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John Textor aborda crise financeira do Lyon e comenta sobre compra do Everton

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John Textor, empresário norte-americano e proprietário de diversos clubes de futebol, voltou a falar sobre as dificuldades financeiras que enfrenta com o Lyon, clube francês que faz parte do portfólio de sua holding Eagle Football. Em uma entrevista coletiva nesta quarta-feira, Textor explicou o momento complicado do Lyon e os desafios que o clube vem enfrentando em relação ao orçamento e às promessas feitas ao órgão regulador do futebol francês, a DNCG (Direção Nacional de Controle de Gestão).

Desempenho abaixo do esperado no mercado de transferências

O Lyon havia se comprometido com a DNCG a arrecadar 100 milhões de euros (aproximadamente R$ 621 milhões) em vendas de jogadores para equilibrar suas finanças e evitar possíveis sanções. No entanto, o clube conseguiu arrecadar apenas 40% desse valor, o que gerou apreensão sobre a capacidade da equipe de atender às exigências financeiras do órgão regulador. Textor, no entanto, minimizou a situação e assegurou que a equipe não corre risco de punições por parte da DNCG.

O presidente do Lyon, que também é dono da SAF (Sociedade Anônima de Futebol) do Botafogo, explicou que, apesar de não atingir o valor prometido, o clube segue dentro do planejado e que a venda do Crystal Palace, outra equipe que faz parte do grupo Eagle Football, ajudará a fornecer o capital de giro necessário para sustentar o Lyon.

Textor nega sanções e fala sobre orçamento do clube

Durante a coletiva, John Textor explicou que a dinâmica na França não funciona como em outros países, onde o não cumprimento de metas financeiras automaticamente gera sanções. Ele afirmou que o clube apresentou um orçamento detalhado para a temporada e que cabe à DNCG avaliar se o planejamento é viável ou não. “Apresentamos um orçamento para a temporada e cabe a eles decidir se funciona ou não. A venda do Crystal Palace reduzirá a dívida e fornecerá o capital de giro necessário”, afirmou.

Textor também destacou que o Lyon planejava arrecadar cerca de 130 milhões de euros (R$ 807 milhões) em vendas de jogadores, mas que as negociações não ocorreram como o esperado. “Tínhamos muitos jogadores à disposição para vender, mas não conseguimos atingir a meta inicialmente prevista. No entanto, isso não significa que o clube enfrentará problemas insuperáveis”, explicou o empresário.

Investimentos e ajustes financeiros no Lyon

Segundo Textor, o Lyon investiu 145 milhões de euros (aproximadamente R$ 900 milhões) em reforços para a equipe, enquanto arrecadou apenas 40 milhões de euros (R$ 248 milhões) com a venda de jogadores. Essa diferença de 105 milhões de euros (cerca de R$ 652 milhões) criou um déficit maior do que o previsto inicialmente, que era de 80 milhões de euros (R$ 497 milhões). Ainda assim, o empresário norte-americano garantiu que está trabalhando em ajustes para equilibrar as finanças do clube e que já se comprometeu a pagar 60 milhões de dólares (R$ 338 milhões) à DNCG, dos quais um terço já foi depositado.

No ano anterior, o Lyon foi penalizado por falta de garantias financeiras, o que resultou em restrições, como a impossibilidade de aumentar sua folha salarial e a limitação no uso de recursos provenientes de transferências de jogadores. A promessa de estabilizar as contas foi feita à DNCG há pouco mais de dois meses, com o objetivo de demonstrar equilíbrio financeiro e evitar novas restrições durante a temporada atual.

John Textor questiona o Fair Play Financeiro

John Textor aproveitou a entrevista para criticar o Fair Play Financeiro (FPF) e sua implementação, tanto na Europa quanto no Brasil. O empresário destacou que, em muitos casos, o FPF limita o crescimento de clubes que estão em processo de reorganização financeira e que poderia ser mais flexível para permitir investimentos maiores.

No caso específico do Lyon, Textor destacou que o clube está em uma fase de reestruturação e que essas limitações impostas pela DNCG e pelo FPF dificultam ainda mais a recuperação financeira do time.

Compra do Everton com recursos próprios

Além das questões relacionadas ao Lyon, Textor também abordou sua intenção de adquirir o clube inglês Everton, atualmente na Premier League. No entanto, ele destacou que essa compra seria feita com recursos próprios, sem envolver o Grupo Eagle Football, que atualmente é dono de vários clubes ao redor do mundo, incluindo o Lyon, o Botafogo, o Crystal Palace e o RWD Molenbeek, da Bélgica.

“O investimento no Everton será com financiamento próprio, sem relação direta com o Eagle Football. Legalmente, será uma aquisição separada, o que significa que o clube não será afetado pelas finanças do Lyon ou do Botafogo”, explicou John Textor. Ele também mencionou que, apesar de seu desejo inicial de aumentar sua participação no Crystal Palace, a resistência dos outros proprietários do clube inglês o fez buscar novas oportunidades de investimento na Inglaterra.

Resistência na gestão do Crystal Palace

John Textor adquiriu 40% das ações do Crystal Palace por 86 milhões de libras há três anos, e posteriormente aumentou sua participação para 45%. No entanto, ele não conseguiu se tornar o sócio-majoritário do clube, devido à resistência dos outros coproprietários, Steve Parish, Josh Harris e David Blitzer. A falta de controle total sobre o clube fez com que Textor começasse a explorar novas possibilidades de investimento na Premier League, resultando no interesse pela compra do Everton.

Com a aquisição do clube de Liverpool, Textor pretende aplicar uma nova estratégia de investimentos, separada do Eagle Football, garantindo que os diferentes projetos sob sua gestão mantenham autonomia financeira.

Futuro dos clubes sob o comando de Textor

Com a ampliação de sua atuação no futebol global, John Textor reforça seu objetivo de fortalecer os clubes sob sua administração, garantindo que cada um tenha uma estratégia financeira independente. No caso do Lyon, o empresário norte-americano está confiante de que, com a venda do Crystal Palace e ajustes financeiros, será possível equilibrar as contas e manter o time competitivo no futebol europeu.

Enquanto isso, sua visão para o Everton, caso a compra se concretize, inclui investimentos com foco em longo prazo, além de uma estratégia de desenvolvimento de talentos locais e de mercado internacional.

Críticas ao sistema de gestão no futebol europeu

A entrevista de Textor também foi marcada por críticas ao sistema de gestão no futebol europeu, especialmente no que diz respeito às limitações impostas pelos reguladores financeiros. O empresário norte-americano defendeu uma maior flexibilidade para que clubes com potencial de crescimento, como o Lyon e o Everton, possam receber maiores investimentos sem sofrer restrições que dificultem sua recuperação e evolução esportiva.

Ele também mencionou a necessidade de modernização das regras financeiras, tanto na Europa quanto no Brasil, para que os clubes possam competir em pé de igualdade com as potências econômicas do futebol mundial.

Impacto das decisões de Textor no futebol brasileiro

A gestão de Textor no Botafogo também foi mencionada, com destaque para como as decisões tomadas em outros clubes do Grupo Eagle Football podem impactar o clube carioca. A venda do Crystal Palace e a aquisição do Everton são vistas como movimentos estratégicos para garantir a sustentabilidade de todo o grupo, incluindo o Botafogo, que vem recebendo investimentos significativos desde a chegada de Textor.

O empresário destacou que, apesar das dificuldades financeiras enfrentadas em outros clubes, o projeto do Botafogo segue firme e que os torcedores podem esperar novos investimentos e melhorias no clube nos próximos anos.

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