Nesta terça-feira, 12 de novembro, a Sessão da Tarde da TV Globo exibe “Harriet – O Caminho para a Liberdade”, filme que retrata a inspiradora jornada de Harriet Tubman, ícone da luta pela liberdade e contra a escravidão nos Estados Unidos. O longa destaca a coragem de Tubman, que, após fugir da escravidão, dedicou-se a libertar outras pessoas em condições semelhantes, consolidando-se como símbolo de resistência.
O filme, lançado em 2019, conta com a atuação de Cynthia Erivo no papel principal, sendo elogiado tanto pela performance da atriz quanto pela direção de Kasi Lemmons. Além de trazer a narrativa heroica de Tubman, o longa gerou debates sobre representatividade e escolhas de elenco, especialmente após a revelação de que, em um momento, foi sugerido que Julia Roberts interpretasse Harriet. A exibição de “Harriet” promete não só entreter, mas também educar e despertar reflexões sobre justiça e resistência.
A vida e a jornada de Harriet Tubman
Harriet Tubman nasceu em 1822, no estado de Maryland, em meio à dura realidade da escravidão. Desde jovem, ela enfrentou situações extremas de opressão e violência. Em 1849, ao conseguir escapar para o norte dos Estados Unidos, ela conquistou sua liberdade, mas sua luta estava longe de terminar. Em vez de permanecer segura, Tubman retornou repetidas vezes ao sul, ajudando a libertar familiares, amigos e muitos outros por meio da “Underground Railroad” — uma rede secreta de rotas e abrigos utilizados para escapar da escravidão.
Essa rede, formada por abolicionistas e simpatizantes da causa, ajudou cerca de 100.000 escravizados a fugirem para a liberdade. Harriet foi uma das figuras centrais desse sistema, arriscando-se inúmeras vezes em perigosas jornadas. Ao longo de uma década, ela teria liderado aproximadamente 13 missões e resgatado ao menos 70 pessoas, incluindo parentes e conhecidos, sempre com grande sigilo e enfrentando riscos constantes.
Produção e elenco do filme
“Harriet – O Caminho para a Liberdade” foi dirigido por Kasi Lemmons, com Cynthia Erivo no papel de Harriet Tubman. A performance de Erivo foi amplamente elogiada pela crítica e lhe rendeu indicações ao Oscar de Melhor Atriz e Melhor Canção Original. Ao lado de Erivo, o elenco conta com Leslie Odom Jr., Janelle Monáe e Joe Alwyn, que ajudaram a enriquecer a narrativa e a construir uma representação fiel dos desafios e das vitórias de Tubman.
Durante a pré-produção, a escolha do elenco gerou polêmicas. Nos anos 1990, houve uma tentativa inicial de produzir o filme, e, naquele período, foi proposto que Julia Roberts, atriz branca, interpretasse Harriet Tubman, o que causou indignação entre profissionais e ativistas. A decisão final de escalar Cynthia Erivo, uma atriz negra e talentosa, foi vista como essencial para uma representação autêntica, respeitando a história de Tubman e os contextos sociais envolvidos.
Impacto cultural e reconhecimento
“Harriet – O Caminho para a Liberdade” teve uma recepção crítica positiva, destacando-se pela atuação de Erivo e pela abordagem sensível da diretora Kasi Lemmons. A obra trouxe para o cinema a história de uma heroína que, embora amplamente conhecida nos Estados Unidos, ainda é desconhecida para muitas pessoas em outros países. A produção não apenas celebra a vida de Tubman, mas também resgata a memória de sua contribuição à luta pelos direitos civis.
Além das indicações ao Oscar, o filme foi reconhecido em outras premiações, como o Critics’ Choice Movie Awards e o NAACP Image Awards, sendo aclamado pela sua relevância histórica e cultural. A obra transcendeu a ficção para se tornar uma peça importante na reflexão sobre temas como racismo e liberdade, aspectos que permanecem atuais e urgentes na sociedade contemporânea.
Aspectos históricos e curiosidades sobre Harriet Tubman
Para compreender a magnitude de Harriet Tubman, é essencial conhecer algumas curiosidades sobre sua vida e suas conquistas:
- Participação na Guerra Civil: Tubman desempenhou um papel ativo na Guerra Civil Americana. Ela atuou como enfermeira, cozinheira e espiã para o Exército da União, utilizando seus conhecimentos de rotas e locais estratégicos para auxiliar as tropas.
