“Ainda Estou Aqui” é escolhido para representar o Brasil no Oscar 2025

Ainda estou aqui

Ainda estou aqui - Foto: Reprodução

O filme “Ainda Estou Aqui”, dirigido por Walter Salles, foi escolhido para representar o Brasil na disputa por uma vaga na categoria de Melhor Filme Internacional no Oscar 2025. A decisão foi anunciada pela Academia Brasileira de Cinema e Artes Audiovisuais (ABCAA) nesta segunda-feira, 23 de setembro de 2024, confirmando o longa como a escolha oficial do país.

O filme, que traz em seu elenco nomes de peso como Fernanda Torres e Selton Mello, narra a história de Eunice Paiva, uma ativista de direitos humanos que enfrentou um dos momentos mais sombrios da história do Brasil: a ditadura militar. A trama é baseada na obra de Marcelo Rubens Paiva, filho de Eunice, e aborda a busca da família por justiça após o desaparecimento de Rubens Paiva, importante figura política durante o regime.

O anúncio de “Ainda Estou Aqui” como o representante brasileiro no Oscar não surpreendeu muitos, já que o filme vem acumulando elogios desde sua estreia em festivais internacionais. Em setembro de 2024, o longa foi ovacionado no Festival de Veneza, onde recebeu o prêmio de Melhor Roteiro. O público presente ofereceu dez minutos de aplausos à produção, o que reforçou o prestígio internacional da obra.

Competição interna e cenário internacional

Na disputa para ser o indicado brasileiro, “Ainda Estou Aqui” superou concorrentes de peso, como “Cidade Campo” de Juliana Rojas, “Levante” de Lillah Halla e “Motel Destino” de Karim Aïnouz. A decisão foi unânime entre os membros da Comissão de Seleção da Academia Brasileira, que destacaram a relevância e a qualidade do longa.

O próximo passo será submeter o filme à avaliação da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood, organizadora do Oscar. No dia 17 de dezembro de 2024, será divulgada uma lista com os filmes pré-selecionados, que passarão por um novo processo de análise até a definição dos cinco finalistas que disputarão o prêmio de Melhor Filme Internacional.

Essa seleção é extremamente competitiva, já que grandes obras de todo o mundo competem por uma das vagas na categoria. Mesmo assim, há um otimismo generalizado entre os críticos e a indústria cinematográfica brasileira de que “Ainda Estou Aqui” tem chances reais de figurar entre os indicados. Caso o filme seja selecionado, será a primeira vez desde “Central do Brasil” em 1999, também dirigido por Walter Salles, que o Brasil volta a concorrer nessa categoria. Curiosamente, “Central do Brasil” também teve Fernanda Montenegro no elenco, estabelecendo uma conexão simbólica entre os dois filmes.

Contexto histórico e a narrativa envolvente

O longa se destaca por seu enredo profundamente tocante, que traz à tona memórias dolorosas da ditadura militar no Brasil. A trama acompanha a jornada de Eunice Paiva, interpretada por Fernanda Torres, uma mulher que, após a morte do marido Rubens Paiva (Selton Mello), um político brasileiro assassinado pelo regime ditatorial, se reinventa como uma das figuras mais importantes na luta pelos direitos humanos no país.

Além de retratar a história da família Paiva, “Ainda Estou Aqui” lança luz sobre as feridas abertas de um país que ainda lida com as consequências desse período violento. O filme é uma reflexão sobre memória, justiça e resiliência, temáticas que, embora profundamente brasileiras, têm apelo universal, o que pode aumentar suas chances de ser reconhecido pela Academia de Hollywood.

A direção de Walter Salles, reconhecido internacionalmente por suas produções anteriores, como “Central do Brasil” e “Diários de Motocicleta”, traz um toque refinado à narrativa, fazendo com que o filme se comunique tanto com o público nacional quanto com o internacional. Salles é conhecido por seu estilo sensível e pela capacidade de transformar histórias pessoais em relatos épicos sobre a condição humana.

Reações da crítica e o impacto esperado

Desde seu lançamento em festivais, a recepção crítica a “Ainda Estou Aqui” tem sido amplamente positiva. A atuação de Fernanda Torres, em especial, foi destacada como uma das mais poderosas de sua carreira. Muitos críticos apontam o filme como um forte candidato a não apenas figurar entre os indicados ao Oscar, mas também a conquistar o prêmio.

Barbara Paz, presidente da Comissão de Seleção da ABCAA, declarou que a escolha do filme foi um consenso, e elogiou a obra por seu retrato emocionante de uma família em meio a um regime opressor. Segundo ela, o filme possui uma qualidade artística capaz de colocá-lo em uma posição de destaque no cenário cinematográfico internacional.

Além da aclamação por sua narrativa e performances, a obra também se destacou por sua técnica cinematográfica. A fotografia, o uso de trilha sonora e o trabalho de edição contribuíram para criar uma atmosfera que envolve o espectador, intensificando o impacto emocional da história.

Expectativas e próximos passos

Com o anúncio de “Ainda Estou Aqui” como representante oficial do Brasil, a expectativa agora gira em torno de sua campanha para conseguir uma vaga entre os finalistas do Oscar. A equipe de produção já começou a planejar a estratégia de divulgação, que envolve exibições do filme em diferentes mercados, bem como sua promoção nas redes sociais e em eventos dedicados ao cinema internacional.

A data de estreia comercial do filme no Brasil foi marcada para 7 de novembro de 2024, o que permitirá ao público nacional ter acesso à obra antes da divulgação da lista dos pré-selecionados para o Oscar. A estreia será acompanhada de uma série de entrevistas e eventos, visando aumentar o buzz em torno da produção tanto no Brasil quanto no exterior.

Se tudo correr conforme o esperado, “Ainda Estou Aqui” poderá colocar o cinema brasileiro novamente sob os holofotes da maior premiação cinematográfica do mundo, algo que a indústria do país espera há décadas.

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