Lewis Hamilton lidera testes da Fórmula 1 e coloca Ferrari em destaque no Bahrein

Ferrari F1

Ferrari F1 - Foto: Jay Hirano / Shutterstock.com

A pré-temporada da Fórmula 1 no Bahrein trouxe novidades animadoras para os fãs da Ferrari, com Lewis Hamilton liderando a sessão da manhã desta quinta-feira, 27 de fevereiro, em um teste marcado por condições climáticas desafiadoras. O heptacampeão mundial, em sua nova casa após 12 anos na Mercedes, demonstrou ritmo sólido ao cravar o tempo mais rápido de 1min29s379 com o SF-25, o carro da escuderia italiana para a temporada que se inicia em março. Enquanto isso, a Red Bull enfrentou contratempos, com problemas mecânicos limitando o desempenho de Liam Lawson, que substituiu Sergio Pérez nesta sessão. A garoa persistente na pista de Sakhir também interferiu, reduzindo o tempo disponível para os pilotos e engenheiros ajustarem seus equipamentos.

Hamilton, que completou várias sequências de voltas com o pneu C3, pareceu confortável ao volante, mesmo enfrentando pequenas saídas de frente no primeiro setor do circuito. A presença de John Elkann, presidente da Ferrari, nas arquibancadas do Bahrein, deu um toque especial ao dia, algo raro em testes coletivos. O britânico, aos 40 anos, está em fase de adaptação à nova equipe, mas já sinaliza que a Ferrari pode estar avançando na direção certa para brigar na frente.

Por outro lado, a Red Bull, dominante nas últimas temporadas, viu seu planejamento ser afetado por falhas técnicas que comprometeram o número de voltas de Lawson. Apesar disso, o dia ainda está em andamento, com a sessão da tarde prometendo mais ação e ajustes cruciais antes do último dia de testes, na sexta-feira.

Um novo capítulo para Hamilton na Ferrari

Após uma transição que chocou o mundo da Fórmula 1 no início de 2024, Lewis Hamilton finalmente veste o vermelho da Ferrari, trazendo consigo a experiência de sete títulos mundiais e 105 vitórias na categoria. Sua chegada à escuderia italiana é vista como um marco, unindo o piloto mais vencedor da história ao time mais tradicional do grid. No Bahrein, o britânico não apenas liderou a tabela de tempos na manhã do segundo dia de testes, mas também mostrou consistência ao realizar várias voltas com o composto C3, indicando que a Ferrari já passou da fase inicial de validação de dados e agora foca no acerto fino do carro.

A mudança de Hamilton para a Ferrari veio após um período difícil na Mercedes, onde enfrentou três anos de resultados abaixo de suas expectativas, com apenas duas vitórias desde 2022. A decisão de trocar de equipe foi motivada pela busca por um novo desafio e pela confiança no projeto liderado por Frédéric Vasseur, chefe da Ferrari, que aposta em mudanças significativas para 2025 e, especialmente, para 2026, quando novas regras entrarão em vigor.

Enquanto isso, a presença de Elkann no circuito reforça a importância deste momento para a Ferrari. O presidente da empresa raramente acompanha testes, o que sugere uma expectativa elevada para o desempenho de Hamilton e do SF-25. O carro, apresentado oficialmente em 18 de fevereiro em Londres, traz detalhes em branco nas asas e na traseira, mantendo o icônico vermelho que simboliza a paixão dos tifosi.

Problemas na Red Bull abrem espaço para rivais

A Red Bull, que dominou a Fórmula 1 nos últimos anos com Max Verstappen, encontrou dificuldades inesperadas nesta pré-temporada. Liam Lawson, que assumiu o cockpit nesta quinta-feira, enfrentou problemas mecânicos que limitaram seu tempo na pista, contrastando com o desempenho avassalador de Verstappen no primeiro dia, quando o holandês superou o rival mais próximo por mais de um segundo. A equipe austríaca, conhecida por sua eficiência, agora trabalha contra o relógio para resolver as questões antes do início da temporada.

A garoa que caiu em Sakhir durante a manhã também afetou todas as equipes, mas a Ferrari conseguiu aproveitar melhor as janelas de pista seca. Hamilton, com sua experiência, forçou o ritmo em algumas voltas, testando os limites do SF-25, enquanto a Red Bull precisou focar em diagnósticos para entender os problemas de confiabilidade. Isso abre uma brecha para que Ferrari, Mercedes e McLaren, atual campeã de construtores, ganhem terreno nos ajustes finais.

O brasileiro Gabriel Bortoleto, estreante na Sauber, também esteve em ação no primeiro dia, terminando em 12º. Ele volta ao cockpit nesta quinta-feira à tarde, buscando mais quilometragem para se adaptar à Fórmula 1 antes de sua estreia oficial no GP da Austrália, em 16 de março.

Destaques da manhã no Bahrein

O segundo dia de testes no Bahrein trouxe um panorama inicial do que pode ser a temporada de Fórmula 1 deste ano, com Hamilton e a Ferrari roubando a cena. A tabela de tempos da manhã mostrou o britânico à frente, seguido por George Russell, da Mercedes, a 0s399, e Carlos Sainz, agora na Williams, a 0s711. Pierre Gasly, da Alpine, e Fernando Alonso, da Aston Martin, completaram os cinco primeiros, enquanto Lawson ficou em oitavo, a 1s854 do líder, refletindo os problemas da Red Bull.