- Reconhecimento póstumo: Em 2016, o governo dos Estados Unidos anunciou que Harriet Tubman substituiria Andrew Jackson na nota de 20 dólares. A mudança, vista como uma forma de honrar sua luta pela liberdade, simbolizou o reconhecimento tardio, mas importante, de seu legado.
- Condecoração e apoio: Embora Tubman não tenha recebido os benefícios financeiros devidos pelo seu trabalho durante a Guerra Civil, ela foi posteriormente homenageada, recebendo pequenas quantias de apoio de organizações abolicionistas.
- Inspiração para o futuro: A trajetória de Tubman continua a inspirar gerações de ativistas, sendo mencionada em discursos e utilizada como símbolo em movimentos pelos direitos civis e pela igualdade racial.
- Esforços na “Underground Railroad”: A rede secreta que Tubman usou para libertar pessoas escravizadas é, até hoje, um marco da história dos Estados Unidos. A “Underground Railroad” foi uma das iniciativas de resistência mais significativas do período.
- Desafios pessoais: Harriet enfrentou desafios de saúde, incluindo uma lesão grave na cabeça na infância, que causava desmaios e visões. Mesmo assim, ela perseverou em suas missões.
- Contribuição literária: A história de Tubman foi documentada por diversos biógrafos, que ajudaram a eternizar sua memória e inspirar outras pessoas a conhecerem sua vida e seus feitos.
Representatividade no cinema
A decisão de escalar uma atriz negra para o papel de Harriet Tubman é um marco na busca pela representatividade autêntica no cinema. A controvérsia de se considerar Julia Roberts para o papel nos anos 1990 revelou um problema antigo de Hollywood: a falta de diversidade e de reconhecimento da importância cultural de atores que possam representar suas próprias histórias. A escolha de Cynthia Erivo para interpretar Tubman reafirma o compromisso com uma narrativa que respeita as origens e o contexto social dos personagens.
Escolher atores que compartilhem experiências e características com os personagens é fundamental para que as histórias sejam contadas com respeito e veracidade. Ao destacar essa questão, o filme “Harriet” contribui para um diálogo mais amplo sobre a importância da inclusão e da diversidade em produções cinematográficas, promovendo uma representação que seja honesta e poderosa.
A música como elemento de conexão com o público
A trilha sonora de “Harriet – O Caminho para a Liberdade”, especialmente a canção “Stand Up”, cantada pela própria Cynthia Erivo, exerce um papel fundamental na narrativa do filme. A canção foi indicada ao Oscar de Melhor Canção Original, e sua letra expressa a luta e a resiliência de Tubman. Com versos que refletem a coragem e a determinação, “Stand Up” conecta o público à essência da personagem e enfatiza o impacto emocional da história. A combinação de música e narrativa visual no filme permite que o espectador mergulhe na intensidade e no significado da jornada de Tubman.
Exibição na Sessão da Tarde e impacto educacional
A exibição de “Harriet – O Caminho para a Liberdade” na Sessão da Tarde oferece ao público brasileiro a oportunidade de conhecer mais profundamente a história de Harriet Tubman. A obra não apenas entretém, mas também serve como uma poderosa ferramenta educacional, introduzindo temas como escravidão, racismo e a importância da luta por liberdade e igualdade. Educadores têm aproveitado o filme como um recurso para complementar o ensino de história e para abordar, de forma prática e impactante, questões de justiça social.
Ao apresentar a trajetória de uma figura histórica que lutou contra a opressão, “Harriet” desperta no público uma consciência sobre os desafios que ainda persistem. A luta pela liberdade e pela igualdade, representada por Tubman, é um chamado para que novas gerações reconheçam a importância de resistir às injustiças e de lutar por um mundo mais justo.
Importância da história de Harriet Tubman
A narrativa de Harriet Tubman é um lembrete do poder que uma única pessoa pode ter para mudar a história. Sua coragem e determinação inspiraram e continuam a inspirar pessoas ao redor do mundo. Em um momento em que o racismo e a luta por direitos civis ainda são temas centrais na sociedade, a história de Tubman ressoa como um símbolo de resistência e esperança.
“Harriet – O Caminho para a Liberdade” não só homenageia a vida de Tubman, mas também contribui para que sua memória seja preservada e reconhecida pelas gerações futuras. A história de Tubman, como representada no filme, é uma forma de manter viva a luta por liberdade e justiça, além de educar o público sobre o valor da resistência diante da opressão.