Uma denúncia feita por alunos do curso de direito da Unidade Central de Educação Faem (UCEFF), em Chapecó, no Oeste de Santa Catarina, revelou um caso que chocou a comunidade acadêmica e mobilizou a Polícia Civil. A presidente da comissão de formatura, responsável por gerenciar um fundo de R$ 77 mil acumulado ao longo de três anos para a festa da turma, confessou ter gasto todo o dinheiro no jogo do tigrinho, um caça-níquel online que tem gerado polêmica no país. O desvio, descoberto a menos de um mês da celebração marcada para 22 de fevereiro de 2025, deixou os estudantes em busca de justiça e alternativas para salvar o evento planejado há anos. A suspeita, cuja identidade não foi oficialmente revelada, admitiu o vício em apostas em uma mensagem enviada ao grupo da turma, desencadeando uma onda de indignação entre os colegas.
Nicoli Bertoncelli Bison, de 23 anos, uma das vítimas, relatou o impacto da revelação. Segundo ela, a formatura representava o fechamento de um ciclo de dedicação, mas a notícia transformou o sonho em frustração. A aluna responsável pelo fundo afirmou que começou apostando seu próprio dinheiro e, após perdas consecutivas, recorreu ao montante coletivo na tentativa de recuperá-lo, afundando-se ainda mais no jogo.
A Polícia Civil abriu um inquérito para investigar o caso, considerando as hipóteses de apropriação indébita ou estelionato. O episódio expõe os riscos dos jogos de azar online, que têm crescido em popularidade no Brasil, e reacende o debate sobre a necessidade de regulamentação e conscientização diante de prejuízos financeiros cada vez mais frequentes.
Alunos enfrentam prejuízo e buscam soluções
Os estudantes da UCEFF passaram três anos contribuindo mensalmente para o fundo da formatura, confiando a gestão à colega que se voluntariou para a tarefa. O valor de R$ 77 mil, depositado em uma conta sob sua responsabilidade, deveria cobrir os custos da festa planejada para 22 de fevereiro. Porém, em uma mensagem enviada ao grupo da turma, a suspeita confessou: “Eu perdi todo o dinheiro da formatura. Me viciei em apostas online, tigrinho e afins, e quando perdi tudo que eu tinha guardado, comecei a usar o da formatura para tentar recuperar”. A admissão pegou os alunos desprevenidos, gerando revolta e desespero diante da proximidade do evento.
Agora, a turma organiza uma vaquinha online e planeja eventos adicionais, como rifas, para arrecadar novamente o montante perdido. A meta é realizar a celebração em maio de 2025, mesmo que em formato reduzido, enquanto aguardam os desdobramentos judiciais para tentar reaver o dinheiro desviado.
A universidade acompanha a situação e estuda medidas internas para evitar casos semelhantes no futuro. A instituição também planeja ações de conscientização sobre os perigos dos jogos de azar, buscando proteger os alunos de situações que comprometam suas finanças e bem-estar.
Entenda o jogo do tigrinho e seus perigos
Conhecido formalmente como Fortune Tiger, o jogo do tigrinho é um caça-níquel virtual que opera em plataformas de apostas online e tem conquistado espaço entre brasileiros, impulsionado por propagandas agressivas em redes sociais. O funcionamento é simples: os jogadores apostam dinheiro real na esperança de acertar combinações de símbolos que prometem lucros rápidos. Contudo, especialistas destacam que as chances de ganho são mínimas, e o jogo opera como um esquema de azar que frequentemente leva a perdas significativas.
No caso de Chapecó, a aluna relatou um padrão comum entre jogadores compulsivos: após esgotar seus recursos pessoais, ela recorreu ao dinheiro da formatura para tentar compensar o prejuízo, entrando em um ciclo vicioso de apostas. Esse comportamento reflete um problema crescente no Brasil, onde o mercado de jogos online movimentou cerca de R$ 120 bilhões em 2024, mas também deixou milhares de pessoas em situações financeiras delicadas.
Operações policiais recentes reforçam a gravidade da questão. Em janeiro de 2025, a Operação Lance Final, em Santa Catarina, prendeu influenciadores suspeitos de promover o jogo do tigrinho com simulações falsas de ganhos, evidenciando como essas plataformas podem enganar usuários despreparados e explorar a vulnerabilidade de quem busca lucros fáceis.
