Benefícios

Auxílio-doença negado no INSS: os 4 erros mais comuns que levam ao indeferimento

carteira de trabalho inss aposentadoria
Carteira de Trabalho e Previdência: cesarvr/depositphotos.com Carteira de Trabalho e Previdência: cesarvr/depositphotos.com

Solicitar o auxílio-doença no INSS pode ser um processo delicado e frustrante para muitos segurados. O benefício, que é destinado a trabalhadores temporariamente incapacitados para o trabalho, depende de uma série de exigências legais e documentais para ser concedido. No entanto, é comum que erros cometidos ao longo do processo resultem no indeferimento do pedido, deixando o segurado sem o suporte financeiro que necessita. Para evitar essas situações, é fundamental conhecer os quatro principais erros que podem levar à negação do auxílio-doença.

1. Documentação incompleta ou incorreta

Um dos principais motivos para a negativa do auxílio-doença é a apresentação de documentos incompletos ou incorretos. O processo exige que o segurado forneça uma série de documentos, incluindo laudos médicos, exames e relatórios detalhados que comprovem a incapacidade para o trabalho. Além disso, é essencial que esses documentos sejam atualizados e preenchidos de maneira correta.

Por exemplo, se o trabalhador apresenta um laudo médico antigo ou sem as informações necessárias, como o Código Internacional de Doenças (CID), a perícia médica do INSS pode concluir que não há evidências suficientes para justificar a concessão do benefício. Além disso, a ausência de documentos que comprovem as contribuições ao INSS nos últimos 12 meses também pode resultar no indeferimento.

Para evitar essa situação, os segurados devem revisar cuidadosamente toda a documentação antes de enviá-la ao INSS. Laudos médicos devem ser recentes e incluir todos os detalhes da doença ou condição que incapacita o trabalhador temporariamente. A organização de documentos, como carteira de trabalho, carnês de contribuição e comprovantes de pagamentos ao INSS, também é essencial.

2. Falta de averbação de sentença trabalhista

Outro erro comum que leva ao indeferimento do auxílio-doença é a falta de averbação de sentenças trabalhistas no Cadastro Nacional de Informações Sociais (CNIS). Quando um trabalhador ganha uma ação na Justiça do Trabalho, seja por direitos relacionados a vínculos empregatícios ou por valores devidos, esses dados precisam ser devidamente registrados no sistema do INSS. A averbação é o processo que garante que esses direitos sejam considerados na análise do pedido de benefício.

Sem essa atualização, o tempo de contribuição pode não ser considerado corretamente, resultando em uma negativa do auxílio-doença por falta de tempo mínimo de contribuição. É essencial que os segurados verifiquem se os dados de sua situação trabalhista e previdenciária estão corretos e atualizados no sistema do INSS.

3. Falta de qualidade de segurado

Outro aspecto fundamental para garantir o recebimento do auxílio-doença é manter a qualidade de segurado. Para ter direito ao benefício, o trabalhador deve estar em dia com suas contribuições ao INSS ou dentro do período de graça, que é o tempo em que o trabalhador mantém sua qualidade de segurado mesmo sem contribuir.

Muitos segurados perdem esse direito por falta de contribuições regulares, o que resulta no indeferimento do pedido. Em casos em que o trabalhador não realiza contribuições há mais de um ano, ele pode perder o status de segurado, impedindo-o de solicitar o auxílio-doença.

A solução é sempre estar atento às contribuições e, em casos de perda da qualidade de segurado, buscar orientações sobre como regularizar a situação antes de solicitar o benefício.

4. Não cumprir os prazos de prorrogação

Um erro comum entre os segurados que já estão recebendo o auxílio-doença é deixar passar o prazo para prorrogar o benefício. O auxílio-doença é concedido por um período determinado, ao final do qual o segurado deve passar por uma nova perícia para verificar se ainda está incapacitado para o trabalho. Se o trabalhador não solicitar a prorrogação dentro do prazo estipulado pelo INSS, o benefício será automaticamente encerrado.

O prazo para solicitar a prorrogação é de pelo menos 15 dias antes do fim do benefício. Caso contrário, o segurado terá que passar por todo o processo de solicitação novamente, incluindo a realização de uma nova perícia. Isso pode resultar na suspensão do benefício, deixando o trabalhador sem apoio financeiro até que o novo pedido seja analisado.

Como evitar o indeferimento do auxílio-doença

Além dos erros listados, existem outras práticas que podem ajudar a garantir que o pedido de auxílio-doença seja aprovado sem complicações:

  • Organizar a documentação com antecedência: Reúna todos os documentos necessários, incluindo relatórios médicos detalhados e provas de contribuição ao INSS. Certifique-se de que os laudos médicos são claros, detalhados e recentes.
  • Ficar atento aos prazos: Não perca os prazos para solicitar a prorrogação do auxílio-doença ou para recorrer de uma negativa do INSS. O prazo para entrar com recurso é de 30 dias após o indeferimento.
  • Manter o CNIS atualizado: Verifique se suas informações trabalhistas estão corretamente registradas no CNIS, incluindo períodos de vínculo empregatício e contribuições ao INSS.
  • Consultar um especialista: Contar com a ajuda de um advogado especializado em direito previdenciário pode ser um diferencial no momento de solicitar ou recorrer de uma decisão de indeferimento. Um profissional pode garantir que toda a documentação esteja em ordem e fornecer orientações sobre os próximos passos​.

O que fazer em caso de indeferimento?

Se o seu pedido de auxílio-doença foi negado, não desista imediatamente. Existem duas principais formas de recorrer da decisão:

  1. Recurso administrativo: O segurado pode apresentar um recurso diretamente ao INSS, solicitando uma nova análise do caso. Esse recurso deve ser feito dentro do prazo de 30 dias e deve incluir novos documentos ou justificativas que contestem a decisão original.
  2. Ação judicial: Caso o recurso administrativo seja negado, o segurado pode ingressar com uma ação judicial para buscar a revisão da decisão. Embora não seja obrigatório contratar um advogado, contar com o suporte de um profissional pode facilitar o processo e garantir que todos os detalhes legais sejam cumpridos.

Solicitar o auxílio-doença pode ser um processo complicado, mas ao evitar erros como a apresentação de documentação incompleta, a falta de averbação de sentenças trabalhistas, a perda da qualidade de segurado e o não cumprimento de prazos, os segurados podem aumentar suas chances de sucesso. É fundamental estar atento a todos os detalhes e, quando necessário, buscar auxílio especializado para garantir que os direitos previdenciários sejam assegurados.

To Top