Corpo de PM do Bope baleado em operação na Maré é sepultado no Rio

Mais de cem pessoas se reuniram, nesta terça-feira, para dar o último adeus ao policial militar Rafael Wolfgramm Dias, de 37 anos, no cemitério Jardim da Saudade, em Sulacap, Zona Oeste do Rio. Com muita emoção, amigos e familiares se despediram e prestaram homenagens ao oficial do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope). O agente morreu no domingo (16), após ser baleado no abdômen durante uma operação no Complexo da Maré, na Zona Norte do Rio, na última terça-feira (11).

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O secretário de Polícia Militar, Marcelo de Menezes Nogueira, e o secretário de Segurança Pública, Victor Cesar dos Santos, marcaram presença no sepultamento. O velório começou na noite desta segunda-feira na Câmara Municipal de Itaguaí. Por volta das 12h, um cortejo com viaturas e ônibus do Bope se direcionou até o cemitério. O caixão do policial, coberto por uma bandeira do Brasil e do Bope, foi carregado por policiais fardados. Vários outros soldados se enfileiravam até a chegada da cova onde o agente foi enterrado. Durante a cerimônia, dois helicópteros da PM sobrevoavam o cemitério e lançavam uma “chuva” de pétalas. Dois cachorros do Batalhão de Operações com Cães (BAC) participaram da cerimônia.

No sepultamento, policiais realizaram uma salva de tiros para homenagear o colega. A banda oficial da corporação tocou hinos religiosos, e em tom militar, os agentes fizeram a oração do Bope, seguida de uma salva de palmas. Por fim, com consentimento da família, amigos cantaram o hino do Flamengo, uma das grandes paixões de Rafael. Vestidos com uma camisa estampada com uma foto do policial e o versículo “combati o bom combate, terminei a corrida, guardei a fé”, os entes queridos jogaram flores no caixão do oficial.

Abalada, Irenilda Wolfgramm, mãe do policial, precisou ser amparada por familiares. Emocionada, a idosa destacou que sente orgulho do filho e é grata por todo o carinho que está recebendo das pessoas próximas do sargento.

— Meu filho era uma pessoa maravilhosa, sempre me ajudou demais. A dor é muito grande neste momento. Sempre vou lembrar dele como um homem feliz e que se dedicava aos que ele amava. Nós percebemos como ele é querido só de olhar a quantidade de pessoas que veio se despedir dele — conta Irenilda.

Rafael iria completar 38 anos na próxima quarta-feira (19). A data comemorativa seria celebrada em um culto, realizado em Itaguaí, com amigos e parentes. Alexandre Quima, de 36 anos, que passou a infância com o sargento, conta que todos estavam ansiosos. Contudo, a data festiva deu lugar ao velório.

— É muito triste pensar que estávamos preparados para comemorar mais um ano de vida dele, mas agora estamos aqui olhando para esse caixão. Eu e Rafael fomos nascidos e criados juntos. Todo mundo está arrasado porque ele era super conhecido em Itaguaí, todo mundo gostava dele — alega Alexandre.

De acordo com colegas de farda, os órgãos vitais de Wolfgramm foram comprometidos pelo tiro. Durante o tempo em que ele ficou internado no Hospital Federal de Bonsucesso (HFB), parentes e amigos fizeram uma campanha pedindo doação de sangue. A Polícia Militar lamentou a morte do agente. A corporação informou que o sargento ingressou em 2008. Ele deixa um filho. O Bope também lamentou a morte e afirmou que ele “era muito querido pela tropa”.

Wolfgramm foi o segundo agente morto na operação. A outra vítima foi o também sargento do Bope Jorge Henrique Galdino Cruz. Os dois sofreram uma emboscada feita por traficantes de drogas. Um terceiro agente do batalhão que estava com eles ficou levemente ferido. Cinco suspeitos também morreram na ação, de acordo com a PM.

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