A recente tentativa do São Paulo de utilizar a Vila Viva Sorte, estádio do Santos, para o confronto contra o Vasco pelo Campeonato Brasileiro, foi recusada pelo clube santista. O pedido foi feito pelo presidente do São Paulo, Julio Casares, que procurou Marcelo Teixeira, representante santista, para discutir a possibilidade de jogar na casa do Peixe. Contudo, a resposta foi negativa, evidenciando a deterioração da relação entre os clubes quando o assunto é o empréstimo de estádios.
A recusa do Santos foi justificada com base no princípio da reciprocidade. Desde março deste ano, o São Paulo tem se recusado a ceder o MorumBIS para o Santos em diversas ocasiões, como nas semifinais do Campeonato Paulista, quando o Peixe teve que jogar na Neo Química Arena, e em outras partidas importantes ao longo da Série B. Para o clube santista, a resposta negativa é uma forma de devolver na mesma moeda.
São Paulo justifica preservação do MorumBIS
O São Paulo, por sua vez, defende sua postura afirmando que as negativas ao Santos são motivadas pela preservação do gramado do MorumBIS, especialmente em momentos cruciais do calendário esportivo. O clube tricolor chegou a utilizar a Vila Viva Sorte em novembro de 2023, quando venceu o Red Bull Bragantino pelo Campeonato Brasileiro, mas acredita que o acordo firmado naquela época já foi cumprido.
Em fevereiro de 2024, o Santos pôde mandar um jogo no MorumBIS, enfrentando e vencendo o São Bernardo por 2 a 1, pelo Campeonato Paulista, como parte do entendimento entre as duas equipes. Para a diretoria são-paulina, o pacto de cooperação entre os clubes se encerrou com essa partida e não há obrigatoriedade de ceder novamente o estádio.
Impacto dos shows de Bruno Mars no MorumBIS
A necessidade de buscar um estádio alternativo surgiu devido aos shows do cantor Bruno Mars, que acontecerão no MorumBIS em outubro. O palco dos eventos, montado para receber milhares de pessoas, inviabiliza a realização de partidas até que a desmontagem esteja completamente finalizada, o que não será possível a tempo do jogo entre São Paulo e Vasco, marcado para o dia 16 de outubro.
A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) antecipou o confronto, agravando a situação logística do São Paulo, que precisou buscar um local adequado e dentro das normas do campeonato. Oficialmente, a CBF impede que os clubes mandem jogos fora do estado nas rodadas finais, o que restringe as opções para o time tricolor.
Alternativas consideradas pelo São Paulo
Diante da negativa do Santos, o São Paulo passou a estudar outras opções. O estádio Brinco de Ouro, em Campinas, e o Santa Cruz, em Ribeirão Preto, surgem como possibilidades. Ambos oferecem capacidade e condições adequadas para receber um confronto importante pelo Campeonato Brasileiro, mas nenhum deles é tão ideal quanto a Vila Viva Sorte, segundo a diretoria são-paulina.
A escolha de um estádio envolve não apenas questões técnicas, como a qualidade do gramado, mas também fatores de logística e localização. Nesse sentido, a Vila Viva Sorte teria sido a solução mais conveniente, por estar situada na região metropolitana de São Paulo, facilitando o deslocamento dos torcedores e da equipe.
Divisão de ingressos gera desconforto
Outro ponto de atrito entre os clubes está relacionado à possível divisão dos ingressos no estádio Mané Garrincha, em Brasília, outra alternativa para a partida. Há um desconforto nos bastidores devido à proposta dos administradores do estádio de distribuir igualmente os ingressos entre as torcidas de São Paulo e Vasco. Essa medida, se implementada, contrariaria o costume de privilegiar a torcida do mandante, o que pode desagradar o São Paulo.
O presidente Julio Casares ainda não desistiu completamente da Vila Viva Sorte. Ele considera que um novo acordo com o Santos poderia ser benéfico para ambos os clubes, especialmente pela qualidade do gramado e a proximidade geográfica. Contudo, a diretoria do Peixe mantém sua posição de não ceder o estádio sem contrapartidas claras.
Relembre o acordo entre os clubes
Em novembro de 2023, São Paulo e Santos firmaram um acordo que permitiu ao Tricolor Paulista utilizar a Vila Viva Sorte em uma partida do Brasileirão contra o Red Bull Bragantino. A contrapartida foi oferecida em fevereiro de 2024, quando o Santos pôde mandar seu jogo contra o São Bernardo no MorumBIS.
Na época, a colaboração entre os rivais foi vista como uma forma de fortalecer as relações entre os clubes, mas a sequência de recusas por parte do São Paulo em 2024 azedou o clima entre as diretorias. Para o Santos, as negativas são-paulinas representaram uma quebra de confiança, dificultando novos entendimentos.
Por outro lado, o São Paulo argumenta que, ao proteger o gramado do MorumBIS, está apenas cumprindo com suas responsabilidades como gestor do estádio, uma vez que o calendário esportivo já sobrecarrega a estrutura física do local, especialmente em momentos decisivos.
Consequências do impasse
O impasse entre os clubes não afeta apenas a relação institucional, mas também o planejamento esportivo das equipes. O Santos, em particular, enfrenta desafios logísticos ao não conseguir utilizar o MorumBIS em partidas decisivas, o que impacta diretamente o desempenho do clube em competições importantes.
Já o São Paulo, que continua buscando um local adequado para enfrentar o Vasco, corre contra o tempo para garantir que tudo esteja organizado até a data do jogo. A indefinição sobre o estádio coloca uma pressão adicional sobre a diretoria tricolor, que precisa lidar com os imprevistos causados pelos shows no MorumBIS.
A disputa por estádios entre clubes rivais não é uma novidade no futebol brasileiro, mas a situação entre São Paulo e Santos destaca como a falta de cooperação pode prejudicar ambos os lados, criando obstáculos desnecessários em uma temporada já desafiadora.
Perspectivas futuras
A expectativa agora é que o São Paulo consiga definir seu estádio alternativo nas próximas semanas, buscando uma solução que atenda tanto às necessidades logísticas quanto às exigências da CBF. Enquanto isso, o Santos continua focado em suas competições, aguardando novas oportunidades para negociar com o Tricolor Paulista em condições mais favoráveis.
Ainda não há um consenso sobre como essa relação entre os clubes será conduzida no futuro, mas é provável que a disputa por estádios continue a ser um tema de discussão, especialmente se o calendário esportivo seguir pressionando as estruturas físicas das arenas.