A quarta-feira traz à tona mais um reencontro que promete ser tenso: Gustavo Scarpa, agora no Atlético-MG, estará em campo contra o Fluminense pelas quartas de final da Conmebol Libertadores. O meia, que já teve uma história promissora no clube carioca, carrega consigo lembranças amargas e uma relação conturbada com a torcida tricolor. A expectativa é de vaias e ressentimentos, que têm marcado os embates entre Scarpa e o Fluminense desde sua saída do clube, em 2018.
Ascensão e descontentamento de Scarpa no Fluminense
Gustavo Scarpa começou sua trajetória no Fluminense como uma das promessas da base de Xerém. Desde a sua subida ao elenco profissional em 2014, o meia demonstrou talento e rapidamente conquistou espaço no time titular. Seu momento de destaque veio no Brasileirão de 2015, quando marcou um gol crucial na vitória sobre o Athletico-PR, que ajudou a consolidar a vice-liderança do Tricolor.
Entretanto, por trás do sucesso no campo, a situação no clube estava longe de ser ideal. A gestão de Pedro Abad enfrentava problemas financeiros, com atrasos salariais recorrentes e promessas não cumpridas. Essa realidade foi minando a relação de Scarpa com o clube, e as primeiras rusgas começaram a surgir.
No vestiário, Scarpa também teve conflitos com outros jogadores. Um episódio marcante aconteceu em 2017, após uma derrota para o Corinthians. O zagueiro Henrique acusou o meia de “tirar o pé” em um lance crucial, o que gerou uma discussão acalorada, quase resultando em agressão física. Situações como essa contribuíram para o desgaste do relacionamento de Scarpa com o elenco e a diretoria.
Litígio e saída polêmica para o Palmeiras
O ápice da crise veio no fim de 2017. Insatisfeito com os atrasos salariais e com a estrutura do clube, Scarpa decidiu entrar na Justiça contra o Fluminense, pedindo a rescisão de seu contrato e uma indenização de mais de R$ 9 milhões. A ação foi fundamentada nos valores atrasados de direitos de imagem, FGTS e outras pendências financeiras.
Apesar de a diretoria do Fluminense ter tentado uma negociação para manter o jogador no clube, oferecendo um novo contrato e um aumento salarial, Scarpa já havia decidido que não permaneceria. As negociações para uma transferência para o Palmeiras, que já estavam em andamento, esbarraram em questões legais, mas o meia conseguiu uma liminar que permitiu sua saída do Fluminense.
A relação entre Scarpa e a torcida tricolor deteriorou-se ainda mais após o jogador conceder uma entrevista em que afirmou sentir-se “como um escravo” no clube devido aos atrasos salariais e à recusa da diretoria em liberá-lo. A declaração gerou uma onda de críticas, tanto da torcida quanto da diretoria, que considerou o termo utilizado inadequado.
Após conseguir sua rescisão na Justiça, Scarpa assinou com o Palmeiras em janeiro de 2018. Entretanto, a liminar que liberava o jogador foi cassada dois meses depois, obrigando-o a retornar ao Fluminense. Essa reviravolta gerou ainda mais animosidade, e o caso só foi resolvido definitivamente em outubro de 2018, quando ambas as partes chegaram a um acordo judicial.
O “acordo de paz” e os termos da resolução judicial
O acordo final entre Scarpa e o Fluminense envolveu o pagamento de 1,5 milhão de euros ao Tricolor, valor que seria descontado das luvas que o Palmeiras pagaria ao jogador. Além disso, o Fluminense garantiu um percentual de venda futura do atleta, e Scarpa abriu mão de parte das dívidas que o clube tinha com ele. O jogador também exigiu que o clube incluísse, em sua nota oficial de despedida, que ele sempre teve “conduta correta” durante sua passagem.
Apesar do acordo, as mágoas permaneceram. No Palmeiras, Scarpa começou a provocar a torcida do Fluminense, especialmente durante comemorações de títulos. Um dos episódios mais emblemáticos foi a comemoração do título da Libertadores de 2020, quando o jogador repetiu um gesto de insatisfação direcionado à torcida tricolor no setor sul do Maracanã, onde havia sido vaiado diversas vezes em seu período no clube.
Provocações e a relação com a torcida tricolor
A relação de Gustavo Scarpa com a torcida do Fluminense começou a se deteriorar ainda em 2017, durante um empate por 1 a 1 com o Bahia, no Maracanã. Na ocasião, após marcar o gol do Tricolor, Scarpa foi vaiado pelos torcedores. Visivelmente irritado, o meia encarou a torcida e balançou a cabeça em sinal de reprovação. A partir daquele momento, cada toque de Scarpa na bola era acompanhado por vaias.
As provocações continuaram mesmo após sua saída do Fluminense. Já como jogador do Palmeiras, Scarpa não hesitou em alimentar a animosidade com os tricolores. Na comemoração do título da Libertadores de 2020, conquistado no Maracanã, o jogador repetiu o gesto de insatisfação que havia feito anos antes, direcionado ao setor onde ficavam os torcedores do Fluminense. O ato foi visto como desrespeito e aumentou ainda mais o ressentimento da torcida.
Tentativa frustrada de negociação com o Flamengo
Em meio ao litígio com o Fluminense, Scarpa esteve próximo de se transferir para o maior rival do Tricolor, o Flamengo. O meia via com bons olhos a possibilidade de atuar pelo clube rubro-negro, e as negociações chegaram a avançar. Entretanto, o departamento jurídico do Flamengo optou por não seguir com o acordo, temendo que o Fluminense obtivesse uma vitória na Justiça e exigisse o pagamento de multas.
Com a saída do Flamengo das negociações, Scarpa focou em sua transferência para o Palmeiras, que acabou se concretizando, mas não sem polêmicas e reviravoltas. A decisão final da Justiça, em 2018, garantiu a liberação do jogador, que seguiu sua carreira no Verdão.
O reencontro e a expectativa de vaias no Maracanã
Quase sete anos após sua saída do Fluminense, Gustavo Scarpa volta ao Maracanã, agora como jogador do Atlético-MG, para enfrentar seu ex-clube em um duelo decisivo pelas quartas de final da Libertadores. A expectativa é de que o jogador, mais uma vez, seja alvo de vaias da torcida tricolor, que ainda não perdoou o meia pelos episódios que marcaram sua saída.
Apesar do clima de animosidade, Scarpa mantém sua postura firme e focada no futebol. No Atlético-MG, o meia tem se destacado como um dos principais jogadores do elenco e será peça-chave na busca pela classificação para a semifinal da Libertadores.

