Automobilismo

F1: Hamilton revela receio de racismo antes de assinar com a Ferrari em 2025

Hamilton Ferrari F1
Hamilton Ferrari F1 - Foto: X.com/Hamilton Hamilton Ferrari F1 - Foto: X.com/Hamilton

A mudança de Lewis Hamilton da Mercedes para a Ferrari, confirmada para a temporada 2025 da Fórmula 1, trouxe à tona mais do que apenas expectativas esportivas. Entre dezembro de 2023 e janeiro de 2024, enquanto refletia sobre a proposta da equipe italiana, o heptacampeão mundial admitiu ter considerado o risco de enfrentar racismo na Itália. A questão, ainda um problema sério no esporte do país, conforme apontado por uma pesquisa recente do governo italiano, pesou em sua decisão. Contudo, Hamilton, único piloto negro da história da categoria, decidiu seguir em frente, confiando que o impacto de sua presença pode superar barreiras culturais e promover mudanças no automobilismo.

O receio inicial de Hamilton não foi infundado. Dados divulgados no último ano pelo governo italiano mostram um aumento nos casos de racismo no esporte, especialmente no futebol, com incidentes que vão desde insultos a atos explícitos de discriminação. Apesar disso, o britânico de 40 anos, que já enfrentou preconceito em sua trajetória no kart na Itália e no Reino Unido, afirmou que não permitirá que esse temor o paralise. Sua transferência para Maranello é vista como uma oportunidade de continuar sua luta por diversidade, agora em um novo ambiente.

Com a pré-temporada da F1 em andamento no Bahrein, onde Hamilton já completou seus primeiros testes com o carro SF-25 da Ferrari, o foco do piloto vai além das pistas. Ele chega à equipe italiana trazendo consigo a experiência de ter transformado a Mercedes em um ambiente mais inclusivo ao longo de 12 anos. A promessa de apoio do chefe da Ferrari, Frederic Vasseur, à causa da diversidade, aliada à busca por títulos, sinaliza um capítulo promissor tanto para Hamilton quanto para o time.

O contexto do racismo no esporte italiano

Pesquisas recentes pintam um cenário preocupante sobre o racismo na Itália, um dos fatores que cruzaram a mente de Hamilton antes de aceitar a proposta da Ferrari. Um levantamento do governo italiano, divulgado no último ano, revelou um crescimento significativo de episódios discriminatórios no esporte, com o futebol sendo o mais afetado. Casos de torcedores imitando sons de macacos ou jogando bananas em jogadores negros tornaram-se recorrentes, como o registrado em janeiro na Série B do Campeonato Italiano. Outro estudo, de março do ano passado, apontou que 16% dos italianos veem esse tipo de comportamento como aceitável.

Hamilton já conhece bem essa realidade. Há 25 anos, quando competia no kart na Itália, ele era frequentemente a única criança negra nas pistas. Seu ex-agente, Dino Chiesa, relembrou em entrevista recente como o jovem piloto enfrentava insultos motivados por ignorância, muitas vezes ecoados do ambiente familiar de seus rivais. Mesmo assim, o britânico sempre reagiu com resiliência, transformando adversidades em combustível para sua carreira. Hoje, como heptacampeão, ele encara sua chegada à Ferrari como uma chance de desafiar essas atitudes enraizadas.

Na pré-temporada de 2025, realizada no Circuito de Sakhir, no Bahrein, Hamilton já deu sinais de adaptação ao novo time. Em seu primeiro dia de testes, completou 70 voltas, superando a distância de uma corrida completa no traçado. Enquanto isso, imagens de funcionários negros da Ferrari próximos ao piloto durante as atividades em Maranello e no Bahrein circularam entre os fãs, que celebraram os primeiros passos de uma possível mudança cultural no time italiano.

Uma decisão marcada por emoção e propósito

Refletir sobre deixar a Mercedes, onde conquistou seis de seus sete títulos mundiais, não foi uma tarefa simples para Hamilton. O processo decisório, ocorrido entre o fim de 2023 e o início de 2024, foi intenso e carregado de emoção. Tudo começou com uma ligação inesperada de Frederic Vasseur, chefe da Ferrari, enquanto Hamilton estava em uma de suas casas nos Estados Unidos, acompanhado de um amigo. Após o telefonema, ele passou um tempo sentado no banheiro, atordoado com a proposta, antes de sair para uma caminhada de uma hora para organizar os pensamentos.

A intensidade do momento veio do fato de que, poucos meses antes, em agosto de 2023, ele havia renovado seu contrato com a Mercedes. A possibilidade de mudar para a Ferrari, no entanto, abriu seus olhos para um novo horizonte. Ele descreveu a experiência como um choque inicial, seguido por uma certeza crescente de que estava tomando a decisão certa. Além do apelo esportivo de buscar um oitavo título com uma equipe icônica, a chance de influenciar um ambiente menos diversificado, como o da Ferrari, também pesou na balança.

