eles também vão errar. Que saibam dizer: “Fui leviano”.

A reflexão permanece, segundo Mãeana, mas a cantora diz que perdoa o compositor, que segue amando de paixão.

— Brinco que ele só abandonou os filhos para rimar com joelhos (risos). Porque, antes de mais nada, Chico é um geminiano safado, muito do bom e muito poeta com um privilégio do cão que é ter as melodias do Tom Jobim dadas de mão beijada desde muito novo. Não sei se ele está tão preocupado com a poesia, está é ocupado com a genialidade das rimas que faz, com o encontro das palavras que ele faz de modo tão fascinante.

Fascínio, alias, é algo que Chico exerce sobre as mulheres desde sempre. E Ana arrisca um motivo:

— Além do eu lírico feminino, Chico é um contador de histórias. Acho que o fascínio que ele exerce sobre as mulheres é esse. Nós, talvez, tenhamos mais necessidade de ouvir histórias. A gente fica ouvindo e sonhando. Meu pai sempre falava isso, que o homem você conquista pela imagem, ele gosta do que vê. Já a mulher, é pelo ouvido, pelo que ela escuta. E olha o que Chico diz: “Agora eu era herói/ e meu cavalo só falava inglês (“João e Maria”), “Um dia ele chegou tão diferente/ do seu jeito de sempre chegar (“Valsinha”). Sou muito fã.

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