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Idealizadoras do projeto Pretinhas Leitoras criam na zona portuária do Rio biblioteca com acervo infantojuvenil afrocentrado

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Conhecidas como as Pretinhas Leitoras, as gêmeas Eduarda Ferreira e Helena Ferreira, de 15 anos, viram nos livros uma forma de reagir à violência presente no cotidiano no Morro da Previdência, no Centro do Rio. Com a ajuda da mãe, a pesquisadora Elen Ferreira, as irmãs vêm emendando projetos para promover livros de autores e autoras negras e dialogar com os mais jovens, em ações na sua comunidade, na TV (elas chegaram a ter um quadro no “Encontro com Fátima Bernardes”) e nas redes (a página delas no Instagram, @pretinhasleitoras, têm cerca de 65 mil seguidores).

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A mais nova iniciativa da dupla é a Biblioteca Erê, no bairro da Gamboa, Zona Portuária do Rio. Com inauguração marcada para sexta-feira (12), o espaço abrigará a primeira biblioteca com acervo infantojuvenil afrocentrado da cidade e será voltado para adolescentes do território, oferecendo oficinas gratuitas com contadores e autores e uma formação multilinguística. Além de idealizadoras da Erê, Eduarda e Helena irão atuar como curadoras sob orientação de educadores.

— A biblioteca chega com a ideia de replicar o trabalho das Pretinhas Leitoras através do protagonismo juvenil, porque elas perceberam que muitos jovens não estavam tendo a mesma oportunidade de contarem suas histórias e até de fazerem outras coisas no campo da cultura — diz Elen Ferreira, que atuará como Coordenadora Técnica da biblioteca. — Será um espaço de formação para adolescentes que sonham transformar o seu território e as suas próprias vidas.

Começo de tudo

Com acervo de 300 obras, a biblioteca vai promover atividades como leitura dramatizada, escrita criativa, contação de história, educomunicação e tratamento de acervo. Tudo dentro da visão original de Eduarda e Helena, que desde 2015 buscam maneiras de jogar luz em histórias negras e afrodescendentes.

— Nas nossas redes trazemos muitas histórias de pessoas negras e também sobre o que acontecia antes da escravidão, falando de reis e rainhas negras — diz Helena. — Queremos mostrar para as crianças que nossa História não é só escravidão.

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A partir da experiência em diversas rodas de conversas nos últimos anos, as Pretinhas Leitoras fizeram outras crianças da comunidade refletirem sobre seu território — e sobre as transformações sociais que poderiam empreender.

— Desde o início do nosso canal a gente vem trabalhando para construir uma narrativa que mistura o literário com nossas experiências do cotidiano — diz Eduarda. — A gente fala com as crianças que elas mesmas podem criar projetos, sozinhas ou com pessoas da sua casa, para desnormalizar esse lugar de violência.

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