Agora, integrado ao time italiano, Hamilton já fala com entusiasmo sobre sua nova fase. Durante os testes em Bahrein, ele destacou o sentimento incrível de pilotar o SF-25 pela primeira vez. Enquanto se adapta ao carro e ao time, sua presença já começa a gerar expectativas não apenas dentro das pistas, mas também fora delas, com a promessa de levar adiante sua missão de inclusão.

Os desafios de um pioneiro na Fórmula 1

Ser o primeiro e único piloto negro da história da Fórmula 1 colocou Hamilton em uma posição única desde o início de sua carreira. Há cinco anos, ele assumiu um papel ativo na promoção da diversidade no automobilismo, fundando a Mission 44, uma instituição que apoia jovens de comunidades sub-representadas a ingressar no esporte. Na Mercedes, seus esforços resultaram em avanços concretos, como programas de inclusão que diversificaram o quadro de funcionários da equipe ao longo de sua passagem.

Mudar para a Ferrari, no entanto, representa um novo desafio. O time italiano opera em um contexto sociocultural bem diferente do da rival alemã, e Hamilton reconhece que está voltando a um ambiente que lembra os primeiros anos na Mercedes, quando a diversidade era quase inexistente. Ainda assim, ele vê essa transição como uma oportunidade de reconstruir o que conseguiu na equipe anterior, agora sob a bandeira vermelha da Scuderia.

Apoio não falta. Frederic Vasseur, chefe da Ferrari, assegurou que a equipe está comprometida em avançar na questão da diversidade, embora deixe claro que o desempenho nas pistas segue sendo a prioridade. Para Hamilton, essa combinação de objetivos — vencer corridas e promover inclusão — é o que torna sua chegada à Ferrari tão significativa.

Lições do passado em um novo capítulo

Episódios de racismo marcaram a trajetória de Hamilton desde os tempos de kart, especialmente na Itália, onde ele competia quando adolescente. Dino Chiesa, que o acompanhou nessa fase, relatou como o jovem piloto lidava com provocações de rivais que repetiam preconceitos aprendidos em casa. Apesar da dor, Hamilton nunca se deixou abater, usando cada insulto como motivação para provar seu valor nas pistas. Essa resiliência o levou ao topo da Fórmula 1 e agora o guia em sua nova jornada com a Ferrari.

Na pré-temporada de 2025, o britânico já mostrou que está em sintonia com o carro da equipe. No segundo dia de testes em Bahrein, ele registrou o tempo de 1:29.379, o mais rápido até aquele momento, superando a marca de qualificação da Ferrari no GP do Bahrein de 2024. O desempenho impressionante é um indicativo de que, além de sua luta fora das pistas, Hamilton segue determinado a buscar o oitavo título mundial, que o colocaria à frente de Michael Schumacher na história da categoria.

Enquanto isso, a Mission 44 continua sendo uma parte essencial de sua vida. Rumores apontam que o acordo com a Ferrari incluiu garantias de investimento na instituição, reforçando o compromisso de Hamilton com a inclusão. Sua influência já começa a ser sentida, com registros de maior diversidade visual nos bastidores da equipe italiana durante os testes.

Calendário da temporada 2025 da Fórmula 1

A estreia oficial de Hamilton como piloto da Ferrari está marcada para o dia 16 de março, no Grande Prêmio da Austrália, que abre a temporada 2025 da Fórmula 1. Antes disso, os testes de pré-temporada no Bahrein, realizados entre 26 e 28 de fevereiro, oferecem uma prévia do que está por vir. Confira as principais datas do início do campeonato:

  • 26 a 28 de fevereiro: Testes de pré-temporada no Circuito de Sakhir, Bahrein.
  • 16 de março: GP da Austrália, Melbourne.
  • 23 de março: GP da Arábia Saudita, Jeddah.
  • 6 de abril: GP do Bahrein, Sakhir.

O calendário prevê 24 corridas ao longo do ano, com Hamilton e a Ferrari mirando o título de pilotos e construtores, algo que a equipe não conquista desde 2007 e 2008, respectivamente.

O impacto de Hamilton além das pistas

Fora do cockpit, Hamilton já deixou sua marca na Fórmula 1 como um agente de mudança. Na Mercedes, ele impulsionou iniciativas que abriram portas para minorias no esporte, e agora planeja fazer o mesmo na Ferrari. A temporada 2025 será um teste não apenas de sua habilidade como piloto, mas também de sua capacidade de influenciar uma equipe com uma história tão enraizada quanto a Scuderia.

Fãs têm notado sinais positivos desde o início. Durante os testes no Bahrein, a presença de funcionários negros ao lado de Hamilton foi celebrada nas redes sociais, sugerindo que sua chegada pode estar acelerando mudanças no time. Enquanto isso, Vasseur mantém o equilíbrio entre apoiar essa causa e garantir que a Ferrari volte ao topo do pódio, algo que não acontece há quase duas décadas.

Com 70 voltas completadas em seu primeiro dia de testes e um tempo competitivo no segundo, Hamilton já demonstra que está adaptado ao SF-25. Sua combinação de velocidade e propósito fora das pistas faz dele uma figura central na temporada que se aproxima, tanto na luta pelo campeonato quanto na busca por um esporte mais inclusivo.

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