O rapper Mauro Davi dos Santos Nepomuceno, artisticamente conhecido como Oruam, enfrentou mais um capítulo conturbado em sua trajetória nesta quarta-feira, 26 de fevereiro, ao ser detido pela segunda vez em menos de sete dias no Rio de Janeiro. A operação, conduzida pela Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE), ocorreu em sua mansão no Joá, próximo à Barra da Tijuca, onde foi encontrado Yuri Pereira Gonçalves, foragido da Justiça acusado de organização criminosa, portando uma pistola 9 mm com kit rajada e munições. Após ser levado à Cidade da Polícia, na Zona Norte, e liberado pela manhã ao assinar um termo circunstanciado por favorecimento pessoal, o jovem de 23 anos usou as redes sociais para se manifestar. Em um texto reflexivo, ele pediu desculpas: “Tenho medo de decepcionar Deus, meu pai, minha mãe, meus fãs, meus amigos e todos que gostam de mim. Minhas atitudes me trouxeram grandes inimigos, minhas vitórias me encheram de ego e na derrota lembrei da humildade. Peço desculpas só aos meus fãs e à minha família que, hoje, eu os decepcionei”. O caso se soma a uma investigação sobre um disparo de arma em um condomínio em Igaratá, São Paulo, em 16 de dezembro do ano passado, mantendo o artista sob os holofotes por razões além de sua música.
Na saída da delegacia, Oruam defendeu Yuri, afirmando à imprensa: “Ele não é traficante! Ele é uma pessoa normal e é meu amigo. Eu não sabia que ele estava foragido”. A detenção vem dias após outro incidente, em 20 de fevereiro, quando foi preso por direção perigosa na Barra da Tijuca.
Fãs, conhecidos como “Tropa do Oruam”, compareceram à Cidade da Polícia para apoiá-lo, enquanto Poze do Rodo, seu amigo e funkeiro, fez uma videochamada oferecendo conselhos após a soltura. A sequência de eventos reforça a vida tumultuada do rapper, que equilibra sucesso musical e problemas legais.
Operação policial expõe detalhes da mansão
A ação da Polícia Civil no Joá começou nas primeiras horas desta quarta-feira, 26 de fevereiro, com agentes cumprindo mandados de busca e apreensão na residência luxuosa de Oruam. Além da pistola 9 mm com kit rajada e munições encontradas com Yuri Pereira Gonçalves, foram apreendidos itens como armas de airsoft, joias, celulares e rádios comunicadores, levantando questões sobre o que circula na casa do rapper. A operação tinha como foco principal localizar a arma usada no disparo em Igaratá, mas ela não foi encontrada, deixando a investigação em aberto.
Simultaneamente, a casa da mãe do artista, Márcia Nepomuceno, no Pechincha, em Jacarepaguá, também foi alvo de buscas, resultando na apreensão de telefones que passarão por análise pericial. A presença de um foragido na mansão de Oruam complicou sua situação, embora ele tenha sido liberado após prestar esclarecimentos.
A mobilização dos fãs na porta da Cidade da Polícia destacou a popularidade do rapper, enquanto seu advogado, Fernando Henrique Cardoso, reforçou que Oruam desconhecia o status de Yuri e a presença da arma em sua residência.
Reflexão pública após nova detenção
Após ser solto por volta das 10h45, Oruam recorreu ao Instagram, onde tem mais de 9 milhões de seguidores, para compartilhar seus sentimentos. O texto publicado reflete um momento de autocrítica: “Minhas atitudes me trouxeram grandes inimigos, minhas vitórias me encheram de ego e na derrota lembrei da humildade”. Ele direcionou o pedido de desculpas exclusivamente a fãs e familiares, excluindo seus críticos, sinalizando uma tentativa de reconciliação com quem o apoia.
Na saída da delegacia, ele também falou com jornalistas, mantendo o tom otimista sobre sua carreira: “Vou voltar tranquilo para casa. O meu álbum está bombando e está do jeito que eu queria!”. A declaração mostra sua intenção de focar na música, apesar das adversidades recentes.
O desabafo contrasta com episódios anteriores, como sua apresentação no Lollapalooza 2024, quando vestiu uma camisa pedindo a liberdade de seu pai, Marcinho VP, preso desde 1996 como líder do Comando Vermelho, evidenciando a dualidade entre sua vida pública e pessoal.
Trajetória marcada por polêmicas
Oruam, nascido em 2001 na Cidade de Deus, Zona Oeste do Rio, é filho de Marcinho VP, com quem nunca conviveu, mas cuja influência aparece em tatuagens e gestos públicos, como no Lollapalooza. Ele emergiu como uma das maiores vozes do trap nacional, com mais de 10 milhões de ouvintes mensais no Spotify, graças a hits como “Oh Garota Eu Quero Você Só Pra Mim” e “Rolé na Favela de Nave”. Assinado pela Mainstreet Records, do rapper Orochi, ele colabora com nomes como MC Ryan SP e MC Daniel, consolidando sua relevância na cena urbana.
