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Lula critica acordos climáticos e defende Palestina em discurso na ONU

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© Rafa Neddermeyer/Agência Brasil © Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva abriu nesta terça-feira (24) a 79ª Assembleia Geral da ONU em Nova York com um discurso abrangente, destacando temas globais urgentes como a crise climática, conflitos no Oriente Médio e na Ucrânia, e a luta dos palestinos por um Estado próprio. O discurso, por tradição, é sempre iniciado pelo Brasil no debate geral dos líderes mundiais. Lula apresentou uma forte crítica aos acordos internacionais de redução de carbono, aos quais chamou de “promessas vazias”, e reforçou a necessidade de reformar as instituições globais para enfrentar os desafios do mundo moderno.

O conflito palestino e as guerras globais

Logo no início do discurso, Lula dirigiu-se diretamente à delegação palestina, presente pela primeira vez como observadora na sessão de abertura. O presidente brasileiro ressaltou o apoio histórico do Brasil à luta palestina por um território próprio, saudando o presidente Mahmoud Abbas. Ele afirmou que a situação no Oriente Médio, somada à guerra na Ucrânia, é um reflexo da ineficácia das Nações Unidas em mediar e resolver conflitos. “Vivemos em um tempo de crescentes angústias e tensões, e as Nações Unidas não estão suficientemente equipadas para enfrentar essa nova realidade”, declarou.

Lula destacou que 2023 já ostenta o recorde de maior número de conflitos globais desde a Segunda Guerra Mundial. “Gastos militares continuam a crescer em ritmo alarmante, chegando a 2,4 trilhões de dólares globalmente. Recursos que poderiam ter sido investidos para combater a fome e mitigar as mudanças climáticas”, apontou.

A crise climática: um apelo por ações concretas

Lula utilizou seu discurso para criticar veementemente os compromissos não cumpridos por países ricos no que se refere à crise climática. “O planeta está farto de promessas vazias e de metas de redução de emissões que são constantemente negligenciadas. Não podemos mais esperar”, declarou o presidente, apontando as catástrofes naturais que ocorreram recentemente no Brasil, como a maior enchente no sul desde 1941 e a seca recorde na Amazônia.

Com o foco em compromissos climáticos, Lula também mencionou que o ano de 2024 caminha para ser o mais quente da história moderna, destacando o impacto devastador do aquecimento global no Brasil e em todo o mundo. Ele afirmou que o Brasil está disposto a fazer mais, mas que é essencial que os países desenvolvidos cumpram suas promessas financeiras para auxiliar os mais pobres na luta contra as mudanças climáticas.

Reforma das instituições globais

Uma das críticas centrais de Lula foi direcionada às instituições internacionais, como o Conselho de Segurança da ONU, que, segundo ele, precisam urgentemente de reformas. Ele ressaltou a necessidade de democratizar essas instituições para que elas possam responder de maneira mais eficiente aos desafios globais. “As Nações Unidas foram criadas em uma era diferente, e hoje o mundo demanda uma ONU mais ágil e inclusiva. Precisamos de uma ONU com poder real de influenciar nas questões críticas, como conflitos e mudanças climáticas”, afirmou.

Lula também pediu maior inclusão de países emergentes em decisões globais e defendeu o fortalecimento de fóruns internacionais que permitam um diálogo mais equitativo entre as nações.

América Latina e o fortalecimento da democracia

Lula abordou a situação da América Latina, defendendo a integração e a estabilidade política da região. Ele ressaltou que a democracia continua sendo um pilar fundamental para o desenvolvimento dos países e destacou os avanços conquistados pelo Brasil em seu retorno ao cenário internacional. O presidente condenou o avanço de “falsos patriotas” que, segundo ele, usam o discurso nacionalista para promover divisões e minar a democracia.

O chefe de Estado brasileiro também afirmou que o Brasil continuará a se opor a golpes e intervenções militares na América Latina e a defender a soberania das nações.

A inteligência artificial e os desafios do futuro

Outro ponto relevante do discurso de Lula foi a questão da inteligência artificial (IA) e os desafios éticos e regulatórios que essa tecnologia apresenta. Ele pediu por uma regulamentação mais rigorosa em nível internacional, alertando que o uso irresponsável da IA pode aumentar as desigualdades e causar danos significativos se não for devidamente controlado. “Precisamos discutir não apenas os benefícios, mas também os riscos da inteligência artificial, que pode ser usada tanto para o bem quanto para ampliar injustiças”, afirmou.

Recursos para países pobres e crítica aos bilionários

Lula concluiu seu discurso fazendo uma dura crítica ao acúmulo de riqueza por bilionários, enquanto bilhões de pessoas em todo o mundo continuam a viver na pobreza extrema. Ele pediu que os países ricos assumam maior responsabilidade no financiamento de projetos de desenvolvimento e combate à pobreza nos países mais vulneráveis.

O presidente enfatizou que o atual sistema econômico global favorece os mais ricos e que é hora de uma redistribuição mais justa de recursos. Ele também ressaltou que os esforços para combater a crise climática não devem recair sobre os ombros dos países mais pobres.

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