Embora os testes de pré-temporada não sejam um indicativo definitivo de desempenho — já que as equipes usam diferentes níveis de combustível e modos de motor —, o ritmo de Hamilton sugere que a Ferrari está em uma curva ascendente. No ano passado, a equipe terminou o campeonato em segundo lugar entre os construtores, vencendo duas das últimas seis corridas e subindo ao pódio em cinco delas. Agora, com o heptacampeão no comando, a expectativa é de que o SF-25 seja competitivo desde o início.

Charles Leclerc, companheiro de Hamilton, também teve um dia produtivo na quarta-feira, completando 71 voltas e elogiando a base sólida do novo carro. A dupla dividiu o trabalho no primeiro dia, totalizando 141 voltas, ou 763 km, focando na coleta de dados e na validação das simulações feitas na fábrica em Maranello.

Calendário dos testes e próximas etapas

Os testes de pré-temporada no Bahrein são a única oportunidade das equipes ajustarem seus carros antes do início oficial da Fórmula 1. Com apenas três dias disponíveis, cada sessão é crucial. Veja o cronograma restante:

  • Quinta-feira, 27 de fevereiro: Sessão da tarde, das 14h às 19h (horário local), com Hamilton passando o volante para Leclerc e Bortoleto retornando pela Sauber.
  • Sexta-feira, 28 de fevereiro: Último dia de testes, das 9h às 19h, com todas as equipes buscando simulações de corrida e ajustes finais.
  • 16 de março: Abertura da temporada com o GP da Austrália, em Melbourne.

Após os testes, as equipes terão pouco menos de três semanas para analisar os dados e enviar os carros ao primeiro GP do ano. Para a Ferrari, o foco está em garantir que Hamilton e Leclerc estejam totalmente entrosados com o SF-25, enquanto a Red Bull correrá para resolver suas questões mecânicas.

Adaptação de Hamilton ao SF-25

Completando 70 voltas na quarta-feira, Hamilton descreveu os testes como empolgantes, destacando a emoção de pilotar o SF-25 pela primeira vez. O britânico, que já passou por transições desafiadoras ao trocar a McLaren pela Mercedes em 2013, sabe da importância de aprender rápido os detalhes do novo carro. Ele admitiu que ainda é cedo para avaliar o desempenho real, mas se disse confortável com o comportamento do equipamento, que aparenta ser mais estável que o modelo inicial testado em Barcelona, em janeiro.

A adaptação de Hamilton à Ferrari não é apenas técnica, mas também cultural. Após anos com motores Mercedes, ele agora se familiariza com o propulsor italiano, que tem características distintas. Testes anteriores com carros antigos, como o SF-23, em Fiorano e Barcelona, já haviam mostrado boas impressões, mas o heptacampeão enfrentou um pequeno incidente em janeiro, batendo e danificando a suspensão. Agora, com o carro oficial de 2025, o foco é refinar o acerto e entender os limites do SF-25.

O britânico também traz uma bagagem única para a equipe. Sua experiência em desenvolver carros vencedores na Mercedes pode ser um trunfo para a Ferrari, que não conquista um título de pilotos desde 2007, com Kimi Räikkönen. Leclerc, por sua vez, elogiou a parceria, afirmando que ambos podem aprender um com o outro.

Números e curiosidades da pré-temporada

Os testes no Bahrein sempre revelam dados interessantes sobre o desempenho inicial das equipes. Confira alguns destaques até agora:

  • Hamilton liderou a manhã de quinta-feira com 1min29s379, usando pneus C3.
  • Russell, da Mercedes, ficou a menos de meio segundo do líder, sugerindo que a equipe alemã também está forte.
  • A Red Bull, apesar dos problemas, já havia impressionado na quarta-feira com Verstappen, que fez 1min31s344 como melhor tempo do dia.
  • Bortoleto, da Sauber, completou 117 voltas no primeiro dia, uma marca expressiva para um novato.

Além disso, o SF-25 da Ferrari foi projetado com mudanças na suspensão dianteira, influenciadas pelo estilo de pilotagem de Hamilton, que prioriza estabilidade nas curvas. A equipe italiana também ajustou a aerodinâmica para melhorar o desempenho em pistas de alta velocidade, como o circuito de Sakhir.

Expectativas para a temporada

A liderança de Hamilton nos testes reacende as esperanças dos tifosi, que sonham com o fim de um jejum de 18 anos sem títulos de pilotos. A Ferrari terminou 2024 em alta, e a chegada do heptacampeão é vista como o ingrediente que faltava para brigar com McLaren e Red Bull. Leclerc, aos 27 anos, também está motivado para elevar seu desempenho ao lado de um dos maiores nomes da história da Fórmula 1.

Enquanto isso, a Mercedes, agora com George Russell e o jovem Andrea Kimi Antonelli, busca manter sua competitividade. A McLaren, liderada por Lando Norris, atual campeã de construtores, é outra candidata ao topo, mas ainda não mostrou todo seu potencial nos testes. A Red Bull, mesmo com os problemas desta quinta-feira, segue como favorita, graças ao talento de Verstappen e à consistência da equipe.

A pré-temporada termina na sexta-feira, e os resultados finais darão um panorama mais claro do grid. Até lá, Hamilton e a Ferrari seguem em evidência, com o britânico provando que, mesmo aos 40 anos, ainda tem velocidade e determinação para buscar seu oitavo título mundial.

Veja Também