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Ministério da Saúde amplia combate ao VSR com vacina Abrysvo e anticorpo monoclonal no SUS

Vacinação contra a dengue
Vacinação contra a dengue - Foto: Kmpzzz/ Shutterstock.com Vacinação contra a dengue - Foto: Kmpzzz/ Shutterstock.com

O Ministério da Saúde anunciou a incorporação de novas tecnologias ao Sistema Único de Saúde (SUS) para reforçar o combate ao Vírus Sincicial Respiratório (VSR), uma das principais causas de infecções respiratórias graves em bebês e crianças pequenas. A partir da recomendação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec), a vacina Abrysvo, da Pfizer, e o anticorpo monoclonal Beyfortus (nirsevimabe), da Sanofi, foram incluídos no programa nacional de imunização. Essa iniciativa tem como objetivo reduzir os casos de hospitalização infantil provocados pelo VSR, que é responsável por até 80% das bronquiolites e 60% das pneumonias em crianças menores de dois anos.

A decisão representa um avanço importante na proteção da saúde infantil, garantindo um reforço na prevenção da infecção viral que, anualmente, leva milhares de crianças a internações hospitalares. Com a inclusão da Abrysvo e do Beyfortus no SUS, a expectativa é de que a cobertura imunológica aumente significativamente, reduzindo as complicações do VSR, que pode ser fatal em bebês prematuros e recém-nascidos com comorbidades. A vacina será aplicada em gestantes entre a 24ª e a 36ª semana de gestação, permitindo a transmissão de anticorpos ao feto, enquanto o nirsevimabe será indicado para recém-nascidos e bebês de até 24 meses em grupos de risco.

A portaria que oficializa a incorporação desses imunizantes ao SUS será publicada nos próximos dias. A partir desse momento, o Ministério da Saúde terá um prazo de até 180 dias, prorrogáveis por mais 90, para disponibilizar as doses na rede pública. A iniciativa reforça a importância da vacinação como ferramenta essencial na redução da mortalidade infantil e no alívio da demanda hospitalar durante os períodos de maior circulação do VSR.

O impacto do VSR na saúde infantil no Brasil

O Vírus Sincicial Respiratório é um dos principais agentes causadores de infecções respiratórias graves em crianças pequenas. Dados da Secretaria de Atenção Primária à Saúde (SAPS) mostram que uma em cada cinco crianças infectadas pelo VSR necessita de atendimento médico, e uma em cada 50 acaba sendo hospitalizada no primeiro ano de vida. Além disso, estima-se que o vírus seja responsável por cerca de 33 milhões de infecções infantis anuais em todo o mundo, resultando em mais de 3 milhões de internações hospitalares e aproximadamente 120 mil mortes.

No Brasil, os dados são alarmantes. Entre 2018 e 2024, foram registradas mais de 83.740 internações de bebês prematuros com complicações relacionadas ao VSR, como bronquiolite e pneumonia. A introdução da vacina e do anticorpo monoclonal no SUS tem o potencial de reduzir significativamente essas estatísticas, protegendo milhões de crianças e prevenindo milhares de hospitalizações anualmente.

Como funcionam a vacina Abrysvo e o anticorpo monoclonal Beyfortus

A Abrysvo, desenvolvida pela Pfizer, foi aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em abril de 2024. A vacina é administrada em gestantes para que os anticorpos sejam transferidos ao bebê ainda no útero, garantindo proteção nos primeiros meses de vida. Ensaios clínicos mostraram que a vacina tem uma eficácia de 82,4% na prevenção de formas graves de doenças respiratórias causadas pelo VSR em bebês de até três meses e de 69% em crianças de até seis meses. Além de ser aplicada em gestantes, a Abrysvo também foi aprovada para idosos com mais de 60 anos, mas a incorporação no SUS, neste momento, será focada na imunização materna.

O Beyfortus (nirsevimabe) é um anticorpo monoclonal desenvolvido para oferecer proteção imediata contra o VSR. Diferente das vacinas tradicionais, que estimulam o sistema imunológico a produzir anticorpos, o Beyfortus já contém anticorpos prontos, garantindo uma resposta imunológica rápida e eficaz. A aplicação será direcionada a bebês prematuros, recém-nascidos de risco e crianças com até 24 meses que tenham comorbidades, ampliando a proteção para aproximadamente 300 mil crianças além das diretrizes atuais.

Estratégias para distribuição e aplicação dos imunizantes no SUS

A implementação da Abrysvo e do Beyfortus no SUS seguirá um planejamento logístico detalhado para garantir que os imunizantes cheguem às unidades de saúde dentro do prazo estipulado. O Ministério da Saúde trabalhará na capacitação de profissionais para aplicação das doses e na realização de campanhas informativas para orientar gestantes e responsáveis sobre a importância da imunização contra o VSR.

Estima-se que a vacina e o anticorpo monoclonal estejam disponíveis a partir do primeiro semestre de 2026, a tempo de reforçar a proteção infantil contra o VSR nas temporadas de maior circulação do vírus, que ocorrem entre os meses de outono e inverno. Paralelamente, instituições de saúde e sociedades médicas, como a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), reforçam a necessidade de conscientização sobre a gravidade do VSR e a importância da adesão às novas medidas preventivas.

Benefícios esperados com a imunização contra o VSR

  • Redução de internações: Estima-se que a vacinação materna e a aplicação do anticorpo monoclonal possam evitar cerca de 28 mil internações de bebês por ano.
  • Proteção ampliada: A combinação das duas estratégias tem o potencial de proteger cerca de 2 milhões de recém-nascidos nos primeiros meses de vida.
  • Diminuição da mortalidade infantil: A prevenção contra o VSR pode contribuir significativamente para a redução das taxas de óbito infantil por infecções respiratórias graves.
  • Desafogamento do sistema de saúde: A redução das hospitalizações diminuirá a pressão sobre os serviços de saúde pública, especialmente em períodos de maior circulação do vírus.
  • Maior acesso à imunização: A inclusão desses imunizantes no SUS garante que um maior número de gestantes e bebês sejam protegidos, independentemente da condição socioeconômica.

Histórico do VSR e das estratégias de combate

  • O VSR foi identificado pela primeira vez na década de 1950, sendo reconhecido como um dos principais causadores de infecções respiratórias graves em crianças pequenas.
  • Durante anos, não existiam vacinas ou imunizantes específicos contra o vírus, sendo o tratamento apenas sintomático.
  • Em 1998, o anticorpo monoclonal palivizumabe foi aprovado para bebês de risco, mas seu custo elevado limitou a distribuição em larga escala.
  • Em 2023, a Anvisa aprovou o Beyfortus (nirsevimabe), representando um avanço significativo na imunização contra o VSR.
  • Em 2024, a vacina Abrysvo foi aprovada para uso em gestantes e idosos, reforçando a estratégia de proteção materno-infantil.
  • Em 2025, o Ministério da Saúde oficializou a incorporação da Abrysvo e do Beyfortus ao SUS, marcando um novo marco na imunização infantil no Brasil.

A iniciativa do governo em incluir a vacina Abrysvo e o anticorpo monoclonal Beyfortus no SUS representa um avanço significativo na proteção das crianças contra o Vírus Sincicial Respiratório. Com a expectativa de salvar milhares de vidas e reduzir consideravelmente o número de internações por complicações respiratórias, essa estratégia reforça o compromisso da saúde pública com a prevenção e a segurança dos recém-nascidos e bebês em todo o Brasil.

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