No atual cenário do futebol sul-americano, o São Paulo, sob a liderança do técnico Luis Zubeldía, tem protagonizado uma jornada que remete aos seus tempos de glória. A equipe, que carrega uma tradição copeira, revive essa identidade ao longo da atual campanha na Copa Libertadores. Utilizando uma estratégia testada e aprovada, Zubeldía trouxe de volta o espírito de um São Paulo que sabe lidar com os momentos mais duros e decisivos, especialmente nas competições eliminatórias.
O Renascimento do Estilo Copeiro
O termo “copeiro” é amplamente utilizado no futebol sul-americano para definir times que têm um histórico positivo em competições eliminatórias, mostrando resiliência em jogos decisivos. O São Paulo, tricampeão da Libertadores e Mundial, é um exemplo claro desse estilo, com uma história marcada por grandes conquistas. Nos últimos anos, porém, o clube passou por períodos de oscilação, com eliminações traumáticas e poucas participações de destaque nas grandes competições. Com a chegada de Luis Zubeldía, o cenário começou a mudar.
O técnico argentino chegou ao clube paulista com uma proposta clara: resgatar o espírito vencedor do São Paulo nas competições internacionais. Sua metodologia, baseada em forte compactação defensiva e disciplina tática, tem surtido efeito. Desde que assumiu o comando, Zubeldía implantou um estilo de jogo que prioriza a solidez defensiva, algo que se mostrou fundamental para a campanha tricolor na Libertadores deste ano
As Táticas de Zubeldía: Defesa Sólida e Ataques Pontuais
Zubeldía, conhecido por seu trabalho na LDU, trouxe para o São Paulo uma fórmula tática já experimentada em outras competições sul-americanas. A defesa, que em tempos recentes era uma das grandes preocupações da torcida, se tornou a espinha dorsal do time. O São Paulo tem mostrado uma consistência defensiva impressionante, especialmente em jogos fora de casa, onde soube segurar placares importantes que mantêm o time vivo na competição.
Na partida contra o Botafogo, pelas quartas de final da Libertadores, Zubeldía escalou o São Paulo em um esquema com três zagueiros, utilizando uma formação que variava entre o 5-4-1 e o 3-5-2. A intenção era clara: fortalecer a defesa e explorar contra-ataques rápidos, buscando surpreender o adversário em transições ofensivas. No entanto, o time encontrou dificuldades no primeiro tempo, com poucas chances criadas e deixando espaços na intermediária. Foi apenas no segundo tempo, com substituições que trouxeram mais dinamismo ao meio-campo, que o São Paulo conseguiu equilibrar o jogo
Essa estratégia, mesmo que conservadora em alguns momentos, tem se mostrado eficiente. A ideia de “saber sofrer”, um mantra adotado por Zubeldía, é vista como parte do pacote copeiro que o São Paulo tenta reencarnar. “É Copa, se sofre e é assim”, comentou o treinador após o empate sem gols no primeiro jogo das quartas, destacando que as competições de mata-mata exigem paciência e disciplina
O Papel dos Jogadores: Adaptação e Mérito
Outro ponto de destaque na gestão de Zubeldía é sua capacidade de extrair o melhor de cada jogador. Diferente de outros treinadores recentes que passaram pelo clube, o argentino implementou uma política meritocrática, onde os atletas que se destacam nos treinos ganham mais minutos em campo. Isso é particularmente notável em jogadores como Patryck, Michel Araújo e Juan. Enquanto Patryck tem conquistado minutos importantes na lateral, Araújo foi reposicionado em sua função original no meio-campo, ganhando mais confiança e impactando diretamente nas partidas
Esse tipo de gestão trouxe resultados, com o time obtendo uma série de vitórias importantes e ganhando confiança a cada rodada. Mesmo em jogos complicados, como o confronto com o Botafogo, o time mostrou capacidade de adaptação, algo que Zubeldía considera essencial para o sucesso em torneios como a Libertadores. Ele acredita que jogos de Copa são definidos por detalhes e que os jogadores precisam entender e aceitar o sofrimento como parte do processo
Expectativas para a Retomada da Libertadores
O segundo jogo das quartas de final contra o Botafogo será um teste crucial para o São Paulo. Com o empate sem gols no primeiro confronto, a equipe precisa de uma vitória no Morumbi para garantir a classificação. Zubeldía, no entanto, não se mostra preocupado com a falta de gols na primeira partida. Para ele, o importante é que a defesa tem funcionado bem, e ele confia que o time será capaz de encontrar o “golpe no momento certo” para avançar na competição
Para o técnico argentino, essa fase eliminatória é o ponto onde o time precisa se firmar como uma verdadeira equipe copeira. Ele acredita que o apoio da torcida no Morumbi, combinado com a solidez defensiva que o time tem demonstrado, pode ser o fator decisivo para avançar às semifinais. Além disso, Zubeldía conta com o retorno de alguns jogadores importantes, que estavam suspensos ou lesionados no primeiro confronto, para aumentar as opções no ataque
Um Olhar para o Futuro: O Impacto de Zubeldía no São Paulo
Mesmo que o resultado final da temporada ainda esteja em aberto, é inegável o impacto positivo que Luis Zubeldía teve no São Paulo desde sua chegada. Sua filosofia de jogo, que prioriza a organização e a disciplina, caiu como uma luva em um clube que vinha sofrendo com a falta de consistência nos últimos anos. Mais do que isso, ele conseguiu recuperar a confiança de um elenco que parecia perdido e trouxe de volta o espírito copeiro que fez parte da história vitoriosa do clube.
Para os torcedores, há um sentimento crescente de que o São Paulo está no caminho certo para voltar ao topo do futebol sul-americano. A próxima etapa da Libertadores será decisiva, mas independentemente do resultado, Zubeldía já deixou sua marca no Tricolor. Seu foco em criar um time resiliente, capaz de suportar a pressão dos jogos decisivos, é o que pode fazer a diferença para o São Paulo nas competições futuras.