Jovens talentos do tênis brasileiro rompem barreiras e ensaiam voos no cenário internacional

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sergey kolesnikov/shutterstock.com

A nova geração de tenistas brasileiros já dá os primeiros passos no cenário profissional, surpreendendo com resultados expressivos em torneios juvenis e internacionais. Os jovens atletas, provenientes de diferentes regiões do Brasil, começam a se destacar em um ritmo mais acelerado, com apoio técnico, físico e psicológico sólido desde cedo. Diferente das gerações passadas, a atual leva de promissores talentos possui um número maior de adolescentes com estrutura para desenvolver todo o seu potencial.

À frente dessa nova safra estão as adolescentes Nauhany Silva, de São Paulo, e Victoria Barros, do Rio Grande do Norte, ambas com 14 anos. No masculino, os destaques são o goiano Luís Augusto Miguel, de 15 anos, e o cuiabano Livas Damazio, também de 14. O time feminino ainda conta com Pietra Rivoli, do Rio Grande do Sul, e a mais jovem do grupo, Flávia Cherobim, do Paraná, com apenas 13 anos.

Desenvolvimento precoce com apoio profissional

Para Léo Azevedo, técnico experiente com passagens por importantes centros de tênis no Reino Unido, Estados Unidos e Espanha, é impressionante ver jovens sub-15 brasileiros já figurando entre os melhores do mundo. “Temos duas meninas, Nauhany e Victoria, que estão no top mundial para a idade delas. No masculino, Luís Augusto é um nome forte e promissor. É uma geração com grandes chances de destaque internacional”, avalia Azevedo.

O comentarista Fernando Meligeni, ex-tenista e atual analista de tênis, observa que o diferencial dessa geração está no volume de jovens jogadores de alta qualidade competindo simultaneamente. “Se antes tínhamos alguns talentos isolados, hoje vemos uma quantidade maior de jovens promissores surgindo juntos, o que é essencial para fomentar um futuro sólido para o tênis brasileiro”, comenta.

As conquistas iniciais e a rotina exigente

Nauhany Silva, apelidada de Naná, já marcou presença no ranking mundial da WTA, tornando-se a mais jovem da lista com apenas 14 anos. Em comparação, Beatriz Haddad Maia, a maior tenista do Brasil desde Maria Esther Bueno, entrou no ranking apenas aos 15 anos. Com isso, Naná já se destaca pela precocidade, após estrear em um torneio Grand Slam na categoria juvenil em Roland Garros, na França. “As viagens aumentaram bastante desde o ano passado”, afirma a jovem tenista.

Victoria Barros, por sua vez, mudou-se para a França, onde treina na prestigiada academia de Patrick Mouratoglou, que já trabalhou com estrelas como Serena Williams e Naomi Osaka. Para ela, a mudança representa um passo importante na carreira, já que a jovem tenista enfrenta adversárias mais velhas e experientes, mas não se intimida. “No tênis, o que importa é o jogo e não a idade ou o tamanho. É por isso que eu entro em quadra com confiança”, diz Victoria.

Os desafios para os meninos do time

No masculino, Luís Augusto Miguel, conhecido como Guto, é o principal nome da nova safra. Com um histórico de conquistas em torneios de base como a Copa Guga, Guto já se adaptou à rotina intensa de viagens internacionais, conhecendo 13 países só no último ano. Desde pequeno, o tênis sempre esteve presente em sua vida, com histórias curiosas como o fato de seu pai ter se ausentado de seu nascimento por estar hospitalizado após um acidente em uma partida de tênis. “Eu comecei a jogar no paredão aos cinco anos”, relembra.

O equilíbrio entre os estudos e a carreira esportiva

Mesmo com a rotina puxada de treinos e competições, abandonar a escola não é uma opção para esses jovens. Todos continuam seus estudos por meio de aulas e provas online. “Eu faço o nono ano online e já penso em cursar uma faculdade, mas ainda estou indecisa sobre qual área seguir”, conta Naná. Para Guto, o desafio de conciliar estudos e tênis é grande, mas ele encontra formas de equilibrar ambas as atividades. “Em torneios internacionais, eu estudo à tarde depois dos jogos”, afirma.

A estruturação de horários e a disciplina necessária são características que esses jovens atletas precisam desenvolver desde cedo para dar conta de todas as exigências. O uso de aplicativos de ensino auxilia bastante, tornando mais prático para eles acompanhar o currículo escolar enquanto viajam para competir.

Novos estilos de treinamento

A caçula do grupo, Flávia Cherobim, com apenas 13 anos, já é a mais jovem sul-americana a pontuar no ranking juvenil. Com uma trajetória que inclui passagens pela natação e ginástica antes de se firmar no tênis, Flávia começou a treinar aos seis anos e hoje conta com uma equipe profissional que inclui acompanhamento psicológico e aulas de ioga. “O equilíbrio mental é tão importante quanto o físico”, explica o pai da jovem atleta.

Viagens e treinos: a nova rotina de atletas globais

Com a globalização do tênis, competir fora do país se tornou uma necessidade. Em 2023, Naná participou de 20 torneios internacionais, enquanto Guto e Victoria somam uma agenda que envolve constantemente viagens à Europa e América do Norte. “Jogar em diferentes superfícies e enfrentar novos adversários nos dá mais experiência e maturidade”, analisa Guto.

Mas essa rotina intensa vem acompanhada de grandes desafios. Os custos elevados e a distância de casa são apenas algumas das dificuldades enfrentadas pelos tenistas e suas famílias. Além disso, há a pressão por resultados e a necessidade de manter o equilíbrio emocional.

A base forte como pilar do sucesso

O suporte que esses jovens recebem é parte de um movimento maior de renovação do tênis brasileiro, liderado por iniciativas como a Rede Tênis Brasil, uma entidade sem fins lucrativos que investe fortemente no desenvolvimento de novos talentos. “O objetivo é dar o suporte necessário para que eles cresçam dentro e fora de quadra”, explica Léo Azevedo, head coach do projeto. Com a estrutura certa, esses jovens têm a oportunidade de desenvolver suas habilidades sem abreviar etapas importantes da adolescência.

O futuro ainda é uma incógnita

Apesar dos primeiros resultados animadores, os especialistas são cautelosos quanto a previsões para o futuro. “Marcar pontos no ranking não significa que o atleta já é um profissional. Ainda há um longo caminho pela frente”, alerta Azevedo. “Definir alguém como profissional tão cedo tira um pouco da essência do jogo lúdico e prazeroso que deve estar presente nesta fase.”

O tênis brasileiro como um novo polo juvenil

Com mais de 70 torneios organizados entre 2021 e 2024, a Confederação Brasileira de Tênis (CBT) tem dado oportunidades para que jovens promessas compitam sem a necessidade de viajar constantemente para fora do país. “O crescimento do número de competições juvenis é um fator essencial para o desenvolvimento dos tenistas locais”, destaca o presidente da CBT, Rafael Westrupp.

Maior investimento para colher frutos no futuro

O avanço do tênis brasileiro passa também por maior investimento financeiro e apoio técnico. Em comparação com países como Itália e Espanha, que oferecem grande número de competições para jovens, o Brasil ainda enfrenta desafios financeiros e de estrutura. “Estamos fazendo um bom trabalho com os recursos que temos, mas há muito a melhorar”, afirma Meligeni.

Com mais incentivo e continuidade no trabalho, as expectativas são de que o Brasil possa voltar a ter uma posição de destaque no cenário internacional, formando novas estrelas para competir entre os melhores do mundo.

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