Em entrevista coletiva antes do confronto contra o Paraguai, pelas Eliminatórias da Copa do Mundo, o técnico da Seleção Brasileira, Dorival Júnior, fez uma afirmação ousada: “Estaremos na decisão da Copa do Mundo, podem acreditar”. Essa declaração veio após um longo período de reflexão sobre o desempenho recente da equipe e as adaptações que estão sendo feitas para reestruturar o time, que passa por um processo de renovação e ajustes táticos.
Busca por equilíbrio ofensivo com Endrick no ataque
Dorival está claramente buscando uma solução para o setor ofensivo da Seleção. A escolha por Endrick no ataque representa uma tentativa de encontrar uma peça central para organizar o jogo na frente. Com a saída de Luiz Henrique do time titular, o treinador destacou que Endrick traz uma característica de maior centralização no ataque, algo que faltou na última partida contra o Equador.
Dorival reconheceu que o Brasil ainda não atingiu o desempenho técnico esperado, mas elogiou a entrega dos jogadores em campo. “Faltou um homem mais centralizado para atacar a última linha defensiva. Endrick se adapta a essa função e tem condições de ser a peça que precisamos”, destacou o técnico.
A importância de um centroavante de mobilidade
Ao falar sobre a necessidade de um centroavante, Dorival Júnior enfatizou que sua busca não é por um jogador de referência tradicional, mas sim por alguém com mobilidade, capaz de se adaptar às várias exigências do ataque moderno. Ele lamentou a ausência de Pedro, que seria ideal para esse papel, mas deixou claro que Rodrygo não está nos planos para atuar como um camisa 9.
“Rodrygo tem a liberdade de executar movimentos ofensivos sem ficar preso a uma posição. Ele pode jogar em várias funções, menos como centroavante. Prefiro que ele use sua mobilidade e inteligência para se movimentar entre as linhas”, afirmou o técnico.
Paciência no processo de renovação
Dorival Júnior reforçou que o Brasil passa por uma fase de reformulação, algo que sempre foi pedido pela torcida e pela imprensa. No entanto, ele alertou que o processo de renovação deve ser feito com cautela e paciência, evitando expectativas excessivas em relação ao rendimento imediato dos jovens talentos. Ele comparou o momento atual do futebol global, mencionando a Itália, que ficou fora das últimas duas Copas, como exemplo de que até grandes seleções podem enfrentar dificuldades.
“O futebol global está muito equilibrado. Já não existem mais aquelas grandes goleadas, e o cenário é cada vez mais competitivo. Precisamos subir degrau por degrau até sermos protagonistas novamente”, declarou Dorival.
Desafios para combinar espetáculo e resultados
O técnico da Seleção reconheceu que o torcedor brasileiro espera tanto espetáculo quanto resultados, mas deixou claro que isso exige tempo. Ele destacou que o trabalho na seleção é muito diferente daquele feito em clubes, onde há mais tempo para ajustes diários. No contexto da seleção, o tempo é limitado, com treinos curtos entre as competições e jogadores retornando rapidamente aos seus clubes.
Dorival também mencionou que a distância entre as seleções “de cima” e as que estão “mais abaixo” tem diminuído, o que aumenta o desafio de construir um time competitivo que consiga oferecer tanto um futebol vistoso quanto vitórias consistentes.
Melhorias defensivas e ofensivas pendentes
Apesar das dificuldades ofensivas, Dorival elogiou a evolução da Seleção Brasileira na recuperação de bola e nas transições defensivas. Ele destacou que a equipe tem se mostrado mais agressiva na retomada da posse, mas que os ajustes finais no ataque ainda estão pendentes. O técnico comentou que faltam jogadas mais confiáveis na área adversária e decisões melhores nos momentos cruciais.
“Temos uma recuperação de bola muito forte, mas precisamos melhorar a qualidade das jogadas na área adversária. Falta a jogada que desequilibra o jogo, que ainda não apareceu”, avaliou.
Comprometimento dos jogadores
Dorival ressaltou o comprometimento de todos os jogadores com o projeto da Seleção, afirmando que, apesar das críticas, nenhum atleta o decepcionou desde sua chegada. Ele destacou especialmente os jovens jogadores, que vêm ganhando oportunidades, e a importância de dar tempo para que eles se adaptem ao estilo e às demandas da Seleção Brasileira.
“Os jogadores têm mostrado grande comprometimento. Mesmo aqueles que ainda estão se adaptando, como Luiz Henrique, que começou como titular na última partida, têm dado respostas positivas”, disse Dorival.
Função de Bruno Guimarães no meio de campo
Um dos pontos abordados por Dorival foi o papel de Bruno Guimarães no meio-campo da Seleção. O técnico destacou que Bruno sempre atuou como segundo volante, mas que, recentemente, tem sido utilizado mais como primeiro volante. Dorival pediu ao jogador que não atue de costas, buscando uma melhor visão de jogo e mais mobilidade na criação de jogadas.
“Vamos segurar mais o Bruno Guimarães e o André para que liberemos os laterais, especialmente pelo lado esquerdo. A função de Bruno é importante para dar mais dinâmica ao meio-campo”, explicou o treinador.
Olhando para o futuro: a meta para 2026
Dorival Júnior não esconde a confiança no potencial da Seleção Brasileira para 2026. Com foco no longo prazo, ele acredita que o time tem tudo para se preparar adequadamente e chegar competitivo na Copa do Mundo. Ele sabe que o caminho até lá exigirá paciência e otimismo, mas está convencido de que o Brasil estará entre os favoritos ao título.
“Acredito no trabalho que estamos desenvolvendo e sei que, com o tempo e os ajustes certos, estaremos prontos para disputar a Copa do Mundo de 2026 em condições de vencer. Temos jovens promissores e um planejamento sólido. Só precisamos de tempo e confiança”, concluiu Dorival.