Investigação avança em ritmo acelerado
A Polícia Civil de Chapecó trabalha desde o fim de fevereiro de 2025 para esclarecer o desvio dos R$ 77 mil. O inquérito, iniciado logo após a denúncia dos estudantes, analisa duas possibilidades principais: apropriação indébita, quando alguém se apodera de bens alheios que estavam sob sua guarda, ou estelionato, caso fique comprovada a intenção de enganar os colegas desde o início. Testemunhas, incluindo os próprios alunos, começaram a ser ouvidas, e a suspeita deve prestar depoimento em breve.
Rastrear o destino do dinheiro é uma das prioridades dos investigadores. A Justiça já foi acionada para tentar identificar se o valor foi transferido para plataformas de apostas ou outros fins, o que pode determinar as chances de recuperação. O processo, porém, pode levar meses, dependendo da complexidade das movimentações financeiras.
Enquanto isso, os estudantes acompanham cada etapa, na esperança de que a responsabilização da colega traga alguma reparação. O caso também serve como alerta para outras turmas e instituições sobre a importância de mecanismos mais seguros na gestão de fundos coletivos.
Cronograma revela próximos passos do caso
O andamento da investigação segue um calendário estruturado para garantir agilidade e precisão nas apurações. Veja as principais etapas previstas para 2025:
- Fevereiro: Início do inquérito com depoimentos iniciais de vítimas e testemunhas.
- Março: Análise detalhada das movimentações financeiras da suspeita e rastreamento do dinheiro.
- Abril: Conclusão do relatório policial e envio ao Ministério Público para possível denúncia.
Esse cronograma depende da colaboração da Justiça e da disponibilidade de provas, mas os investigadores estão otimistas quanto à possibilidade de esclarecer os fatos rapidamente. A participação da suspeita, caso ela coopere, pode acelerar o processo e influenciar as decisões judiciais.
Impacto dos jogos online cresce no Brasil
O caso da UCEFF não é um incidente isolado, mas parte de um fenômeno mais amplo ligado à expansão dos jogos de azar online no país. Plataformas como o jogo do tigrinho têm atraído milhões de usuários com promessas de enriquecimento instantâneo, muitas vezes disseminadas por influenciadores em redes sociais. Em Santa Catarina, a Operação Lance Final, deflagrada em janeiro de 2025, resultou na prisão do casal Ianka Cristini e Bruno Martins, acusados de lucrar com simulações falsas que incentivavam apostas no mesmo jogo, bloqueando bens de luxo e expondo um esquema milionário.
Esse crescimento preocupa autoridades e especialistas. Em 2024, o setor de apostas online registrou um aumento de 30% em relação ao ano anterior, alcançando R$ 120 bilhões em movimentações. No entanto, os relatos de perdas financeiras, como o dos estudantes de Chapecó, mostram o outro lado dessa realidade, com indivíduos e famílias enfrentando dívidas e crises por conta do vício em jogos.
A falta de regulamentação clara agrava o cenário. Embora haja debates no Congresso Nacional sobre a legalização e controle dessas plataformas, a ausência de medidas efetivas deixa usuários vulneráveis a esquemas que exploram a busca por soluções rápidas para problemas financeiros.
Estudantes reagem com união e esperança
Diante do rombo de R$ 77 mil, os formandos de direito da UCEFF decidiram não se render ao prejuízo. Além da vaquinha online, que já arrecadou parte do valor perdido, a turma organiza vendas de produtos e eventos beneficentes para cobrir os custos da nova data da formatura, agora prevista para maio de 2025. “Queremos transformar essa traição em algo que nos una ainda mais”, disse Nicoli Bertoncelli Bison, destacando o esforço coletivo para superar a crise.
A universidade também se mobiliza para apoiar os alunos. Novas regras para a gestão de fundos de formatura estão em estudo, incluindo a possibilidade de contas conjuntas ou supervisão institucional. Paralelamente, campanhas educativas sobre os riscos das apostas online devem ser lançadas nos próximos meses, visando prevenir casos futuros.
A batalha judicial segue como prioridade. Os estudantes contrataram advogados para representar seus interesses e pressionam por uma resposta rápida da Justiça, na esperança de responsabilizar a colega e recuperar ao menos parte do dinheiro desviado.
Dicas para se proteger de jogos de azar online
Evitar armadilhas como o jogo do tigrinho exige cautela e informação. Confira algumas orientações práticas para não cair em esquemas semelhantes:
- Pesquise a reputação de plataformas de apostas antes de investir qualquer quantia.
- Desconfie de promessas de lucros rápidos ou garantidos em propagandas.
- Nunca use dinheiro destinado a despesas essenciais, como contas ou projetos coletivos.
- Busque ajuda profissional se perceber sinais de dependência em jogos.
Essas medidas simples podem evitar prejuízos financeiros e proteger contra os riscos crescentes das apostas virtuais.