Automobilismo

Globo retoma Fórmula 1 em 2025 sem ex-equipe da Band e aposta em novos nomes

Formula 1
Michael Potts F1/Shutterstock.com Michael Potts F1/Shutterstock.com

A Fórmula 1 está de volta à tela da Globo em 2025, após um intervalo de quatro anos longe da emissora. No entanto, essa retomada não incluirá o retorno de membros da equipe de transmissão que migraram para a Band durante esse período. A emissora já confirmou que utilizará sua equipe interna, sem recontratar nomes de peso que se destacaram nos anos anteriores. A expectativa é alta, mas a estratégia é clara: trazer um novo formato para um público já conhecido, mas com novas vozes e rostos.

Entre os confirmados para essa nova fase, estão o ex-piloto Luciano Burti e o comentarista Rafael Lopes. Os narradores Luís Roberto e Everaldo Marques, que atuaram no último ano de Fórmula 1 transmitido pela Globo em 2020, também estão na lista. Para reforçar a cobertura internacional, a emissora planeja utilizar seus atuais correspondentes esportivos, como André Gallindo e Guilherme Pereira.

Decisão estratégica: sem retorno de ex-nomes da Band

A decisão de não reintegrar profissionais que se transferiram para a Band, como a jornalista Mariana Becker e o narrador Sérgio Maurício, sinaliza uma mudança na estratégia da Globo para a volta da Fórmula 1. Mariana, que trabalhou na emissora por 27 anos e teve seu trabalho como correspondente internacional amplamente elogiado pelos fãs da categoria, não estará no time da nova fase. O mesmo ocorre com Reginaldo Leme, uma das vozes mais icônicas da cobertura de Fórmula 1 no Brasil, que também foi deixado de fora dos planos da emissora.

A Globo optou por renovar a equipe e não buscar os profissionais que construíram uma sólida reputação no esporte ao longo de décadas. Essa escolha visa, em parte, dar uma nova cara à cobertura, mantendo o legado de sucesso da emissora, mas apostando em um time que já está em atividade na casa. A decisão também pode refletir a intenção de focar em narrativas mais dinâmicas e na renovação da comunicação com o público.

Liberty Media e Band: crise nos bastidores acelerou a transição

A volta da Fórmula 1 à Globo está diretamente ligada a uma série de problemas que envolvem a Liberty Media, dona dos direitos da categoria, e a Band, que transmitiu as corridas no Brasil desde 2021. A Band, que inicialmente dividia os valores de patrocínio com a Liberty Media, enfrentou dificuldades após assumir integralmente o pagamento dos direitos de transmissão. A mudança de contrato em 2023, feita para impedir uma oferta do SBT, resultou em um acordo no valor de US$ 15 milhões (R$ 84,3 milhões) por temporada.

Entretanto, a Band teve problemas para honrar os compromissos financeiros, e um episódio envolvendo o não pagamento de uma cota de patrocínio de R$ 20 milhões por uma casa de apostas agravou ainda mais a situação. O impasse gerou prejuízos e culminou em um processo judicial. Agora, como parte do acordo para encerrar a transmissão da Fórmula 1, a Band deverá pagar apenas uma multa referente às dívidas pendentes.

Nos bastidores, a Liberty Media já vinha comunicando a existência de uma nova parceria, referindo-se à Globo, e a expectativa é que o distrato formal entre a Band e a Liberty seja concluído em breve. Com isso, a partir de 2025, a Fórmula 1 será exibida novamente na Globo, encerrando a breve passagem pela Band.

Globo e o retorno da Fórmula 1: uma aposta comercial estratégica

Apesar da queda de audiência nos últimos anos, em parte causada pela ausência de um piloto brasileiro de destaque na Fórmula 1, a Globo vê na volta da categoria uma grande oportunidade comercial. Historicamente, a emissora sempre conseguiu atrair patrocinadores de peso para as transmissões, graças ao perfil do público da Fórmula 1, que é majoritariamente das classes AB, com maior poder aquisitivo. Mesmo em períodos de menor audiência, o retorno publicitário sempre foi expressivo.

Em 2025, a Globo terá à sua disposição algumas das corridas mais importantes do calendário, incluindo o Grande Prêmio do Brasil e a etapa de Mônaco, eventos que tradicionalmente atraem grande público e anunciantes. Estima-se que a emissora exibirá cerca de 12 corridas ao longo da temporada, priorizando aquelas com horários mais favoráveis para a audiência brasileira. Com isso, a Globo pretende maximizar a exposição da categoria e garantir que a Fórmula 1 volte a ser um dos carros-chefes de sua programação esportiva.

Expectativas para a nova fase da Fórmula 1 na Globo

A volta da Fórmula 1 à Globo não é apenas uma questão de audiência, mas também de reposicionamento da emissora como líder nas transmissões esportivas no Brasil. A Globo construiu uma relação histórica com a Fórmula 1, exibindo as corridas ininterruptamente de 1981 até 2020, período em que a categoria se popularizou no país com grandes ícones como Ayrton Senna, Nelson Piquet e Emerson Fittipaldi.

Agora, com o retorno da Fórmula 1, a Globo busca retomar esse protagonismo, mesmo sem contar com um grande piloto brasileiro na disputa. A expectativa é que a combinação entre a tradição da emissora e o apelo comercial da categoria traga resultados positivos tanto em termos de audiência quanto de faturamento.

A importância das grandes corridas no calendário da Globo

Com a estratégia de exibir corridas selecionadas, a Globo pretende concentrar sua cobertura nos eventos de maior apelo junto ao público brasileiro. O Grande Prêmio do Brasil, que acontece no circuito de Interlagos, em São Paulo, é um dos destaques dessa nova fase. A prova tem um significado especial tanto para os fãs quanto para os patrocinadores, sendo uma das etapas mais aguardadas do calendário.

Outra corrida que deve ganhar destaque é o Grande Prêmio de Mônaco, uma das mais tradicionais e glamourosas da Fórmula 1. Além disso, a emissora também deve apostar em corridas realizadas em horários estratégicos para atrair uma maior audiência, como as etapas europeias e asiáticas, que costumam ser exibidas em horários matinais no Brasil.

Um novo capítulo para a Fórmula 1 no Brasil

O retorno da Fórmula 1 à Globo marca o início de uma nova era para a categoria no Brasil. Com uma equipe renovada, estratégias comerciais bem definidas e um foco nas corridas de maior apelo, a emissora pretende revitalizar o interesse dos brasileiros pela principal competição de automobilismo do mundo.

A decisão de não reintegrar nomes icônicos como Mariana Becker e Reginaldo Leme é um sinal de que a Globo busca modernizar sua abordagem, apostando em novas formas de narrar e cobrir o esporte. A emissora já mostrou em outras modalidades, como o futebol, que sabe se adaptar às mudanças no mercado e no gosto do público, e a Fórmula 1 não deve ser diferente.

O cenário está montado para um retorno triunfante, e a Globo parece pronta para escrever mais um capítulo de sucesso na história da Fórmula 1 no Brasil.

To Top