Investigação revela movimentação milionária entre Deolane Bezerra e Apae Brasil, com suspeitas de envolvimento em lavagem de dinheiro através de rifas.
Investigação policial expõe esquema financeiro envolvendo Deolane Bezerra
A influenciadora digital e advogada Deolane Bezerra, de 36 anos, encontra-se no centro de uma investigação da Polícia Civil de Pernambuco que revela uma trama complexa de movimentações financeiras milionárias. A investigação aponta que Deolane teria se envolvido em esquemas de lavagem de dinheiro proveniente de jogos de azar e do famoso “jogo do bicho”, com valores significativos circulando entre ela e a Federação Nacional da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae Brasil).
As apurações começaram após a prisão de Darwin Henrique da Silva, dono da empresa Edscap, uma das principais investigadas no caso. A Edscap comercializa títulos de capitalização, os quais, segundo as investigações, eram utilizados para lavar dinheiro, especialmente através de rifas promovidas por Deolane.
A ligação entre Deolane, Edscap e Apae Brasil
Deolane Bezerra, que possui milhões de seguidores nas redes sociais, utilizava suas plataformas para promover sorteios de prêmios luxuosos, como carros de alto valor e grandes quantias em dinheiro. O ponto que chamou a atenção das autoridades foi a conexão dessas rifas com a Edscap, empresa pertencente a Darwin Henrique, que também é dono da Esportes da Sorte.
A Edscap operava em um formato de “filantropia premiável”, no qual os valores dos títulos de capitalização comprados eram destinados a entidades beneficentes, como a Apae Brasil. No entanto, a investigação descobriu que parte significativa desses valores era desviada para contas ligadas à influenciadora.
Milhões em transações suspeitas
Um dos principais documentos que levou a polícia a investigar as transações entre Deolane e a Apae foi um Relatório de Inteligência Financeira (RIF) do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que indicou movimentações suspeitas entre janeiro e março de 2024. Nesse período, foram identificados créditos de quase três milhões de reais na conta da Bezerra Publicidade, empresa da influenciadora. Segundo o relatório, esses valores seriam referentes a “serviços de publicidade” prestados por Deolane para a Apae.
No entanto, o Coaf apontou diversas inconsistências, como notas fiscais canceladas e a falta de contratos que comprovassem a prestação de serviços. O relatório também indicou que os prêmios sorteados por Deolane, incluindo carros de luxo e dinheiro, muitas vezes não pertenciam a terceiros, mas sim à própria influenciadora.
O papel da Edscap no esquema de rifas
A Edscap é uma empresa de títulos de capitalização que, em tese, deveria direcionar os valores arrecadados para entidades beneficentes. No entanto, a investigação policial sugere que Darwin Henrique da Silva, o proprietário da empresa, utilizava esses recursos para lavar dinheiro do jogo do bicho. Deolane, por sua vez, teria promovido essas rifas em suas redes sociais, gerando enorme visibilidade e atraindo muitos participantes.
Os sorteios promovidos por Deolane incluíam prêmios como maletas de dinheiro, viagens para o exterior e veículos de luxo, entre eles um Porsche 911 Carrera avaliado em R$ 1 milhão. Esses sorteios foram realizados entre 2023 e 2024 e levantaram suspeitas quando o Coaf descobriu que alguns dos bens rifados estavam registrados no nome da influenciadora, mesmo após ela ter afirmado que apenas fazia publicidade para terceiros.
As movimentações financeiras e os depoimentos
Durante as investigações, a Polícia Civil conseguiu identificar oito sorteios promovidos pela influenciadora em seu perfil e conectados à Edscap. Esses sorteios movimentaram prêmios de valores extremamente altos, como R$ 880 mil em dinheiro, além de carros como uma Toyota Hilux, um Land Rover Discovery e motocicletas de luxo.
Os documentos fiscais que justificariam essas transações foram requisitados, mas as respostas geraram mais desconfiança. Das 11 notas fiscais inicialmente apresentadas por Deolane, oito estavam canceladas. Posteriormente, foram enviadas cinco notas fiscais, totalizando mais de R$ 2 milhões. Mesmo assim, o Coaf destacou que as explicações fornecidas pela defesa da influenciadora não esclareciam o verdadeiro propósito das transações.
Depoimentos e evidências que comprometem Deolane
A Receita Federal também desempenhou um papel fundamental no avanço das investigações. Ao analisar o Imposto de Renda de Deolane, foi constatado que um dos veículos sorteados, uma Land Rover Discovery, estava declarado no nome da influenciadora, contradizendo a versão de que ela apenas fazia propaganda dos bens rifados. Esse dado levantou dúvidas sobre a verdadeira origem dos bens e sua relação com as rifas promovidas.
Além disso, as justificativas fornecidas pela influenciadora quanto aos créditos recebidos da Apae Brasil foram consideradas insatisfatórias pelos investigadores. Mesmo diante de solicitações formais de contratos de publicidade que sustentassem os depósitos milionários, Deolane se recusou a entregar os documentos solicitados, dificultando ainda mais o esclarecimento dos fatos.
O impacto do escândalo para Apae Brasil e Edscap
A Apae Brasil, uma organização historicamente reconhecida por seu trabalho social em prol das pessoas com deficiência, agora enfrenta um cenário de crise reputacional. As ligações da entidade com a Edscap e Deolane Bezerra, reveladas pela polícia, colocam em xeque sua atuação beneficente.
O fato de a Apae ter recebido valores provenientes de uma empresa envolvida em lavagem de dinheiro e posteriormente repassado parte desses valores à Bezerra Publicidade, aumenta a gravidade das acusações. Até o momento, a entidade não emitiu uma resposta clara sobre sua relação com Deolane ou os valores movimentados em suas contas bancárias.
O futuro do caso e as possíveis repercussões
As investigações em torno de Deolane Bezerra e suas conexões com a Edscap e a Apae Brasil continuam em andamento. A influenciadora, que até o momento nega envolvimento direto com atividades ilícitas, deve enfrentar novos questionamentos da polícia e da Justiça. Já Darwin Henrique, preso desde o início de setembro, poderá colaborar com as autoridades em troca de uma redução de pena, o que pode trazer à tona novos detalhes sobre o esquema de lavagem de dinheiro.
A expectativa é que nos próximos meses o caso ganhe ainda mais notoriedade, especialmente devido à grande exposição pública de Deolane, que é uma figura conhecida nas redes sociais e no meio jurídico. Se as suspeitas forem confirmadas, as consequências poderão ser severas tanto para ela quanto para as entidades envolvidas, afetando diretamente sua imagem e suas atividades empresariais.