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Alerta de gelo ignorado pode ter contribuído para queda de avião da Voepass

Vinhedo queda de avião
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O relatório preliminar do Cenipa sobre o acidente do ATR 72-600 da Voepass, divulgado na sexta-feira (6), revela que alertas de gelo e de velocidade baixa piscavam no painel enquanto a tripulação se comunicava com o controle de tráfego aéreo, passageiros e uma comissária. A queda, ocorrida em 9 de agosto, resultou na morte de 62 pessoas.

Momentos críticos antes da queda

Quatro minutos antes de a aeronave perder o controle, o copiloto estava em contato com o despachante operacional da Voepass, que estava em solo, após o alarme do sistema antigelo ligar e desligar várias vezes. Às 13h17min20s, o detector de gelo parou de exibir o sinal de alerta, e, nesse instante, o copiloto buscava informações com a comissária para repassar ao despachante.

Alarmes e falhas de comunicação

O alerta do sistema antigelo voltou a soar às 13h17min32s. Neste momento, o comandante informava os passageiros sobre as condições do voo e o horário previsto de chegada a Guarulhos. Menos de três minutos antes da perda de controle, o avião voava a 353 km/h quando o alerta de velocidade baixa foi exibido, enquanto o copiloto repassava dados ao despacho operacional. Alerta de “Desempenho Degradado” foi registrado às 13h19min28s, acompanhado de um tom de alarme único, durante a troca de mensagens entre a tripulação e o controle de tráfego.

Queda ocorre após sucessão de alertas

A perda de controle do ATR 72-600 foi registrada às 13h21min09s, apenas dois minutos após o último alerta crítico. O Cenipa aponta que um acidente aéreo é resultado de múltiplos fatores, incluindo decisões humanas. O relatório final, ainda sem data de publicação, buscará esclarecer por que a tripulação não reagiu aos alertas de forma mais assertiva e qual o impacto disso na tragédia.

Consciência situacional em foco na investigação

A falta de “consciência situacional” é um dos aspectos que o Cenipa está investigando. Segundo a ANAC, essa consciência envolve a percepção dos elementos no ambiente de trabalho e sua projeção para o futuro. Pilotos consultados indicaram que a provável ausência de percepção situacional pode ter influenciado a tomada de decisão durante o voo da Voepass.

Manutenção e condições do voo estavam em dia

O relatório confirma que o avião tinha todos os registros de manutenção atualizados e era certificado para voos em condições de gelo. A tripulação também havia recebido treinamento específico em simuladores para operar em ambientes de gelo. Apesar disso, a investigação revelou que o sistema antigelo não foi acionado de forma consistente durante o voo, mesmo com alertas de gelo sendo exibidos no painel.

Falha de equipamento e restrições operacionais

Registros de manutenção indicam que o “Pack de número 1”, parte do sistema pneumático responsável por climatização e pressurização, estava inoperante. Isso impôs restrições operacionais, como o limite de voo a 17 mil pés. Apesar de estar dentro dessas limitações, o Cenipa analisa como essa falha pode ter contribuído para a queda.

Objetivos do relatório preliminar

O Cenipa enfatiza que o relatório preliminar não visa atribuir culpabilidade, mas sim identificar fatores que podem ter contribuído para o acidente e sugerir melhorias na segurança de voo. Os dados apresentados são factuais e não buscam explicar o porquê do ocorrido, mas apenas o que de fato aconteceu.

Parentes das vítimas buscam respostas

Cerca de 70 representantes das vítimas, incluindo familiares e advogados, viajaram até Brasília para obter mais informações sobre o caso diretamente da equipe do Cenipa. O acidente, que ocorreu em um voo de Cascavel (PR) para Guarulhos (SP), ainda traz muitas perguntas sem resposta.

Polícia Federal realiza investigação paralela

Enquanto o Cenipa analisa os dados técnicos e operacionais para melhorar a segurança aérea, a Polícia Federal realiza uma investigação paralela para verificar se há responsabilidades criminais a serem apuradas. Peritos do Instituto Nacional de Criminalística acompanham todos os exames e testes realizados para produzir um Laudo de Sinistro Aeronáutico.

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