O primeiro bloco do debate promovido pela RedeTV! e UOL nesta terça-feira foi marcado por trocas de ofensas e gritos entre os candidatos Pablo Marçal (PRTB) e Ricardo Nunes (MDB), que disputam a Prefeitura de São Paulo. A mediadora do debate, Amanda Klein, teve que intervir e aplicar advertências a ambos, com risco de expulsão caso a situação se agravasse. A troca acalorada começou quando Nunes mencionou um processo judicial envolvendo Marçal, que foi respondido com xingamentos.
A discussão, que começou a esquentar durante um direito de resposta concedido a Marçal, se intensificou rapidamente, obrigando a intervenção da mediadora. A situação saiu de controle a ponto de Klein ameaçar interromper o debate. As regras, previamente acordadas entre as campanhas, incluem três níveis de punição, podendo resultar na expulsão do candidato caso as agressões verbais ou físicas se tornem recorrentes.
Contexto da discussão: acusações entre os candidatos
O embate entre Marçal e Nunes teve início quando o prefeito mencionou uma condenação de Marçal por furto qualificado, ocorrida em 2010, e que acabou prescrita. Marçal reagiu com veemência, acusando Nunes de corrupção e ameaçando colocá-lo na cadeia. A resposta do candidato do PRTB incluiu acusações sobre o uso indevido de recursos públicos em creches, supostamente cometidos por Nunes, o que desencadeou a troca de xingamentos.
Em meio ao caos, Nunes também reagiu, mas suas palavras se perderam na gritaria que tomou conta do palco. Amanda Klein, de imediato, aplicou as advertências e elevou o tom, exigindo que os candidatos se acalmassem e respeitassem as regras acordadas. Klein chegou a afirmar: “Eu vou interromper esse debate! Componham-se!”, deixando claro que, se a situação não fosse contida, ambos poderiam ser expulsos do programa.
Regras estabelecidas para o debate
As campanhas dos seis candidatos presentes no debate já haviam concordado com as regras previamente estabelecidas pela organização. De acordo com as normas, a primeira infração resulta em advertência, como ocorreu no primeiro bloco. Em uma segunda ocorrência, o tempo de resposta do candidato infrator é cassado, e, na terceira, ele é automaticamente expulso do debate. Além disso, é proibido o uso de objetos ou documentos que possam comprometer a integridade do debate, bem como a saída do púlpito durante o programa.
A equipe da RedeTV! também reforçou as medidas de segurança no estúdio, especialmente após os eventos anteriores envolvendo agressões físicas em debates eleitorais, o que adicionou tensão extra ao encontro desta terça-feira.
Primeiras provocações no início do debate
O início do confronto entre Marçal e Nunes começou antes mesmo da troca de xingamentos mais pesados. Marçal, ao ter a palavra pela primeira vez, provocou Nunes ao chamá-lo de “bananinha”. A produção do programa logo pediu que o candidato do PRTB usasse o nome real de Nunes ao se referir a ele. Em resposta, Marçal ironizou ao chamá-lo de “futuro ex-prefeito”, enquanto dedicava todo o seu tempo para discutir sobre a polêmica agressão cometida por José Luiz Datena, em outro debate.
Marçal aproveitou o momento para criticar o comportamento de Datena e insinuou que as cadeiras do palco haviam sido parafusadas no chão por causa do episódio anterior, no qual Datena jogou uma cadeira durante o debate. O empresário não poupou palavras ao caracterizar o comportamento de Datena como “análogo a um orangotango”, acusando-o de tentativa de homicídio.
Ofensas continuam e mediadora ameaça intervenção
Com a provocação lançada, Nunes respondeu dizendo estar “decepcionado” com o comportamento de Marçal desde o início do processo eleitoral, mencionando que ele só havia atacado outros candidatos, como Datena, Guilherme Boulos e Tabata Amaral. Nunes chegou a aconselhar o adversário: “Acho que isso é muito ruim pra você, e estou falando como se fosse teu pai que te deu tantos conselhos lá atrás. Precisamos elevar o nível.”
A troca de farpas, no entanto, continuou com Marçal mencionando ataques feitos por Nunes em inserções de rádio, que tentavam associá-lo ao Primeiro Comando da Capital (PCC). Essas inserções foram questionadas por Marçal, que considerou a atitude inapropriada e vinculada a pessoas de seu partido, mas não diretamente a ele.
Tensão crescente e risco de expulsão
O clima continuou tenso quando Marçal acusou Nunes de envolvimento em contratos suspeitos com empresas de ônibus, uma questão já investigada pelo Ministério Público de São Paulo. A situação ficou ainda mais acirrada quando Marçal acusou Nunes de agredir sua esposa, mencionando um boletim de ocorrência registrado em 2011. Nunes rapidamente rebateu as acusações e negou ter qualquer histórico de violência doméstica.
“Eu nunca levantei o dedo para minha esposa”, afirmou Nunes, rebatendo a acusação e reiterando que não cairia no “golpe” de Marçal, que, segundo ele, estaria tentando levar o debate para um lado sensacionalista. A moderadora Amanda Klein, mais uma vez, interveio para garantir que as regras fossem seguidas, mantendo o controle do debate.