Nova modalidade de empréstimo utiliza celular como garantia

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Recentemente, uma nova modalidade de crédito chamou a atenção no Brasil: empréstimos garantidos por dispositivos móveis. Nesse modelo, os clientes oferecem seus celulares como garantia, e em caso de inadimplência, o aparelho é bloqueado, tornando-se inutilizável. Essa prática, ainda sem regulamentação específica do Banco Central (BC), tem gerado debates e reclamações entre os usuários.

Como Funciona o Empréstimo com Celular como Garantia?

O modelo de crédito com celular como garantia é voltado principalmente para pessoas de classes mais baixas, muitas vezes com acesso limitado a outras formas de crédito. O processo é relativamente simples: o cliente baixa um aplicativo no celular, que atua como “super administrador” do dispositivo, com permissões especiais para acessar funções essenciais. Em caso de inadimplência, o aplicativo pode bloquear o celular, impedindo o uso de aplicativos e outras funcionalidades até que a dívida seja quitada.

Falta de Regulação e Alto Custo

Embora o Banco Central permita que instituições financeiras definam seus próprios perfis de risco, incluindo as garantias aceitas, essa modalidade específica de empréstimo não é regulamentada. Os juros podem ultrapassar 600% ao ano, colocando os consumidores em risco de endividamento excessivo. Segundo o BC, é essencial que os clientes tenham acesso a informações claras sobre penalidades e riscos associados a esses empréstimos.

Reclamações e Problemas com Aplicativos

Relatos de usuários nas redes sociais e em plataformas como o Reclame Aqui apontam dificuldades em remover os aplicativos de seus celulares, mesmo após o pagamento da dívida. Um exemplo disso é o caso de Jonas S. Marques, que relatou nas redes sociais a dificuldade de sua tia em remover o aplicativo da empresa Super Sim, mesmo após desistir da contratação do empréstimo.

A Super Sim, uma das empresas que oferece essa modalidade de crédito, afirmou que seu aplicativo requer permissões de administrador do dispositivo, mas não acessa ou armazena informações pessoais dos usuários. A empresa também exige que os clientes autorizem a emissão de uma Cédula de Crédito Bancário (CCB) junto ao Banco Central antes mesmo da aprovação do empréstimo, o que gerou críticas do Instituto de Defesa do Consumidor (Idec) sobre a clareza das informações fornecidas.

Conclusão e Perspectivas

A falta de regulação específica e o alto custo associado a esse tipo de empréstimo levantam preocupações sobre a proteção dos consumidores. O Idec defende que os consumidores sejam plenamente informados sobre todas as condições e riscos antes de se comprometerem com esse tipo de crédito. Enquanto isso, é essencial que as empresas ofereçam mais transparência e facilidades para a remoção de seus aplicativos dos dispositivos dos usuários, a fim de evitar problemas e garantir uma experiência justa e segura.

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