Um casal brasileiro viveu momentos de verdadeiro desespero ao desaparecer durante uma viagem ao Chile, enfrentando condições extremas de frio e isolamento. Aurora da Silva Rodrigues, de 59 anos, e Eraldo Rodrigues, de 60, desapareceram no dia 18 de agosto durante uma viagem de carro pelo país andino e só foram encontrados cinco dias depois, na fronteira com a Argentina. A experiência foi marcada por uma luta pela sobrevivência, que incluiu comer gelo e improvisar abrigo em temperaturas que chegaram a -20°C.
A viagem e o desaparecimento
Aurora e Eraldo, naturais de Resende, no interior do Rio de Janeiro, iniciaram sua jornada no dia 2 de agosto, cruzando a Argentina e entrando no Chile pela fronteira de Jama. A viagem, que tinha como objetivo explorar as paisagens e culturas dos países vizinhos, seguia conforme o planejado até o dia 18, quando o casal desapareceu após deixar a cidade de Copiacó, no Chile. O plano era retornar ao Brasil, passando pela fronteira de Paso San Francisco, mas o casal nunca chegou ao destino.
Sem notícias desde o último contato, os familiares de Aurora e Eraldo começaram a se preocupar. Nos primeiros dias, a falta de comunicação não causou grande alarme, já que a região onde viajavam tem áreas sem cobertura de celular. No entanto, à medida que o tempo passava, a situação se tornou crítica, e as autoridades foram acionadas para iniciar as buscas.
Os desafios enfrentados
O casal enfrentou uma situação desesperadora quando o carro em que viajavam ficou atolado na neve durante uma forte nevasca. “Eles passaram pela primeira, segunda, terceira… A visibilidade foi ficando ruim e, ao desviar de algo, ele bateu o carro e atolou na neve”, explicou Cíntia Martins, nora do casal. Com o veículo preso e sem condições de continuar a viagem, Eraldo conseguiu sair do carro para procurar ajuda. Pouco depois, eles encontraram um abrigo e decidiram se instalar ali, já que a nevasca tornava impossível qualquer tentativa de retorno.
No abrigo improvisado, que oferecia pouca proteção contra o frio, Aurora e Eraldo montaram uma barraca, usaram um colchão e um fogareiro que estava no carro para se aquecer. Contudo, a situação era extremamente precária. “Assim passaram a primeira noite. No dia seguinte, o carro já estava tomado de neve, era impossível sair de lá”, relatou Cíntia.
Racionamento e improvisos para sobreviver
Conscientes de que poderiam ficar dias isolados, o casal começou a racionar os alimentos que tinham. “Como o percurso previsto para a travessia era longo, eles tinham maçãs, biscoitos, balas e latas de atum no carro”, contou a nora. No entanto, o suprimento de água acabou no quarto dia, obrigando Aurora e Eraldo a comerem gelo para se manterem hidratados. “O gás do fogareiro também acabou. Era o limite mesmo”, acrescentou Cíntia, destacando a gravidade da situação.
Além da escassez de alimentos e água, o casal enfrentou o desafio de manter o calor em temperaturas que chegaram a -20°C. Sem opções, eles improvisaram, utilizando sacolas plásticas entre as meias e os sapatos para tentar se proteger do frio. Eraldo também usou fita adesiva para vedar buracos no abrigo, tentando reduzir a entrada de neve, mas a eficácia dessas medidas era limitada.
O resgate e o reencontro com a família
Durante os dias de isolamento, Aurora e Eraldo tentaram deixar sinais de sua presença para eventuais resgatadores. Eles escreveram bilhetes no vidro do carro, indicando que estavam abrigados nas proximidades e deixaram mensagens para familiares. Além disso, escreveram um diário relatando a experiência e os pensamentos que passaram enquanto aguardavam o resgate.
A espera angustiante chegou ao fim na noite de 23 de agosto, quando equipes de resgate finalmente localizaram o casal na fronteira com a Argentina. Aurora e Eraldo foram encontrados em condições de saúde estáveis, mas visivelmente abalados pela experiência. Após o resgate, eles foram levados para o abrigo Laguna Verde, na região do Atacama, onde receberam os primeiros cuidados médicos e reencontraram o filho e a nora, que haviam viajado ao Chile para auxiliar nas buscas.
Um desfecho de alívio
O reencontro com a família foi um momento de grande emoção e alívio. “Foram dias muito difíceis, a nossa fé foi colocada à prova e a nossa esperança de retornar também”, disse Aurora em um vídeo enviado à família, agradecendo a todos que ajudaram nas buscas. A nora, Cíntia Martins, também expressou a gratidão da família e destacou a força de vontade do casal para sobreviver em condições tão adversas.
Após o resgate, Aurora e Eraldo permaneceram sob cuidados médicos, mas já demonstram sinais de recuperação. A família informou que todos retornariam juntos ao Brasil dentro de 10 dias, encerrando uma experiência que, embora traumática, terminou de forma positiva graças à resiliência e ao espírito de sobrevivência do casal.

