A absolvição do tenista italiano Jannik Sinner, mesmo após testar positivo duas vezes para a substância proibida clostebol, pela Agência Internacional de Integridade do Tênis (Itia), causou uma onda de indignação no mundo do tênis. Sinner, atualmente número um do mundo, perderá os pontos conquistados no ranking da ATP e a premiação em dinheiro do Masters 1000 de Indian Wells, onde foi flagrado com a substância, mas escapou de uma punição mais severa.
A decisão da Itia, anunciada nesta terça-feira (20), foi vista por muitos como leniente, especialmente após o jogador alegar que a contaminação foi acidental. O clostebol, um agente anabólico, é rigorosamente proibido pela Agência Mundial Antidoping (Wada).
O caso envolvendo Sinner ocorreu em março deste ano, quando ele testou positivo para a substância em duas ocasiões, nos dias 10 e 18. A Itia, no entanto, aceitou a explicação de Sinner, que afirmou ter sido contaminado inadvertidamente por meio de uma massagem realizada por um membro de sua equipe que havia aplicado um spray contendo clostebol em sua própria pele.
Revolta Entre os Colegas
A decisão gerou reações fortes de outros atletas. O australiano Nick Kyrgios, conhecido por suas opiniões contundentes, não poupou críticas: “Inaceitável. Seja acidental ou não, se você é pego duas vezes com uma substância proibida, deve ser suspenso por dois anos. Sua performance foi afetada, ponto final”.
Outro tenista, o canadense Denis Shapovalov, também manifestou sua insatisfação nas redes sociais: “Não consigo imaginar o que todos os outros jogadores que foram banidos por substâncias contaminadas estão sentindo agora”.
Contraste com Outros Casos
A decisão de não suspender Sinner contrasta fortemente com a forma como outros casos de doping no tênis foram tratados. A brasileira Beatriz Haddad, por exemplo, ficou afastada por nove meses entre 2019 e 2020 após ser acusada de uso de substâncias proibidas, até conseguir provar que a contaminação foi cruzada em uma farmácia.
Já a romena Simona Halep enfrentou uma situação ainda mais complicada. Acusada de violar as regras antidoping, ela inicialmente recebeu uma suspensão de quatro anos. Após apelação, a pena foi reduzida para nove meses, mas a atleta ainda assim passou quase um ano fora das competições até conseguir provar sua inocência.
Preparação para o US Open
Liberado para continuar competindo, Sinner agora se prepara para o US Open, que começa no dia 26 de agosto. A controvérsia em torno de seu caso, no entanto, promete continuar reverberando no mundo do tênis, levantando questões sobre a consistência e justiça das decisões em casos de doping no esporte.