Ana Marcela Cunha, campeã na Olimpíada de Tóquio-2021, ficou fora do pódio na maratona aquática de Paris-2024. A brasileira, esperança de medalha na prova disputada no Rio Sena, terminou na quarta posição. Viviane Jungblut, outra representante do Brasil, ficou em 11º lugar. A prova gerava grande expectativa devido à qualidade das águas do Sena, que passaram por um processo de limpeza custando cerca de 1,4 bilhão de euros (aproximadamente R$ 8,7 bilhões).
Apesar das garantias de que o rio atenderia aos critérios de qualidade, a cor da água chamou atenção durante a prova. Na véspera, a velocidade das águas foi medida entre 3,2 e 4,8 km/h, exigindo grande esforço das nadadoras contra a correnteza. A australiana Moesha Johnson liderou a primeira volta, com Ana Marcela a 18 segundos atrás. A disputa se intensificou com a holandesa Sharon van Rouwendaal e a italiana Ginevra Taddeucci se destacando.
Ana Marcela precisava de um sprint final para alcançar o trio de frente, mas terminou com o tempo de 2h04m15s, enquanto Viviane completou em 2h06m15s. Van Rouwendaal conquistou o bicampeonato, seguida por Moesha Johnson com a prata e Ginevra Taddeucci com o bronze.
A prova masculina de águas abertas ocorrerá na sexta-feira, com Guilherme Costa representando o Brasil.
Desafios e Superação de Ana Marcela
Após o ouro em Tóquio, Ana Marcela enfrentou um ciclo difícil, incluindo uma cirurgia no ombro no final de 2022 que a afastou das competições por cinco meses. Ela garantiu sua vaga em Paris apenas no Mundial de Doha, em fevereiro deste ano. Mudando-se para a Itália, treinou com o técnico Fabrizio Antonelli, dedicando-se intensamente à preparação.
“Quase desisti de nadar há um ano. Foi um ano difícil, mas me superei muito. Estou feliz por representar o Brasil, mesmo que o 4º lugar seja difícil de aceitar”, disse Ana Marcela emocionada após a competição.
Preocupações com a Qualidade da Água
Na véspera da prova, alguns atletas preferiram não participar do treino de reconhecimento devido a preocupações com a qualidade da água. A World Aquatics cancelou um treino na terça-feira devido ao nível de E. coli no rio, mas os organizadores mantiveram a confiança na segurança das competições. Cinco atividades foram canceladas desde o início da Olimpíada por causa da poluição do Sena.