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Justiça mantém prisão preventiva de Deolane Bezerra após audiência virtual

Deolane Bezerra
Deolane Bezerra - Foto: Instagram Deolane Bezerra - Foto: Instagram

A influenciadora digital Deolane Bezerra continuará presa preventivamente após a audiência de custódia realizada nesta quarta-feira (11). A decisão foi tomada pela Justiça de Pernambuco, que manteve a prisão da empresária em virtude de seu envolvimento em uma operação que investiga lavagem de dinheiro e práticas ilegais. Deolane participou da audiência virtual diretamente da Colônia Penal Feminina de Buíque, no Agreste de Pernambuco, onde está detida desde a revogação de sua prisão domiciliar.

O Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) destacou que a audiência de custódia teve como objetivo analisar os aspectos formais da prisão, assegurando que o cumprimento do mandado foi legal. Diante da decisão, Deolane Bezerra permanecerá na unidade penal enquanto o processo segue em andamento.

Motivo da revogação da prisão domiciliar

Anteriormente, Deolane havia sido beneficiada por um habeas corpus que permitia que cumprisse a prisão em regime domiciliar. No entanto, essa decisão foi revogada na terça-feira (10) após a influenciadora descumprir as condições impostas pela Justiça. Uma das restrições determinava que ela não poderia fazer declarações públicas sobre o processo. Logo após sua soltura, Deolane concedeu entrevista à imprensa e fez uma postagem nas redes sociais que violava as condições estabelecidas.

Na postagem em questão, Deolane publicou uma foto em que aparecia com a boca coberta por uma fita com um “X” no centro, acompanhada de uma legenda sugestiva, o que foi interpretado como um descumprimento direto das medidas cautelares impostas.

A transferência para Buíque

Após a revogação da prisão domiciliar, Deolane foi transferida para a Colônia Penal Feminina de Buíque, uma unidade localizada a aproximadamente 280 km do Recife. A escolha dessa unidade penal tem o objetivo de afastá-la dos grandes centros urbanos, contribuindo para um ambiente mais controlado durante o andamento do processo.

A prisão de Deolane tem atraído atenção por estar no mesmo local onde cumprem pena outras figuras de grande repercussão, como as mulheres conhecidas como “Canibais de Garanhuns”, condenadas por crimes hediondos. A influenciadora foi colocada em uma cela separada por questões de segurança, segundo informações da secretaria estadual de administração penitenciária de Pernambuco.

O impacto da prisão no caso de Deolane

A prisão de Deolane Bezerra é parte de uma grande operação denominada “Integration”, que tem como foco a investigação de um esquema de lavagem de dinheiro envolvendo jogos de azar. A operação foi deflagrada no dia 4 de setembro, quando a influenciadora, sua mãe Solange Bezerra e outras 10 pessoas foram presas. Entre os alvos da investigação está o empresário Darwin Henrique da Silva Filho, dono de uma empresa de apostas e supostamente ligado à movimentação ilícita de bilhões de reais.

Durante a investigação, a Polícia Civil identificou que Deolane havia adquirido um carro de luxo, um Lamborghini Urus S, por R$ 3,85 milhões, em uma transação que, segundo as autoridades, apresenta indícios de lavagem de dinheiro. A influenciadora e seus advogados negam as acusações e afirmam que a transação foi legítima.

Defesa de Deolane se manifesta sobre o caso

Desde o início das investigações, a defesa de Deolane Bezerra tem argumentado que a influenciadora está sendo vítima de abuso de autoridade e que as acusações contra ela são infundadas. A equipe de advogados responsáveis pelo caso ressalta que Deolane está disposta a colaborar com as investigações e nega qualquer envolvimento em atividades ilícitas.

Em resposta à prisão, Deolane publicou uma carta aberta em suas redes sociais, onde afirmou estar sendo injustiçada e que a prisão de sua mãe também é parte de um preconceito direcionado à sua família. A carta gerou grande repercussão nas redes sociais, com milhares de seguidores expressando apoio à influenciadora.

O presídio onde Deolane está detida

A Colônia Penal Feminina de Buíque é uma unidade destinada exclusivamente a mulheres e está dividida em dois pavilhões, um com capacidade para 70 detentas e outro para mais 30. Localizado em uma área afastada, o presídio está cercado por uma zona de mata e algumas residências próximas. A infraestrutura do local é simples, mas oferece os serviços essenciais para as presas.

Deolane passou sua primeira noite na unidade em uma cela separada, e as autoridades afirmam que isso se deve a medidas de segurança. A influenciadora terá que cumprir as regras do presídio enquanto o processo segue em curso, sem previsão de quando ocorrerá uma nova audiência.

Entenda a justificativa da Justiça para a prisão preventiva

A decisão de manter Deolane presa preventivamente foi justificada pela gravidade das acusações e pela necessidade de garantir que o processo transcorra sem interferências externas. A Justiça ressaltou que as investigações ainda estão em andamento e que o sigilo dos autos é fundamental para proteger a integridade do caso e das partes envolvidas.

Além disso, o Tribunal de Justiça de Pernambuco lembrou que Deolane Bezerra havia sido beneficiada pelo artigo 318A do Código de Processo Penal, que permite a substituição da prisão preventiva por domiciliar para mães de crianças pequenas. A empresária é mãe de uma menina de 8 anos, o que lhe rendeu esse benefício inicialmente. No entanto, o descumprimento das condições impostas pela Justiça levou à revogação dessa decisão.

Operação “Integration” e os desdobramentos

A operação “Integration” continua sendo um dos maiores focos das investigações conduzidas pela Polícia Civil. As autoridades estimam que o esquema de lavagem de dinheiro tenha movimentado cerca de R$ 3 bilhões, o que coloca esse caso entre as maiores operações já realizadas no Brasil em relação a jogos de azar.

Até o momento, a Justiça determinou o bloqueio de R$ 20 milhões em bens de Deolane Bezerra e R$ 14 milhões de sua empresa. A influenciadora havia aberto uma empresa de apostas em julho, com capital declarado de R$ 30 milhões, e as autoridades acreditam que essa empresa fazia parte do esquema de lavagem de dinheiro.

Outros envolvidos na operação

Além de Deolane, outros investigados foram presos e também estão cumprindo penas preventivas. Entre eles está Maria Eduarda Filizola, esposa do empresário Darwin Henrique, e Marcela Tavares, irmã de Darwin e sua sócia em algumas empresas. As duas também foram beneficiadas inicialmente pela prisão domiciliar, mas seguem sob investigação por seu papel no esquema.

Os próximos passos do processo incluem novas audiências e a possibilidade de mais desdobramentos envolvendo os investigados. A defesa de Deolane já indicou que pretende recorrer da decisão, buscando mais uma vez a concessão de habeas corpus para que a influenciadora possa responder ao processo em liberdade.

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