Em 20 de fevereiro, menos de uma semana antes desta nova prisão, Oruam foi detido na Barra da Tijuca por direção perigosa, após realizar um “cavalo de pau” para escapar de uma blitz. O caso terminou com o pagamento de uma fiança de R$ 60 mil, mas gerou tumulto com fãs cercando a viatura em protesto.
A operação no Joá revelou ainda um anel com símbolos do Complexo da Penha, ligado ao traficante “Doca” ou “Urso”, o que alimenta especulações sobre as conexões do rapper, embora ele negue envolvimento com atividades ilícitas.
Investigação em curso sobre disparo em São Paulo
A operação desta quarta-feira foi motivada por uma investigação iniciada após o disparo de uma arma calibre 12 por Oruam em um condomínio em Igaratá, São Paulo, em 16 de dezembro do ano passado. Durante uma festa, o rapper teria atirado para o alto, colocando em risco os presentes, o que levou a Justiça de Santa Isabel a expedir mandados de busca. Embora a arma específica não tenha sido localizada, os itens apreendidos na mansão, como celulares e joias, serão analisados para esclarecer os fatos.
O delegado da DRE classificou o disparo como um ato irresponsável, destacando a falta de preparo de Oruam para manusear armamento. A presença de Yuri Pereira Gonçalves na casa adicionou complexidade ao caso, com o foragido assumindo a posse da pistola 9 mm encontrada durante a operação.
A quebra de sigilo telefônico já foi autorizada, e os aparelhos confiscados nas residências de Oruam e Márcia Nepomuceno passarão por perícia, prometendo novos desdobramentos na investigação que une os eventos do Rio e de São Paulo.
Amigos e fãs reagem ao episódio
Após a soltura, Poze do Rodo, um dos maiores nomes do funk carioca e amigo próximo de Oruam, fez uma videochamada para aconselhá-lo. “Papai odeia ser chato, mas passei por tudo isso, de querer peitar a Justiça e de querer ganhar tudo na atitude bruta. Hoje tenho para mais de 19 processos nas costas, mas na fé não vai dar em nada”, disse Poze, sugerindo uma pausa na fazenda do rapper: “Queria ir curtir sua fazenda, lá com você e ficarmos lá um bom tempo para você refletir”. O tom fraterno reforça a rede de apoio ao redor do artista.
Enquanto isso, a “Tropa do Oruam” se fez presente na Cidade da Polícia, com cartazes e gritos de apoio durante a detenção. A mobilização dos fãs evidencia a força de sua base, que valoriza sua autenticidade e as letras que retratam a realidade das comunidades cariocas.
A relação de Oruam com seu público é um dos pilares de sua carreira, sustentada por uma conexão emocional que resiste às controvérsias e mantém sua influência intacta entre os jovens.
Linha do tempo das polêmicas recentes
Os episódios envolvendo Oruam têm se acumulado rapidamente. Confira a cronologia:
- 16 de dezembro (ano passado): Disparo de arma calibre 12 em condomínio em Igaratá, São Paulo, dá início à investigação policial.
- 20 de fevereiro: Preso na Barra da Tijuca por direção perigosa após manobra arriscada; paga fiança de R$ 60 mil e é liberado.
- 26 de fevereiro: Detido no Joá por favorecimento pessoal, com um foragido em sua casa; assina termo circunstanciado e é solto.
Essa sequência mantém o rapper no centro das atenções, com a Justiça e os fãs acompanhando cada passo.
Sucesso musical em meio ao caos
Mesmo com as prisões recentes, Oruam segue em alta no cenário musical. Seu álbum mais recente, destacado por ele na saída da delegacia, está entre os mais ouvidos do Brasil, com faixas que dominaram as paradas no início do ano. Apresentações em festivais como Lollapalooza 2024 e Rock in Rio, ao lado de TZ da Coronel e Xamã, mostram sua relevância no trap e no funk.
A Mainstreet Records, gravadora que o representa, é um dos pilares de seu sucesso, conectando-o a uma rede de artistas influentes. Seu estilo de vida ostensivo, com carros de luxo e uma mansão no Joá, reflete o contraste entre sua origem humilde na Cidade de Deus e a ascensão meteórica na música.
A “lei anti-Oruam”, proposta em algumas cidades para vetar artistas que façam apologia ao crime em eventos públicos, segue em tramitação e coloca o rapper no epicentro de um debate cultural e jurídico mais amplo.
Rede de apoio e próximos passos
Na saída da Cidade da Polícia, Oruam mostrou confiança ao afirmar: “Vou voltar tranquilo para casa. O meu álbum está bombando e está do jeito que eu queria!”. A frase reflete seu esforço para manter o foco na carreira, mesmo com os desafios legais que enfrenta.
O conselho de Poze do Rodo, com quem compartilha uma amizade sólida, sugere uma pausa para reflexão, enquanto os fãs continuam a defendê-lo nas redes sociais e nas ruas. A “Tropa do Oruam” mantém viva a narrativa de um artista que, apesar dos tropeços, representa a voz de muitos jovens das periferias.
A investigação sobre o disparo em São Paulo e os itens apreendidos na operação no Joá seguem em andamento, com a possibilidade de novas revelações nos próximos dias a partir da análise dos materiais confiscados.