Copa do Mundo

Estêvão e Kendry Páez se preparam para brilhar no Chelsea em 2025

ESTÊVÃO SELEÇÃO BRASILEIRA
Estevão - Foto: Rafael Ribeiro / CBF Rafael Ribeiro / CBF

Duas das maiores promessas do futebol mundial, Estêvão e Kendry Páez, se enfrentarão nas Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2026 nesta sexta-feira (6), quando Brasil e Equador medem forças. Além de serem destaques em suas seleções, os dois jovens jogadores têm algo em comum: ambos têm futuro garantido no Chelsea, clube que enfrenta dificuldades históricas em desenvolver talentos sul-americanos.

Com apenas 17 anos, os jovens já são estrelas em seus clubes, Palmeiras e Independiente del Valle, respectivamente. A expectativa é que, ao completarem 18 anos, em 2025, se apresentem ao Chelsea, onde tentarão quebrar o ciclo de fracasso que tem marcado a trajetória de muitos jovens sul-americanos no clube inglês.

Chelsea e o desafio de desenvolver talentos jovens

O Chelsea tem enfrentado um histórico negativo quando se trata de jovens jogadores sul-americanos. Embora o clube invista pesado na aquisição de promessas do continente, a adaptação e o desenvolvimento dos atletas têm sido complicados. Exemplo disso são casos recentes como Ângelo, Deivid Washington e Andrey Santos, que não conseguiram se firmar no time principal e acabaram sendo emprestados, muitas vezes ao Strasbourg, clube satélite na França.

A política de aquisições do Chelsea mudou nos últimos anos, e o clube tem adotado uma estratégia focada em comprar uma grande quantidade de jovens jogadores com potencial. O objetivo é duplo: gerar retornos financeiros com vendas futuras e formar uma base sólida de atletas que possam, eventualmente, se firmar no elenco principal. Contudo, o sucesso esportivo desses jovens no clube ainda é uma raridade.

Estêvão e Kendry: promessas de superação

Ambos com grande destaque em seus clubes e seleções, Estêvão e Kendry Páez representam uma nova esperança para o Chelsea. O clube já demonstrou confiança nos jovens, prometendo que, ao completarem 18 anos, estarão nos planos do elenco profissional. Estêvão, por exemplo, é visto como um dos talentos mais versáteis do futebol brasileiro, capaz de se adaptar a diferentes estilos de jogo, enquanto Kendry já brilha no Equador com suas habilidades técnicas refinadas.

Os dois jogadores terão que enfrentar o desafio de se firmar em um ambiente que tem sido complicado para muitos outros sul-americanos. Nomes como Kenedy, Nathan e Lucas Piazón passaram pelo clube sem conseguir se destacar no time principal. No entanto, o empresário de Estêvão, André Cury, está otimista: “O Chelsea tem um grande projeto para ele, que tem tudo para dar certo”.

Estratégia de mercado do Chelsea

Na janela de transferências do verão europeu, o Chelsea foi o clube que mais investiu em jogadores, gastando R$ 1,6 bilhão, e também foi o que mais vendeu, arrecadando R$ 1,3 bilhão. A gestão de contratações tem um claro foco em jovens promessas, especialmente da América do Sul, onde o clube tem intensificado sua busca por talentos.

Atualmente, o Chelsea conta com 30 jogadores no elenco, número elevado para os padrões europeus, que costumam girar em torno de 20 a 25 atletas por time. Uma das estratégias mais comuns do clube é emprestar esses jovens para outras equipes, como o Strasbourg, onde podem ganhar experiência antes de retornarem ou serem vendidos por valores maiores do que o de compra. Foi o que aconteceu com Ângelo, que, comprado por 15 milhões de euros (R$ 93 milhões), acabou sendo vendido ao Al-Nassr, da Arábia Saudita, por 23 milhões de euros (R$ 142 milhões).

O impacto financeiro e o fair play

Uma das principais motivações do Chelsea ao investir em jovens jogadores é a busca por sustentabilidade financeira. O clube tem como meta garantir que os gastos com salários e transferências estejam alinhados com as exigências do Fair Play Financeiro, estabelecido pela Premier League, conhecido como PSR (Regras de Lucro e Sustentabilidade). Essa regra impõe sanções a clubes que excedem suas receitas com altos investimentos.

O Everton, por exemplo, foi punido com a perda de pontos por violar essa regra. No caso do Chelsea, o clube londrino vê no desenvolvimento e na posterior venda de jovens talentos uma forma de aumentar sua margem financeira, permitindo que continue contratando grandes estrelas sem prejudicar o orçamento.

O olhar do Chelsea para a América do Sul

O Chelsea tem intensificado sua atuação no mercado sul-americano, especialmente após a chegada de Alysson Marins, analista que chefia o departamento de scouting no continente. Com experiência de mais de 10 anos no Corinthians, onde identificou e desenvolveu talentos da base, Alysson agora busca fortalecer a captação de promessas para o Chelsea. Foi ele quem indicou Estêvão e Kendry Páez ao clube.

Essa estratégia de buscar talentos em uma das regiões mais prolíficas do futebol mundial tem se tornado cada vez mais importante para o Chelsea. O clube londrino busca vencer a concorrência de outras potências europeias e assegurar que as próximas gerações de craques sul-americanos cheguem a Stamford Bridge.

A visão da CBF sobre o Chelsea

A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) não vê com preocupação o histórico de dificuldades de adaptação de jovens brasileiros no Chelsea. Para a entidade, empréstimos a clubes como o Strasbourg, PSV e Girona, como foi o caso de Savinho antes de se firmar no Manchester City, são vistos como etapas importantes no desenvolvimento dos atletas.

A CBF reconhece que, em muitos casos, esses jogadores precisam de tempo para se adaptar ao futebol europeu antes de conseguirem se destacar em grandes clubes como o Chelsea. No atual ciclo da seleção brasileira, 15 dos convocados do técnico Dorival Júnior passaram por essas fases de adaptação em equipes menores, antes de se tornarem referências internacionais.

O que esperar de Estêvão e Kendry no Chelsea?

O caminho para o sucesso no Chelsea não será fácil para Estêvão e Kendry Páez. Além da pressão de se firmar em um dos maiores clubes da Europa, ambos terão que lidar com a concorrência interna e o histórico de jovens que não conseguiram aproveitar suas oportunidades. No entanto, as promessas feitas pelo clube e o talento inegável dos dois atletas dão motivos para acreditar que eles podem quebrar essa sequência negativa.

O futuro de Estêvão e Kendry no Chelsea ainda está em construção, mas, enquanto brilham por suas seleções e clubes na América do Sul, ambos se preparam para um desafio ainda maior em 2025: mostrar que estão prontos para se tornar estrelas em um clube que tem tanto a provar em relação ao desenvolvimento de jovens promessas.

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