A recente denúncia do programa Fantástico sobre a presença de quase 2,5 milhões de carros com airbags defeituosos em circulação no Brasil reacendeu o debate sobre a segurança automotiva no país. Com sete mortes já confirmadas devido à explosão de airbags defeituosos da fabricante Takata, o assunto ganha urgência, destacando a importância de veículos bem equipados e seguros.
No Brasil, o órgão responsável por avaliar a segurança dos veículos é o Latin NCAP (Programa de Avaliação de Carros Novos para América Latina e Caribe). Os testes realizados pelo Latin NCAP, conhecidos como “crash-tests”, avaliam a resistência dos veículos em colisões e a eficácia dos materiais utilizados pelas montadoras. Esses testes resultam em notas de segurança, que variam de zero a cinco estrelas, sendo que mais estrelas indicam maior segurança.
Segurança dos carros mais vendidos no Brasil
A seguir, apresentamos as avaliações de segurança dos 10 veículos mais vendidos no Brasil, conforme o ranking de emplacamentos da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave):
- Fiat Strada: 1 estrela
- Volkswagen Polo: 3 estrelas
- Chevrolet Onix: 5 estrelas
- Hyundai HB20: 3 estrelas
- Fiat Argo: 0 estrelas
- Volkswagen T-Cross: 5 estrelas
- Fiat Mobi: 1 estrela
- Hyundai Creta: 4 estrelas
- Chevrolet Tracker: 5 estrelas
- Chevrolet Onix Plus: 5 estrelas
Essas avaliações revelam uma preocupante disparidade na segurança oferecida pelos veículos mais populares do país. Enquanto alguns modelos, como o Chevrolet Onix e o Volkswagen T-Cross, alcançam a pontuação máxima, outros, como o Fiat Argo, recebem a pior classificação possível.
Critérios de avaliação do Latin NCAP
O Latin NCAP avalia a segurança dos veículos com base em uma série de critérios rigorosos. Esses incluem:
- Ferimentos em adultos: Avaliação das lesões sofridas por ocupantes adultos em testes de colisão.
- Ferimentos em crianças: Análise das lesões potenciais em ocupantes infantis.
- Ferimentos em terceiros: Inclui a avaliação de danos a pedestres, ciclistas e motociclistas em caso de acidente.
- Equipamentos de assistência à condução: Verifica a presença e a eficácia de tecnologias como frenagem de emergência, piloto automático adaptativo, e assistentes de permanência em faixa.
A segurança passiva, como cintos de segurança e airbags, é fundamental para proteger os ocupantes durante uma colisão. Já a segurança ativa, composta por sistemas como o ADAS (Sistema Avançado de Assistência ao Motorista), busca evitar ou minimizar o impacto antes que a colisão ocorra.
Desafios na segurança automotiva no Brasil
Apesar de alguns avanços, a segurança automotiva no Brasil ainda enfrenta desafios significativos. A regulamentação local para a segurança dos veículos está cerca de 20 anos atrasada em relação à legislação europeia, de acordo com Alejandro Furas, secretário-geral do Latin NCAP.
O caso dos airbags defeituosos da Takata ilustra bem esses desafios. Mesmo com a obrigatoriedade dos airbags no Brasil, falhas como essas podem ter consequências fatais. Além disso, a avaliação de veículos pelo Latin NCAP demonstra que muitos carros populares ainda carecem de sistemas básicos de proteção, colocando em risco a vida dos ocupantes e de terceiros.
Impacto da segurança automotiva para os consumidores
Para os consumidores brasileiros, essas avaliações são cruciais ao escolher um veículo. A segurança deve ser um fator determinante, especialmente considerando que um carro com uma boa classificação no Latin NCAP pode salvar vidas em caso de acidente.
A falta de itens básicos de segurança em alguns modelos populares no Brasil é uma realidade que exige atenção. Carros com baixa pontuação nos testes de colisão oferecem uma proteção insuficiente em situações críticas, e a presença de sistemas avançados de assistência ao motorista ainda é rara em muitos modelos acessíveis.
O futuro da segurança automotiva
O Latin NCAP já anunciou que, a partir de 2026, começará a avaliar a eficiência do sistema ADAS nos carros que possuírem essa tecnologia. Este sistema, que inclui equipamentos como monitor de ponto cego, alerta de colisão frontal e assistente de permanência em faixa, é um avanço importante na prevenção de acidentes.
Entretanto, como ressalta Furas, ainda há um longo caminho a percorrer até que essas tecnologias sejam perfeitas e acessíveis a todos os consumidores. Até lá, a necessidade de carros com estruturas seguras e menos agressivas aos pedestres continua sendo uma prioridade.
A segurança automotiva no Brasil precisa avançar para garantir que todos os veículos, independentemente da faixa de preço, ofereçam a proteção necessária aos seus ocupantes e aos demais envolvidos em um acidente. A conscientização dos consumidores e a pressão por regulamentações mais rigorosas são essenciais para que, no futuro, todos os brasileiros possam dirigir veículos verdadeiramente seguros.