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Gramado sintético no futebol: países restringem uso e debate cresce no Brasil

Botafogo estádio nilton santos
A.RICARDO/Shutterstock.com A.RICARDO/Shutterstock.com

A utilização de gramado sintético no futebol tem gerado intensos debates entre jogadores, clubes e entidades esportivas. Enquanto algumas ligas internacionais proíbem ou impõem restrições ao uso do material artificial, o Brasil ainda conta com estádios que adotam essa superfície. A principal preocupação gira em torno da qualidade do jogo, risco de lesões e impacto ambiental causado pelos microplásticos presentes na composição dos gramados artificiais. Com a crescente pressão de atletas e especialistas, o tema tem ganhado força nos bastidores do futebol mundial e pode influenciar futuras decisões regulatórias.

A Premier League, La Liga, Bundesliga e outras ligas de ponta já estabeleceram diretrizes para impedir a proliferação dos gramados sintéticos, optando por gramados naturais ou híbridos. No entanto, países de climas extremos, como Rússia e Catar, seguem utilizando essa tecnologia por questões de manutenção e custo. Enquanto isso, o Brasil mantém estádios como Allianz Parque e Ligga Arena com superfície artificial, fomentando discussões sobre sua viabilidade e possíveis mudanças no futuro.

Jogadores renomados, como Neymar e Lucas Moura, criticam a adoção do gramado sintético, reforçando a tese de que a superfície artificial altera a dinâmica do jogo e pode aumentar o número de lesões. Treinadores e especialistas também se manifestam, apontando diferenças no desempenho dos times quando jogam em estádios com esse tipo de piso.

Restrições ao uso de gramado sintético nas ligas europeias

A padronização dos gramados naturais é uma realidade nas principais ligas europeias. A Premier League proíbe o uso de gramado sintético desde a década de 1990, exigindo que os clubes adotem superfícies naturais ou híbridas. Na Espanha, a partir de 2031, os estádios não poderão instalar novas superfícies artificiais com partículas de enchimento de microplásticos, reforçando o compromisso ambiental da liga.

Na Itália, apesar da ausência de uma proibição formal, apenas um estádio das duas primeiras divisões utiliza gramado sintético, o Dino Manuzzi, do Cesena. Na França e na Alemanha, a tendência é semelhante: os clubes optam por gramados naturais, mantendo o padrão técnico exigido pelos campeonatos.

A Holanda, que por anos permitiu gramados sintéticos, decidiu banir essa prática a partir da temporada 2025/26. A medida foi impulsionada por estudos que indicam impacto negativo no jogo e riscos aumentados para os atletas. Desde 2018, o país já oferecia incentivo financeiro para clubes que migrassem para gramados naturais, o que resultou na mudança de postura de equipes como o Heracles, que abandonou o sintético após 21 anos.

Gramado sintético e as competições internacionais

A Liga dos Campeões, principal torneio de clubes do mundo, permite jogos em gramados sintéticos até as fases eliminatórias. No entanto, a final da competição só pode ser realizada em campos naturais. A única exceção ocorreu em 2008, quando a decisão entre Manchester United e Chelsea foi disputada no estádio Luzhniki, na Rússia, com gramado sintético.

A FIFA, entidade máxima do futebol, reconhece três tipos de gramado para competições oficiais: natural, híbrido e sintético. Os clubes que optam pelo sintético precisam obter certificação “FIFA Quality Pro”, garantindo que o gramado atenda aos padrões de segurança e desempenho exigidos para o futebol profissional.

Em competições organizadas pela CONMEBOL, a regra segue a diretriz da FIFA, permitindo o uso de gramados sintéticos desde que estejam dentro dos padrões estabelecidos. Entretanto, a preferência das equipes sul-americanas ainda é pelo uso de gramados naturais, como ocorre na Argentina, onde todos os clubes da primeira divisão adotam essa configuração.

Impacto dos gramados sintéticos no Brasil

No Brasil, quatro estádios da Série A utilizam gramado sintético: Allianz Parque (Palmeiras), Ligga Arena (Athletico-PR), Nilton Santos (Botafogo) e Arena MRV (Atlético-MG). Palmeiras e Athletico-PR foram os primeiros clubes a aderir ao modelo, justificando a escolha pela durabilidade e menor custo de manutenção.

O Corinthians adotou um gramado híbrido, combinando 96% de grama natural com 4% de fibras sintéticas. A intenção dessa tecnologia é garantir maior estabilidade e resistência do campo sem comprometer a qualidade do jogo. Esse modelo já é amplamente utilizado em estádios europeus, sendo uma alternativa viável para quem busca equilíbrio entre manutenção e desempenho esportivo.

A CBF não impõe restrições quanto ao tipo de gramado utilizado no Campeonato Brasileiro, mas a pressão por mudanças vem crescendo. Jogadores e treinadores têm se manifestado contra os campos sintéticos, apontando impactos na velocidade da bola, risco de lesões e dificuldades de adaptação quando jogam em diferentes estádios.

Vantagens e desvantagens do gramado sintético

Vantagens:

  • Menor custo de manutenção em relação ao gramado natural
  • Maior resistência a chuvas intensas e variações climáticas
  • Superfície uniforme e menos sujeita a buracos e falhas estruturais

Desvantagens:

  • Aumento da temperatura da superfície em dias quentes
  • Possível aumento de risco de lesões, como torções e desgastes articulares
  • Diferente dinâmica do jogo, afetando passes, quiques e deslocamentos dos jogadores

Estudos e regulamentação ambiental

A União Europeia tem analisado o impacto ambiental dos gramados sintéticos, especialmente no que se refere à liberação de microplásticos. A Comissão Europeia propôs restrições severas para a utilização desse material, visando a eliminação gradativa dos gramados artificiais até 2031.

A FIFA recomenda cuidados específicos para minimizar os impactos ambientais e melhorar a durabilidade dos gramados sintéticos. Isso inclui práticas como escovação regular, remoção de detritos, controle de temperatura e desinfecção para evitar a proliferação de bactérias.

Tendências para o futuro dos gramados no futebol

A tendência global indica um movimento contrário ao uso de gramados sintéticos, com crescimento do modelo híbrido. Clubes e federações esportivas buscam alternativas que conciliem a sustentabilidade com a qualidade do jogo, evitando impactos negativos no desempenho dos atletas.

Nos próximos anos, é provável que mais ligas sigam o exemplo da Holanda, estabelecendo regras mais rígidas para a utilização de gramados artificiais. No Brasil, o debate continua em aberto, mas as recentes críticas de jogadores e treinadores podem acelerar mudanças na regulamentação dos campos nacionais.

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